Influência do arranjo espacial e área ocupada pela planta no teor foliar de nutrientes em milho

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O presente trabalho teve por objetivo comparar, em populações de  plantas , as formas de distribuição espacial com espaçamento de 0,80 metro na entrelinha, preconizado como o convencionalmente utilizado, e a distribuição espacial eqüidistante entre plantas, em que os espaçamentos na linha e entrelinha são iguais entre si

Autores: Elizeu L. Brachtvogel1; Andre Luis Sodre Fernandes²; Simério C. S. Cruz3; Francisco R. S. Pereira4; Magno L. de Abreu5

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

RESUMO

O arranjo de plantas pode ser manipulado através de alterações na densidade de plantas, no espaçamento entre linhas, na distribuição de plantas dentro da linha, sendo que as variações na distância entre plantas na linha e nas entre linhas conferem os diferentes arranjos espaciais na lavoura. O presente trabalho teve por objetivo comparar, em populações de 30000, 45000, 60000, 75000, 90000, 105000 plantas ha-1, as formas de distribuição espacial com espaçamento de 0,80 metro na entrelinha, preconizado como o convencionalmente utilizado, e a distribuição espacial equidistante entre plantas, em que os espaçamentos na linha e entrelinha são iguais entre si.

O ensaio foi conduzido em área de Nitossolo Vermelho distroférrico, de textura argilosa situada na Fazenda Experimental Lageado, da Faculdade de Ciências Agronômicas da UNESP/Campus de Botucatu.

O delineamento experimental foi o de blocos casualizados, com tratamentos organizados esquema fatorial 2 X 6 (quatro repetições), em parcelas de 4,5 x 10 metros. Os dados foram submetidos à análise de variância pelo teste F. Todos os parâmetros avaliados foram influenciados pelas populações testadas.

Os arranjos espaciais não influenciaram a expressão dos parâmetros avaliados, para os quais não foram detectadas diferenças significativas pelo teste F. Pode concluir que para o material utilizado, nas condições em que o ensaio foi conduzido, os parâmetros estudados são influenciados apenas pela população de plantas empregada, não pelo arranjo espacial de plantas na área.

Termos de indexação: Zea mays L.; espaçamento equidistante; densidade de plantas.

INTRODUÇÃO

O arranjo de plantas pode ser manipulado através de alterações na densidade de plantas, no espaçamento entre linhas, na distribuição de plantas dentro da linha, sendo que as variações na distância entre plantas na linha e nas entre linhas conferem os diferentes arranjos espaciais na lavoura (ARGENTA, 2001).

Espaçamentos eqüidistantes entre plantas de milho são, pela cobertura melhor o solo, mais eficientes no uso da água, por apresentar menores perdas por evaporação, e nutrientes devido ao maior volume de solo explorado pelas raízes; bem como maior interceptação da luz disponível (LAUER, 1994; BULLOCK et al., 1988). De acordo com Bullock et al. (1988), modelos de distribuição mais favoráveis em virtude do uso de espaçamentos reduzidos aumentam a taxa de crescimento inicial da cultura, levando assim, a uma melhor interceptação da radiação solar e uma maior eficiência no uso dessa radiação, resultando em aumento da produção fotossintética líquida.

Desta forma, o presente trabalho teve por objetivo comparar, em populações de 30000, 45000, 60000, 75000, 90000, 105000 plantas ha-1, as formas de distribuição espacial com espaçamento de 0,80 metro na entrelinha, preconizado como o convencionalmente utilizado, e a distribuição espacial eqüidistante entre plantas, em que os espaçamentos na linha e entrelinha são iguais entre si, os quais foram obtidos pela raiz quadrada da área destinada a cada planta, nas respectivas populações.

MATÉRIAS E MÉTODOS

O ensaio foi conduzido em área de Nitossolo Vermelho distroférrico, de textura argilosa situada na Fazenda Experimental Lageado, da Faculdade de Ciências Agronômicas da UNESP/Campus de Botucatu.

O delineamento experimental foi o de blocos casualizados, com tratamentos organizados esquema fatorial 2 X 6 (quatro repetições), em parcelas de 4,5 x 10 metros.

Foi utilizado o híbrido de milho 2B587, cujas características são: precocidade de ciclo, porte baixo, arquitetura de folhas normal e grãos de coloração amarelo alaranjada com textura semidentada. Dois meses antes da semeadura foi realizada a calagem na dose de 1,2 t ha-1 para elevar a saturação por bases a 70%, com posterior aração e gradagem. Os tratamentos foram implantados em semeadura convencional, com sulcagem por um sistema adaptado com asa de andorinha. A distribuição das sementes e do fertilizante (300 kg ha-1 da fórmula 08-28-16) foram feitas manualmente, e a emergência ocorreu no dia 10/12/2008. O controle de plantas invasoras foi realizado através de aplicação de nicosulfuron e atrazine (16 e 1250 g i.a. ha-1 respectivamente) dez dias após a emergência da cultura, e o controle da lagarta do cartucho (Spodoptera frugiperda) com Spinosad (25g ha-1), em pulverização tratorizada com 200 l ha-1 de calda. A adubação nitrogenada e potássica em cobertura foi realizada com 6 folhas totalmente desdobradas, nas doses de 120 kg N ha-1 e 40 kg K2O ha-1 respectivamente.

RESULTADO E DISCUSSÃO

Ao final do ciclo, foram contadas as plantas da área útil da parcela e realizada a colheita das espigas manualmente, com posterior contagem das mesmas, obtendo-se o número de espigas por planta ou índice de espiga. Destas espigas, dez foram selecionadas ao acaso para a obtenção do número de fileiras de grãos por espiga, massa e número de grãos por espiga .

Tabela 1. Resumo da análise de variância com valores de F calculado para as causas de variação e sua interação, efeitos de regressão para populações, e médias de formas de arranjo, para os parâmetros número de fileiras de grãos (NF) massa de grãos por espiga (MGE), e número de grãos por espiga (NGE) e índice de espiga (IE) em milho híbrido DAS 2B587 cultivado na safra.

Os dados foram submetidos à análise de variância pelo teste F (Tabela 1), e como não houve interação entre os fatores testados, procedeu-se com teste de média para arranjo espacial de plantas, e para populações, análise de regressão, calculada para equações lineares e quadráticas. Foram aceitas apenas as equações significativas a 1 (**) e 5 (*) % de probabilidade pelo teste F, escolhida a equação com o maior coeficiente de determinação (R2) nos casos em que ambas apresentaram significância. Estes resultados encontram-se resumidos na Tabela 1.

Todos os parâmetros avaliados foram influenciados pelas populações testadas. Os arranjos espaciais não influenciaram a expressão dos parâmetros avaliados, para os quais não foram detectadas diferenças significativas pelo teste F. O desmembramento dos graus de liberdade de populações em regressões do tipo linear e quadrática detectou que o parâmetro número de fileiras de grãos ajusta-se ao modelo linear somente, e os parâmetros massa e número de grãos por espiga e índice de espiga se ajustam tanto para regressões do tipo quadrática e linear. Neste caso, todas as regressões que possuíam maior coeficiente de correlação foram as do tipo quadrática, as quais se encontram graficamente representadas na Figura 1.

Figura 1. Efeito nos parâmetros para os parâmetros número de fileiras de grãos, massa de grãos por espiga, número de grãos por espiga e índice de espiga, em resposta a populações de milho híbrido DAS 2B587 cultivado na safra. Média dos arranjos espaciais convencional e eqüidistante entre plantas.

Quanto ao número médio de fileiras de grãos por espiga, a mesma decresceu de forma linear com o aumento da população de plantas (Figura 1). Os dados obtidos corroboram com os obtidos por Lenzi (1992), Pinotti (2003) e Furtado (2005), onde se observou que à medida que se elevou a densidade de plantas, o número de fileiras de grãos diminui. Entretanto, Marchão et al. (2004) obtiveram resultados contrários aos obtidos neste experimento, pois os autores chegaram à conclusão que o número de fileiras de grãos não foi influenciado pelo aumento na densidade de semeadura.

Quanto à massa de grãos por espiga, houve decréscimo com o aumento da população, da massa de grãos por espiga (Figura 1), a qual concorda com os dados obtidos por Revoredo & Cazetta (2006) e Pinotti (2003), ambos em populações compreendidas entre 30000 e 90000 plantas ha-1.

O número de grãos por espiga também seguiu a tendência de decréscimo com o aumento da população (Figura 1). A diminuição do número de grãos por espiga com o incremento da população de plantas é relatada com certa freqüência na literatura (REVOREDO; CAZETTA 2006; PALHARES, 2003; PINOTTI,2003), independentemente do híbrido (SANGOI et al., 2005), e do espaçamento entre linhas (PALHARES, 2003). No entanto, alguns trabalhos reportam aumento do número de grãos por espiga com a diminuição do espaçamento entrelinhas (SANGOI et al., 2001).

O índice de espigas foi sensivelmente afetado pelas populações de plantas testadas, não sendo influenciado por arranjo espacial de plantas tampouco pela interação destes (Tabela 1). O índice de prolificidade é um importante indicativo da capacidade dos híbridos modernos em suportar maiores populações, sem diminuir acentuadamente a emissão e manutenção das espigas (ALMEIDA et al., 2000).

Conforme demonstra a Figura 1, houve decréscimo do número de espigas por planta à medida que se elevou a população de plantas. Dados semelhantes foram encontrados por Pereira Filho et al. (1991), Cruz et al. (1994), Barbosa (1995), Argenta et al. (2001), Flesch e Vieira (2004), que trabalharam com diferentes híbridos e obtiveram redução do índice de prolificidade com o aumento de plantas. Outros autores, trabalhando com diferentes híbridos em diferentes locais e anos, também não encontraram variação do índice de espiga com a redução do espaçamento (CARVALHO, 2007; FLESCH; VIEIRA, 2004; SANGOI et al., 2001).

CONCLUSÃO

Conclui-se que para o material utilizado, nas condições em que o ensaio foi conduzido, os parâmetros estudados são influenciados apenas pela população de plantas empregada, não pelo arranjo espacial de plantas na área.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALMEIDA, M L.; SANGOI, L.; ENDER, M. Incremento na densidade de plantas: uma alternativa para aumentar o rendimento de grãos de milho em regiões de curta estação estival de crescimento. Ciência Rural, Santa Maria, v. 30, n. l, p. 23-29, 2000.

ARGENTA, G, SILVA, P. R F. da; SANGOI, L. Arranjo de plantas em milho: análise do estado-da-arte. Ciência Rural, Santa Maria, v. 31, n. 6, p 1075-1084, 2001.

BARBOSA, J.A. Influência de espaçamento e arquitetura foliar no rendimento de grãos e outras características agronômicas do milho. (Zea mavs L.). 1995, 48 f. Dissertação (Mestrado em Fitotecnia) – Escola Superior de Agricultura de Lavras, Lavras, 1995.

BULLOCK, D G, NIELSEN, R. L.; NYQUIST, W. E. A growth analysis comparison of corn grown in conventional and equidistant plant spacing. Crop Science, Madison, v. 28, n. 2, p. 254-258, 1988.

CARVALHO, I. Q. Espaçamento entre fileira e população de plantas em milho. 2007. 118f. Dissertação (Mestrado em Agronomia) – Universidade Estadual de Ponta Grossa, Ponta Grossa, 2007.

CRUZ, J. C. et al. Resposta de cultivares de milho a variação em espaçamento e densidade. In: CONGRESSO NACIONAL DE MILHO E SORGO, 25., 2004, Cuiabá. Resumos… Cuiabá: Associação Brasileira de Milho e Sorgo, 2004. l CD-ROM.

FLESCH, R. D.; VIEIRA, L. C. Espaçamentos e densidades de milho com diferentes ciclos no oeste de Santa Catarina, Brasil. Ciência Rural, Santa Maria, v. 34, n. 1, p. 25-31, 2004.

FURTADO. M. B. F. Sistemas de preparo do solo e populações de plantas em espaçamentos reduzido: comportamento de cultivares de milho (Zea mays L.). 2005. 87 f. Dissertação (Mestrado em Agronomia / Agricultura) – Faculdade de Ciências Agronômicas, Universidade Estadual Paulista, Botucatu, 2005.

LAÜER, J. Should l be planting com at a 30-inch row spacing. Wisconsin Crop Manager, Madison, v. l, n. 6, p. 6-8, 1994.

LENZI, E. A. População e distribuição espacial de plantas em cultura de milho (Zea mays L.). 1992. 106 f. Tese (Doutorado em Agronomia / Agricultura) – Faculdade de Ciências Agronômicas, Universidade Estadual Paulista, Botucatu, 1992.

MARCHÃO, R. L.; BRASIL, E. M.; DUARTE, J. B.; GUIMARÃES, C. M.; GOMES, J. A. Densidade de plantas e características agronômicas de híbridos de milho sob espaçamento reduzido entre linhas. Pesquisa Agropecuária Tropical, 35 (2): 93-101, 2005.

PALHARES, M. Distribuição e população de plantas e produtividade de grãos de milho. 2003. 90 f. Dissertação (Mestrado em Agronomia/Fitotecnia) – Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Piracicaba, Universidade de São Paulo, Piracicaba, 2003.

PEREIRA FILHO, l A ; CRUZ, J C ; RAMALHO, M A P Produtividade e prolifícidade de três cultivares de milho em sistemas de consórcio com feijão comum. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v. 26, n 5, p. 745-751,1991.

PINOTTI, E. B. Características de três cultivares de milho (Zea mays L.) sob quatro populações de plantas em espaçamento reduzido. 2003. 65 f. Dissertação (Mestrado em Agronomia/Agricultura) – Faculdade de Ciências Agronômicas, Universidade Estadual Paulista, Botucatu, 2003.

REVOREDO, M. D.; CAZETTA, J. O. Efeito de diferentes densidades populacionais sobre os componentes produtivos da cultura do milho. In: XXVI Congresso Nacional de Milho e Sorgo, 2006. Anais do XXVI Congresso Nacional de Milho e Sorgo. Belo Horizonte : CNPMS, 2006. v. 1. p. 1-5.

SANGOI, L. et al. Influence of row spacing reduction on maize grain yield in regions with a short summer. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v. 36, n. 6, p. 861-869, 2001.

SANGOI, L. et al. Rendimento de grãos, produção e distribuição de massa seca de híbridos de milho em função do aumento da densidade de plantas. R. bras. Agrociência, v.11, n. 1, p. 25-31, 2005.

Informações dos autores:  

1Prof. IFMT/Confresa;

2Acadêmico do curso de Bacharelado em Agronomia no Instituto Federal do Mato Grosso – Campus Confresa;

3Prof. UFG/Jataí;

 4Prof. IFAL/Rio Largo;

5Prof. IFAL/Santana do Ipanema.

Disponível em: Anais do XXX CONGRESSO BRASILEIRO DE AGRONOMIA, Fortaleza – CE, Brasil,2017.

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