Influência do volume de calda na aplicação de fungicida no controle de Ferrugem-asiática ( Phakopsora pachyrhizi) na cultura da soja na região Oeste do Paraná, safra 2016/2017

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O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito de diferentes volumes de calda no controle da ferrugem-asiática da soja e no rendimento da cultura da soja na região oeste do Paraná.

Autores: TESTON, R.1; MADALOSSO, T.1; FAVERO, F.1

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

Introdução

A soja é cultivada em aproximadamente 32 milhões de hectares no Brasil, com produtividade crescente ano a ano. Porém, além da intensa área cultivada em monocultura e um clima favorável, as doenças se desenvolvem e multiplicam rapidamente. Dentre elas, a ferrugem-asiática da soja causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, se não manejada corretamente, causa sérios danos a cultura gerando prejuízos aos agricultores.

Na soja, a ferrugem-asiática possui elevada capacidade de redução de produtividade na cultura (YORINORI et al., 2005). Em condições de alta severidade, a doença causa desfolha precoce, reduzindo a capacidade fotossintética da planta, prejudicando o enchimento dos grãos e reduzindo a produtividade. Dentre as principais ferramentas de manejo disponíveis para o controle de doenças estão os fungicidas, devido a sua facilidade de aplicação e eficácia de controle, porém estes produtos necessitam de alguns cuidados no momento de sua aplicação para que os mesmos sejam eficientes no combate às doenças. Por terem uma mobilidade restrita dentro da planta, necessitam de uma cobertura uniforme da superfície da folha.

O volume de calda é um dos fatores que influenciam na deposição uniforme de gotas nas folhas, pois afetam diretamente na quantidade total de gotas produzidas. Quando se utiliza volumes maiores, garante-se uma deposição mais uniforme, mesmo em condições adversas de aplicação, pois um maior número de gotas será produzido, permitindo certa porcentagem de perda como deriva, evaporação, etc.

O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito de diferentes volumes de calda no controle da ferrugem-asiática da soja e no rendimento da cultura da soja na região oeste do Paraná.

Material e Métodos

O experimento foi realizado no Centro de Pesquisa Agrícola da Copacol (CPA), no município de Cafelândia-PR, no período de outubro 2016 a fevereiro de 2017. A cultivar utilizada foi NA 5909 RG, de hábito de crescimento indeterminado, grupo de maturação 5.9 e ciclo de aproximadamente 120 a 125 dias na região, semeada no dia 25 de outubro de 2015. A adução da cultura foi realizada na base com 300 kg da formula 4-24-16 NP2O5K2O e as demais práticas de manejo seguiram as recomendações técnicas para cultura da soja (TECNOLOGIAS, 2013).

As aplicações dos fungicidas foram realizadas com equipamento costal pressurizado com CO2, utilizando a ponta de Pulverização XR 110 015 na pressão de 2,0 kgf/cm2. Foram realizadas três aplicações de fungicidas no ciclo da cultura, sendo a primeira aplicação no dia 15/12/2016 (estádio V8) com o produto Fox® +Aureo® (400 ml/ha + 0,25%), segunda aplicação dia 03/01/2017 (estádio R2) com o produto Elatus® + Nimbus® (200g/ha + 600 ml/ha) e intervalo de 19 dias em relação a primeira aplicação a terceira aplicação no dia 20/01/2017 (estádio R5) com o produto Aproach Prima® + Nimbus® + Unizeb Gold (300ml/ha + 750ml/ha +1500 g/ha) e intervalo de 17 dias em relação a segunda aplicação e a terceira aplicação.

O delineamento experimental foi de blocos inteiramente casualizados com 5 tratamentos com diferentes volumes de calda 50 L/ha, 100 L/ha, 150 L/ha, 200L/ha e testemunha sem aplicação em quatro repetições. As unidades experimentais mediam 2,5 de largura e 10 m de comprimento totalizando 25m², sendo a área útil 1,5 m de largura por 10 m de comprimento totalizando uma área de 15 m².

Realizou-se a avaliação da severidade de ferrugem-asiática aos 34 dias após a última aplicação de fungicida seguindo a escala dia gramática proposta por (GODOY et al., 2006).

A avaliação de desfolha foi realizada quando a testemunha atingiu 100% de desfolha. Foi determinado também o rendimento de grãos (kg/ha) corrigindo a umidade para 13%. As variáveis analisadas foram submetidas à análise de  variância pelo teste F e as médias comparadas pelo teste Scott-Knott a 5% de probabilidade de erro.

Resultados e Discussão

A pressão de ferrugem nessa safra foi baixa, sendo que os primeiros focos detectados na região foram na segunda quinzena do mês de janeiro, em estádio avançado de desenvolvimento da cultura.

Houve resposta quadrática com relação à severidade de ferrugem-asiática a medida que foi aumentando o volume de calda, tendo como ponto de mínima severidade 157,65 L/ha. A menor severidade da doença com o aumento do volume de calda até o ponto de mínima é em função da distribuição mais uniforme do fungicida na superfície foliar, devido ao maior número de gotas geradas por área, controlando mais eficientemente a ferrugem-asiática.

A porcentagem de desfolha teve resposta linear com relação ao aumento do volume de calda, sendo que a cada litro de aumento de volume a cima de 50L/ha tem-se uma redução de desfolha de 0,03%. Essa alta porcentagem de desfolha nos tratamentos é devido ao atraso na avaliação em função das condições climáticas no momento da avaliação.

Com o aumento do volume de calda, a produtividade também apresentou aumento linear, sendo que para cada litro adicionado a mais de volume a cima de 50L/ha tem-se um aumento de 2,96kg de grãos.

Com base nos dados, observa-se a dependência por parte dos fungicidas de uma distribuição uniforme do produto sobre a superfície foliar, sendo influenciada por diversos fatores dentre eles o volume de calda. Nas mesmas condições de aplicação (ponta de pulverização e condição ambiental), o aumento do volume de calda incrementou o controle da ferrugem–asiática da soja, impactando diretamente na produtividade. Se considerar as diferentes condições ambientais (temperatura, umidade e velocidade do vento) no momento da aplicação dos fungicidas no campo, a elevação do volume de calda proporciona certa segurança principalmente em condições adversas, permitindo pequenos perdas (deriva, evaporação), porém garantindo uma distribuição uniforme do produto nas folhas e um controle eficiente da ferrugem-asiática.

Figura 1. Severidade de ferrugem-asiática (Phakopsora pachyrhizi) em função da variação do volume de calda, Cafelândia, PR.
**significativo pelo Teste F a 1% de probabilidade de erro.

Figura 2. Desfolha (%) em função da variação do volume de calda, Cafelândia, PR.
**significativo pelo Teste F a 1% de probabilidade de erro.

Figura 3. Rendimento de grãos em função da variação do volume de calda, Cafelândia, PR.
**significativo pelo Teste F a 1% de probabilidade de erro.

Conclusão

O aumento do volume de calda incrementou no controle da ferrugem-asiática sendo que a máxima eficiência controle foi atingida com 157,65 L/ha, evidenciando a importância de se trabalhar um volume de calda adequando de acordo com as condições climáticas no momento da aplicação.

O incremento de produtividade para cada litro adicionado no volume é de 2,96kg/ha. Quando se busca altas produtividades de grãos, necessita-se de um manejo adequando de doenças, para isso deve-se trabalhar com volume de calda que proporcione uma cobertura uniforme das folhas com fungicida.

Referências

GODOY, C.V.; KOGA, L.J.; CANTERI, M.G. Diagrammatic scale for assessment of soybean rust severity. Fitopatologia Brasileira, v. 31, p.63-68, 2006.

TECNOLOGIAS de produção de soja – Região Central do Brasil 2014. Londrina: Embrapa Soja, 2013. 265 p. (Embrapa Soja. Sistemas de Produção, 16).

YORINORI, J.T.; PAIVA, W.M.; FREDERICK, R.D.; COSTAMILAN, L.M.; BERTAGNOLLI, P.F.; HARTMAN, G.L.; GODOY, C.V.; NUNES JUNIOR, J. Epidemics of soybean rust (Phakopsora pachyrhizi) in Brazil and Paraguay. Plant Disease, v. 89, p. 675-677, 2005. 

Informações dos autores:

1Centro de Pesquisa Agrícola da Cooperativa Agroindustrial Consolata (CPA Copacol)

Disponível em: Anais da XXXVI Reunião de Pesquisa de Soja. LONDRINA – SC, Brasil.

3 COMENTÁRIOS

  1. Gostei do trabalho porém falta nomear quais as pontas de pulverização utilizadas nas aplicações com os diferentes volumes, não se pode avaliar produtividade com volume de calda sem especificar tipos de pontas utilizados e DMV de gostas das aplicações.

    • Leu o artigo? – “As aplicações dos fungicidas foram realizadas com equipamento costal pressurizado com CO2, utilizando a ponta de Pulverização XR 110 015 na pressão de 2,0 kgf/cm2.”

  2. Tenho várias dúvidas sobre os métodos. Porque foi utilizado uma ponta de pulverização para todos os volumes? De 50-200 L/ha? Na prática (pulverizador mecanizado) isso não funciona, a diferença de velocidade de aplicação é monstruosas. Com qual velocidade ele aplicou cada volume de calda? Qual a altura da planta em cada época de aplicação? Se as faixas de volume dito no Materiais e Métodos foram 0-50-100-150-200L/ha, por que o melhor resultado está nos 157,65? Como se chegou nisso? Qual a condição climática na hora de cada aplicação: vento? UR? ponto de orvalho? temperatura? Qual a altura da ponta de aplicação em relação ao alvo? na costal o braço do aplicador é que controla a altura e direção da barra. Era barra ou só uma ponta? Quantas ponteiras? Como ficou a cobertura da aplicação (gotas por cm²) nos terço superior, médio e inferior? Qual o tamanho das gotas?
    Não é uma crítica, só quero lembrar que existem muitos pontos a serem analisados para obter uma boa aplicação. E existem muitos artigos querendo “queimar” a baixa vazão. É é possível sim fazer aplicações excelentes com baixa vazão. Só é necessário mais capricho e técnica. Também acho que não podemos ficar engessados a alta ou a baixa vazão, dependendo das condições e prazos, deve se avaliar com qual vazão deve se trabalhar. A baixa vazão veio para termos mais rendimento operacional, e isso é importantíssimo para a saúde financeira do produtor.
    Sou produtor, e fiz vários testes com alta e baixa vazão nesta última safra. Deixei uma testemunha em cada talhão (avaliando fungicida), e não tive diferença entre uma e outra. Nem visual, nem de produtividade. Já tive má experiência em dessecação com a baixa vazão (Paraquat). Mas eu tinha: tempo seco, vento forte e bico ruim. Hoje se tenho tempo para esperar condições boas para aplicar 20L/ha eu espero (pois rende mais), mas se as condições são desfavoráveis e não tenho tempo pra esperar, põe alto volume e bicos adequados a condição.

    Tenho muito mais a falar sobre o assunto, mas devo parar por aqui. Abraços.

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