Influência dos sistemas de manejos nos atributos físicos do solo

Esse trabalho tem por objetivo avaliar o efeito dos sistemas de manejo do solo, sobre os atributos físicos do solo

Autores:  Wendel Kaian Oliveira Moreira¹; Euzanyr Gomes da Silva2; Luiz Felipe Oliveira Rêgo³; Fábio Daibes Borrajo2; Inayara Alburquerque Oliveira2; Raimundo Thiago Lima da Silva4

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

RESUMO

Os sistemas de preparo do solo promovem modificações nas propriedades físicas, como a densidade e a porosidade Objetivou-se avaliar o efeito dos sistemas de manejo do solo, sobre os atributos físicos do solo, visando fornecer orientações para o método adequado para o manejo do solo. O experimento foi conduzido no campo experimental da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), Campus Capitão Poço. O delineamento experimental foi aplicado em blocos com esquema de parcela subdividia (5×3) e com 3 repetições.

Os tratamentos foram executados com 5 métodos de preparo inicial do solo, sendo eles: 1 – Subsolagem; 2 – Gradagem; 3 – Enxada rotativa; 4 – Arado de disco; 5 – Capina manual e a sub-parcela contou com 3 profundidades de semeadura: 0,015m; 0,03m; 0,45m. Foram realizadas coletas dentro de cada unidade experimental, antes do preparo do solo e 30 dias após o preparo. Os diferentes sistemas de manejo para o preparo do solo proporcionaram alterações nas propriedades físicas como a densidade do solo e a porosidade total do solo. O uso do arado de disco para o preparo inicial do solo obteve o maior densidade de solo.

Termos de indexação: Mecanização Agrícola. Preparo do Solo.

INTRODUÇÃO

A deterioração da qualidade do solo tem sido amplamente estudada e debatida pela ciência do solo, devido principalmente, a retirada da cobertura e/ou uso intensivo da mecanização agrícola nas operações de preparo e cultivo do solo (ASSIS & LANÇAS, 2005). Os sistemas de preparo do solo promovem modificações nas propriedades físicas, como a densidade e a porosidade (TORMENA et al., 2002). Assim, acarretando áreas de maior estado de compactação superficial e também formação de camadas compactadas ao longo do perfil do solo (ORTIGARA et al., 2014).

A elevada compactação do solo interfere diretamente o crescimento radicular (BENGHOUGH et al., 2006), a capacidade de retenção de água (MOREIRA et al., 2012) e a taxa de infiltração (LANZANOVA et al., 2007), influenciando no escoamento superficial, na erosão do solo (JULIÃO et al., 2011) e promovendo redução da produtividade das culturas (KUNZ et al., 2013). A qualidade física do solo pode ser entendida como a capacidade do solo em exercer suas funções para sustentar a produtividade, mantendo a qualidade da água e do ar (MATIAS et al., 2012).

O crescimento das raízes, o desenvolvimento e a produção das culturas são influenciados pelo nível de compactação do solo, que depende do sistema de manejo. Dessa forma, esse trabalho tem por objetivo avaliar o efeito dos sistemas de manejo do solo, sobre os atributos físicos do solo.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido no campo experimental da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), Campus Capitão Poço (Figura 1). O município de Capitão Poço apresenta uma amplitude térmica de 25,7 a 26,9°C, com média anual de 26,2°C e apenas 1,2°C de variação (SILVA et al., 2011), solo classificado como Latossolo Amarelo EMBRAPA (2013).

Figura 1 – Área experimental utilizada para analise física do solo, Capitão Poço – PA, 2016.Fonte:autores

Tratamentos e amostragens

O experimento teve início dia 22 de janeiro de 2015, com auxílio de um trator da marca New Holland, modelo LT75, 4 x 2 TDA, com tração dianteira auxiliar acionada, e potência nominal de 78 cv e tomada de força 540 rpm, operando em velocidade média 5 km/h-1, no mesmo teve o acoplamento dos implementos e executados os diferentes métodos de preparo inicial do solo em todos os blocos.

O arranjo experimental teve dimensionamento de cada unidade de 6 m x 6 m, com área de 36 m², sendo a dimensão total de um bloco 22 m de comprimento e 38 m de largura, totalizando 836 m². Para caracterizar a área de plantio, foram realizadas coletas em amostras deformadas de solo com o auxílio de um trado dentro de cada unidade experimental na camada de 0,00-0,10 m, antes do preparo do solo e 30 dias após o preparo do solo. Amostras de solo foram submetidas às seguintes metodologias: densidade de partícula, densidade do solo, macroporosidade, porosidade total determinado e microporosidade, determinada segundo Embrapa (2011).

O delineamento experimental aplicado em blocos com esquema de parcela subdividia (5 x 3) e com 3 repetições totalizado 45 unidades experimentais. Os tratamentos foram executados de acordo com os seguintes fatores, 5 métodos de preparo inicial do solo (parcela principal), sendo eles: 1 – Subsolagem; 2 – Gradagem; 3 – Enxada rotativa; 4 – Arado de disco; 5 – Capina manual e a sub-parcela contou com 3 profundidades de semeadura: 0,015m; 0,03m; 0,045m.

Análise estatística

Os dados experimentais foram submetidos aos testes de Shapiro-Wilk e Bartlet (p > 0.01), para verificação da normalidade e homocedasticidade. Os dados que não atenderam as pressuposições da anova foram transformados pelo método de Box-Cox (BOX e COX, 1964). Atendendo às pressuposições básicas o conjunto de valores foram submetidos anova e teste de Tukey, com probabilidade de 5% de erro, realizado no Software Sisvar (FERREIRA, 2011).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

São apresentados na tabela 1 os atributos físicos dos solos submetidos a diferentes métodos de preparo, verificou-se que os valores das variáveis provocados pelo sistema de preparo, foram estatisticamente diferentes para a densidade do solo.

Tabela 1. Médias dos atributos físicos do solo, densidade do solo – DS, densidade de partícula – DP, macroporosidade – Macro, microporosidade – Micro, porosidade total – PT em função do preparo inicial do solo e profundidade de semeadura na cultura do milho.

Observando-se que o Arado de disco seguido por enxada rotativa e capina manual apresentaram maiores valores de densidade do solo, considerando um manejo do solo críticos ao crescimento radicular e infiltração de água. De modo geral, pode-se afirmar que quanto mais elevada for à densidade, mais compacto será o solo, menor será o grau de estruturação, menor porosidade e, consequentemente, maiores restrições para o crescimento das plantas (AMARO, 2008).

Estatisticamente verificou-se que não houve diferença significativa na variação da densidade de partículas do solo avaliadas para a área sob os tratamentos estudados. Conforme Portugal et al. (2010), avaliou alterações em propriedades físicas e de um Latossolo sob diferentes sistemas agrícolas, onde notaram também, ausência de diferença em relação aos valores de densidade de partículas, o que reafirma os dados encontrados na pesquisa.

Observando ainda na tabela 1, percebe-se que não houve diferença significativa da microporosidade entre os tratamentos, ou seja, não foi influenciada pelos sistemas de preparo do solo. Resultados obtidos foram similares a Matias et al. (2012), os quais constataram que a micro é pouco influenciada pela densidade do solo, demonstrando que a degradação do solo ou a diminuição da aeração do solo, está ligada diretamente à menor quantidade de macroporosidade.

Entretanto, em relação à macroporosidade, verificou-se que obteve diferença significativa em relação aos métodos de preparo do solo (Tabela1). Estudando o efeito de diferentes formas de manejo, Matias et al. (2012) observaram resultados semelhantes. Esses valores de macroporosidade são considerados adequados para as plantas, em termos de garantia de aeração do sistema radicular (REYNOLDS et al., 2002). Os resultados obtidos sugerem que o tratamento com subsolador, com maior quantidade de macroporosidade, garantir uma boa oxigenação radicular como a capacidade de infiltração e redistribuição de água no perfil.

Os resultados da porosidade total do solo apresentados na tabela 1, revela que os tratamentos apresentaram diferença estatística, que a área com menor porosidade foi observada para o método com o arado de disco. E nítido que as áreas com o tratamento apresentaram maior valor foram observado para o método subsolador, enxada rotativa e capina manual, diferindo dos demais tratamentos que obtiveram valores decrescentes, podendo ser um indicativo da alteração da estrutura do solo.

De acordo com Lima et al. (2013) à porosidade total, por ser um valor inversamente proporcional ao de densidade do solo, foi observado neste trabalho a mesma relação, onde os maiores valores de densidade do solo foram acompanhados pelos menores valores de porosidade total.

Ainda na tabela 1, em relação à profundidade da semente de milho, apresentou diferença significativa para a densidade do solo, observando-se que a profundidade de 0,045m obteve os maiores valores e não diferindo estatisticamente da profundidade de semeadura aos 0,03m, os demais atributos físicos não apresentaram diferença significativa.

Na tabela 2, podemos observar a os atributos físicos do solo antes e depois dos efeitos dos métodos de preparo do solo. Verifica-se que houve uma diferença significativa da densidade do solo, que depois dos sistemas de preparo do solo obteve um aumento. Este aumento mostra a ação negativa do manejo do solo, neste caso, é considerado crítico ao crescimento radicular e infiltração de água (FERNANDES et al., 2014).

Tabela 2. Médias dos atributos físicos do solo, densidade do solo – DS, densidade de partícula – DP, macroporosidade – Macro, microporosidade – Micro, porosidade total – PT, antes e depois do preparo inicial do solo.

O aumento da compactação e a consequente redução do tamanho dos poros, a ponto de impedir a passagem da raiz principal, são compensados pelo aumento do volume de raízes laterais com diâmetros menores, que formam um sistema radicular muito denso e raso que, no campo, dificilmente sobrevive a condições de déficit hídrico (KUNZ et. al., 2013).

Em relação à densidade de partícula, não houve diferença significativa nos períodos de coleta, entretanto, para os atributos micro e macro porosidade, essa diferença é observada inversamente proporcional (Tabela 2).

Os resultados mostrados para a micro e macro porosidade (Tabela 2), pode indicar uma influência do uso de maquinários. Nesse caso, a compactação provocada pelo uso agrícola normalmente ocasiona uma drástica redução na macroporosidade (SILVA et al., 2007) podendo haver, em muitos casos, maior volume de microporos, o que aumentaria a capacidade de armazenamento de água (SILVA et al., 2005).

A porosidade total não diferenciou sobre a relação do período de coleta do solo, já que o valor de porosidade total não sofre grande alteração, independentemente da ação manejo do solo ou não, que também foi observado Lima et al. (2013).

CONCLUSÕES

Os diferentes sistemas de manejo para o preparo do solo proporcionaram alterações nas propriedades físicas como a densidade do solo e a porosidade total do solo. O uso do arado de disco para o preparo inicial do solo obteve a maior densidade de solo.

REFERÊNCIAS

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Informações dos autores:  

(1)Mestrando em Engenharia Agrícola na Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Campus Cascavel;

(2)Engenheiros Agrônomos, Universidade Federal Rural da Amazônia – UFRA;

(3)Estudante de Agronomia, Universidade Federal Rural da Amazônia-UFRA, Campus Capitão Poço-PA;

(4)Professor Dr. da Universidade Federal Rural da Amazônia, Campus de Capitão Poço – PA.

Disponível em: Anais do XXX CONGRESSO BRASILEIRO DE AGRONOMIA, Fortaleza – CE, Brasil,2017.

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