O objetivo desse trabalho foi avaliar o efeito do lactofen na arquitetura das plantas de soja e sua interferência na interceptação da radiação solar fotossinteticamente ativa e deposição de gotas de produtos fitossanitários.

Autores: PELISSER, W.R.1; CHAVARRIA, G.2

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

A interceptação da radiação solar pelas plantas de soja está entre os principais fatores envolvidos na definição do potencial produtivo da cultura. Plantas com adequado suprimento de água e nutrientes tem sua produção de massa seca controlada pela radiação solar. No entanto, nem toda a radiação solar incidente é aproveitada pelas plantas, tendo em vista alguns fatores que interferem nesse aproveitamento como, parâmetros físicos, biológicos e geométricos (Souza et al., 2009).

O Índice de Área Foliar (IAF) é um dos fatores que determina o processo de interceptação luminosa e o Coeficiente de extinção luminosa da cultura (k) é uma ferramenta de caracterização da eficiência do uso desta radiação solar (Procópio et al., 2003).

A deposição correta dos produtos fitossanitários nas folhas de soja é de extrema importância para um controle eficiente de pragas e doenças. A baixa eficiência nas aplicações de produtos fitossanitários pode ser atribuída à dificuldade de penetração das gotas no dossel vegetativo de uma cultura (Fernandes et al., 2010). O transporte dos produtos fitossanitários para o interior do dossel da cultura é a condição básica para um efetivo controle das doenças (Debortoli et al., 2012).

A hipótese desse trabalho é que a interceptação da radiação solar fotossinteticamente ativa e a deposição de gotas de produtos fitossanitários sofra alteração em função da arquitetura das plantas de soja. O objetivo desse trabalho foi avaliar o efeito do lactofen na arquitetura das plantas de soja e sua interferência na interceptação da radiação solar fotossinteticamente ativa e deposição de gotas de produtos fitossanitários.

Os experimentos foram conduzidos na área experimental da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade de Passo Fundo em Passo Fundo, RS, durante a safra 2015/2016. Foram implantados dois experimentos cada um com uma cultivar (BMX Potência RR, e NA 5909 RG). No momento da semeadura realizouse a adubação com 6 kg.ha-1 de N, 60 kg.ha-1 de P2O5 e 60 kg.ha-1 de K2O. As sementes foram inoculadas com Bradyrhizobium japonicum e tratadas com inseticida e fungicida. Cada parcela experimental foi composta por sete linhas de semeadura, com 6,0 m de comprimento, distanciadas 0,45 m entre si.

Os experimentos foram conduzidos no delineamento em blocos casualizados (DBC), e constituídos de quatro tratamentos e cinco repetições: T1 – testemunha, T2 – aplicação de 140 g i.a.ha-1 de lactofen em estádio fenológico V3, T3 – aplicação de 140 g i.a.ha-1 de lactofen em estádio fenológico V6 e T4 – aplicação de 70 g i.a.ha-1 de lactofen em estádio fenológico V3 + 70 g i.a.ha-1 de lactofen em estádio fenológico V6, segundo a escala fenológica proposta por Fehr e Caviness (1977). Os dados foram submetidos à análise de variância e teste F (p<0,05). Quando constatado efeito de tratamentos, as médias foram comparadas pelo teste de Duncan a 5% de probabilidade de erro.

No estádio fenológico R1 realizou-se a leitura da interceptação da radiação solar fotossinteticamente ativa (RFA) no estrato superior e inferior do dossel da cultura e o coeficiente de extinção da cultura (k). Essas leituras foram realizadas com o auxílio de uma barra de radiação (Ceptômetro AccuPAR, LP-80) a qual foi posicionada na entrelinha da cultura nos diferentes terços. Foram realizadas 10 avaliações diárias a partir do estádio R1, respeitando-se sempre o horário do meio dia (12 horas) e com céu totalmente limpo. Os resultados obtidos foram expressos em mmol m².s-1.


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Para a avaliação da deposição de gotas de produtos fitossanitários, se realizou a aplicação de calda somente com água, com auxílio de pulverizador mecanizado (Jacto, CONDOR 600 M12), equipado com pontas de pulverização de jato plano de impacto da série Teejet® TT110015, as quais produziram gotas de categoria média, com um volume de calda de 150 L.ha-1. No momento da aplicação as plantas se encontravam no estádio fenológico R2 (plena florada). A avaliação da deposição de gotas se deu com cartões hidrossensíveis (SYN7626) nos três terços das plantas (superior, médio e inferior). Posterior à aplicação os cartões passaram pela leitura do percentual da área coberta e do número de gotas por centímetro quadrado. A leitura dos cartões e posterior avaliação dos dados se deu através do programa DropScope®.

A quantidade de radiação solar interceptada no estrato superior das plantas não sofreu influência dos tratamentos em ambas as cultivares, no entanto, o estrato inferior apresentou influência (Tabela 1). Com o uso do lactofen com a finalidade de modificar a arquitetura e tornar plantas mais eficientes no fazer fotossíntese, observase que houve um acréscimo de 15% na interceptação da radiação solar fotossinteticamente ativa no estrato inferior para a cultivar NA 5909 RG em comparação com a testemunha, e 33% para a cultivar BMX Potência RR (Tabela 1). O coeficiente k da cultura não apresentou diferença entre os tratamentos para as duas cultivares (Tabela 1).

Tabela 1. Interceptação da radiação solar fotossinteticamente ativa por estratos e coeficiente de extinção da cultura (k), no estádio fenológico R2, de duas cultivares de soja submetidas à aplicação de lactofen. FAMV/UPF, Passo Fundo, 2016.

O percentual de área coberta e o número de gotas por cm² foi influenciado pelos tratamentos, principalmente nos terços médio e inferior das plantas para as duas cultivares (Tabela 2). No terço superior das plantas não houve diferença significativa entre os tratamentos (Tabela 2).


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As maiores diferenças entre os tratamentos foram observadas no terço inferior, sendo as maiores diferenças observadas no tratamento T2 (Tabela 2). Na cultivar NA 5909 RG, o uso de 140 g i.a.ha.-1 em estádio fenológico V3, comparativamente com a testemunha foi 16 vezes superior no percentual de cobertura e 12 vezes no número de impactos por cm². Já para a cultivar BMX Potência RR foi 20 vezes superior no percentual de cobertura e 14 vezes superior no número de impactos por cm² (Tabela 2).

Tabela 2. Deposição de gotas em folhas de duas cultivares de soja, nos diferentes terços das plantas, em estádio fenológico R2, sob variações de aplicação de lactofen. FAMV/UPF, Passo Fundo, 2016.

Nesse contexto podemos concluir que o uso de lactofen tem a possibilidade de modificar a arquitetura das plantas de soja incrementando a interceptação da radiação solar fotossinteticamente ativa e na deposição de gotas de produtos fitossanitários.

Referências

DEBORTOLI, M. P.; TORMEN, N. R.; BALARDIN, R. S.; FAVERA, D. D.; STEFANELLO, M. T.; PINTO, F. F.; UEBEL, J. D. Espectro de gotas de pulverização e controle da ferrugem-asiáticada-soja em cultivares com diferentes arquiteturas de planta. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 47, n. 7, p. 920-927, 2012.

FEHR, W. R.; CAVINESS, C. E. Stages of soybean development. Ames: Iowa State University of Science and Technology, 1977. 11p. (Special Report, 80).

FERNANDES, A. P.; FERREIRA, M. C.; OLIVEIRA, C. A. L. Eficiência de diferentes ramais de pulverização e volumes de calda no controle de Brevipalpus phoenicis na cultura do café. Revista Brasileira de Entomologia, v. 1, n. 54, p. 130-135, 2010.

PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; SILVA, A. A.; COSTA, L. C. Desenvolvimento foliar das culturas da soja e do feijão e de plantas daninhas. Ciência Rural, v. 33, n. 3, p. 207-211, 2003.

SOUZA, P. J.; RIBEIRO, A.; ROCHA, E. J. P.; FARIAS, J. R. B.; LOUREIRO, R. S.; BISPO, C. C. S. Solar radiation use efficiency by soybean under Field conditions in the Amazon region. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 44, n. 10, p. 1211-1218, 2009.

Informações dos autores:  

1Programa de Pós Graduação em Agronomia – Universidade de Passo Fundo – UPF, Campus Passo Fundo, BR 285, São José, Passo Fundo, RS;

2Universidade de Passo Fundo – UPF.

Disponível em: Anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja. Goiânia – GO, Brasil.

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