Experimento foi realizado no Rio Grande do Sul

A presença de plantas daninhas nas lavouras, normalmente, gera perdas para as culturas principais, isso ocorre devido à competição por espaço, luz, nutrientes, etc, que se estabelece. Diante dessa realidade, um grupo de pesquisadores investigou as possíveis interferências de plantas daninhas do gênero Ipomoea sobre soja, dependendo da espécie e da densidade de plantas (m-2).

Os testes foram realizados entre 2013 e 2014, em Santa Maria – RS, com as cultivares de soja TEC6029 e TEC7849, as daninhas Ipomoea triloba e I. purpurea nas densidades: 0, 4, 8, 16 e 32 plantas (m-2). A soja foi semeada no sistema de semeadura direta, numa área que continha restos de culturas de trigo e as daninhas foram produzidas em casas de vegetação e posteriormente transplantadas para o mesmo local da soja.

As daninhas de outras espécies que surgiram na lavoura foram removidas manualmente, as Ipomoea permaneceram até o final do experimento e foram coletadas para pesagem de matéria seca. Dez plantas de soja foram utilizadas para determinar altura (PH), número de ramos (NB), número de nós no caule principal (NN), número de leguminosas (NL), número médio de grãos por leguminosas (NG), peso de mil sementes (TSW), produtividade biológica (BPa)  e taxa de colheita (HR).

Os resultados mostraram que houve interferência significativa entre as cultivares de soja e da densidade de plantas daninhas para os seguintes parâmetros: NB, NN, NL, NG, TSW, BPa E HR.

O NL foi afetado pelo aumento das populações das daninhas e nos testes com maior quantidade de daninhas, o impacto foi de 39%. O TSW também foi prejudicado na presença de maiores populações de daninhas, refletindo o efeito da competição estabelecida. A produtividade biológica (BPa) foi afetada, porém, na população de 8 plantas m-2, o dano foi estabilizado e não houve redução significativa em densidades maiores de Ipomoea. NN e HR apresentaram queda linear com o aumento das populações de daninhas.

Observando o comportamento das plantas de soja, em comparação, a cultivar TEC6029 apresentou maiores NB, TSW, NG E HR, já a cultivar TEC7849 demonstrou maior NN, NL e BPa. Levando em consideração os resultados de acordo com as daninhas em contato, a cultivar TEC7849 teve menor produtividade de grãos na presença de I. purpurea, enquanto para a cultivar TEC6029 não houve interferência significante.

De modo geral, o estudo pôde concluir que a convivência de plantas de soja com daninhas corda-de-viola (I. triloba e I. purpurea) afetou os componentes da produtividade. Os testes com as primeiras 8 plantas do gênero Ipomoea mostraram competitividade mais intensa e a redução atingiu 45% e 27% para TEC6029 e TEC7849, respectivamente.

Para combater essas plantas invasoras, uma das opções é que produtores utilizem defensivos químicos, porém, é fundamental que esse uso só seja feito se recomendado e acompanhado por um profissional habilitado. A aplicação constante do mesmo herbicida ou herbicidas com o mesmo modo de ação pode favorecer biótipos resistentes ou tolerantes das plantas daninhas. Por isso, é importante que todas as opções de manejo e combate sejam analisadas e que todos os cuidados sejam tomados para evitar ou ao menos reduzir as perdas de produtividade na produção.

Para saber mais:

Piccinini et al. (2018)

Foto: Vengolis (2017)

Veja também: Consulte no site do HRAC-BR os modos de ação dos herbicidas.

Fonte: Portal Defesa Vegetal.Net

Texto originalmente publicado em:
Portal Defesa Vegetal.Net
Autor: Portal Defesa Vegetal.Net

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