Legalização de misturas em pauta

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Misturar produtos agrotóxicos no tanque no pulverizador envolve questões que vão além da operacionalização no campo. Segundo a lei, qualquer tipo de agrotóxico precisa ser receitado por um profissional legalmente habilitado, sendo respeitadas as recomendações de utilização aprovadas no rótulo e na bula do produto, conforme estabelece o Decreto 4.074/02. Embora as misturas sejam prática comum e façam parte do dia a dia da atividade, não podem ser prescritas em uma receita agronômica.

O tema foi levantado pelo pesquisador Dionizio Gazziero, da área de plantas daninhas da Embrapa Soja, quem vem questionando a regularização da operação. “São mais de 30 anos de discussões e ao longo do tempo fomos perdendo informações sobre o assunto. Por isso é fundamental que toda tecnologia seja disponível ao agricultor, já que com a proibição as discussões foram diminuindo e fomos perdendo essa tecnologia que contribui muito para a atividade”, informa Gazziero. Ele acrescenta que um estudo da Embrapa, levantou que embora sejam “proibidas”, 97% das aplicações são feitas com misturas em tanque com a utilização de dois a cinco produtos em uma só aplicação, ou mais, e envolvem combinações não só de agrotóxicos, mas também de adubos foliares e outras classes de produtos. “Há muito tempo estamos na luta para que esse assunto seja regulamentado. Queremos a possibilidade de falar abertamente sobre isso, como fizemos aqui, esclarecendo o que podemos ou não fazer do ponto de vista técnico em relação a esses produtos”.

No momento existe uma consulta pública no Ministério da Agricultura, o que vem provocando uma maior liberdade de abrangência do tema. “Na verdade, havia um entendimento errado e foi um grande avanço a gente conseguir chegar nesse ponto. Esperamos que de fato o governo regulamente isso. A Coamo está de parabéns por colocar isso em pauta, numa discussão aberta com todos os técnicos e agricultores”, diz.
Fonte: COAMO
Texto originalmente publicado em:
COAMO
Autor: COAMO

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