O objetivo desse trabalho foi avaliar cultivares com diferentes grupos de maturidade relativa, que contenham ou não a longa juvenilidade em datas de semeadura com fotoperíodo abaixo do ótimo (máxima indução ao florescimento).

Autores: RICHTER, G. L.¹; STRECK, N. A.¹; BEXAIRA, K. P.¹; RIBAS, G. G.¹; WEBER, P. S.¹; TAGLIAPIETRA, E. L.¹; SILVA, M. R. da.¹; ROCHA, T. S. M. da¹; ROSSATO, I. G.¹; ALVES, A. F.¹; GUEDES, J. V. C.¹; LEONARDI, N.¹; CARBONARI R.¹; LOOSE, L. H.² ; CURIOLETTI, L. E.¹

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

A soja (Glycine max L. Merr) é a principal cultura para a segurança alimentar, por ser fonte de proteína e óleo para nutrição humana e animal (FAO, 2017). A região subtropical da América do Sul (Brasil, Argentina e Paraguai) tem a maior área de cultivo de soja do mundo, com mais de 50 milhões de hectares cultivados anualmente (FAO, 2017). No Rio Grande do Sul, terceiro maior produtor nacional, é comum ocorrer períodos de deficiência hídrica devido à grande variabilidade na quantidade e distribuição das chuvas, durante o período de dezembro a fevereiro, onde ocorre maior parte do ciclo da cultura (Sentelhas et al., 2015; Zanon et al., 2016).

A sensibilidade da soja ao fotoperíodo é um importante fator de restrição para a adaptação mais ampla da soja. A alta sensibilidade da soja as mudanças de latitudes ou datas de semeadura, devido às suas respostas ao fotoperíodo, por muito tempo foi limitante para a expansão da cultura, onde reduzia o período vegetativo (florescimento precoce), causando reduções na produtividade (Farias et al., 2007).

A introdução de materiais com longa juvenilidade foi a solução para aumentar o período vegetativo da cultura. Nesses materiais, a soja não é induzida a florescer mesmo quando submetida a fotoperíodos abaixo do ótimo (máxima indução ao florescimento), permitindo assim maior crescimento vegetativo. O controle da indução ao florescimento, representou um fator básico a ser considerado no melhoramento genético para o desenvolvimento de cultivares menos sensíveis às variações de data de semeadura e locais (latitude) (Almeida et al., 1999).

A hipótese desse trabalho é que a longa juvenilidade aumente o período vegetativo, e consequentemente aumente a produtividade em datas de semeadura não recomendadas. O objetivo desse trabalho foi avaliar cultivares com diferentes grupos de maturidade relativa, que contenham ou não a longa juvenilidade em datas de semeadura com fotoperíodo abaixo do ótimo (máxima indução ao florescimento).

O experimento foi conduzido na área experimental do departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Santa Maria, RS (29°43’ S, 53°43’ W, 95 m). Foram utilizadas 5 cultivares de soja (NA 4823 (4.8), BMX Elite (5.5), TMG 7062 (6.2), BMX Ícone (6.8) e TEC 7849 (7.8)), selecionadas por representar diferentes grupos de maturação, com semeadura realizada no dia 05 de agosto de 2017. O delineamento experimental foi de blocos ao acaso, com quatro repetições. Cada parcela foi constituída por 7 linhas de 4 m de comprimento espaçadas 0,45 m, com uma densidade de 30 plantas m².

A calagem e a adubação de base foram realizadas seguindo o manual de adubação e calagem, para produtividades de 6 ton ha-¹ com duas adubações de cobertura de 100 kg ha-¹ para expressar o máximo potencial da época, a inoculação da semente com estirpes de Bradyrhizobium japonicum, o tratamento da semente com fungicida e inseticida e o controle de pragas e doenças foram de acordo com as recomendações técnicas da cultura. A irrigação foi realizada por gotejamento sempre que necessário para manter as plantas sem estresse hídrico.

A data de emergência (VE) foi considerada quando 50% do total de plantas estavam com os cotilédones acima do solo. A fenologia foi monitorada com frequência de dois dias seguindo a escala fenológica de Fehr e Caviness (1977). A produtividade de grãos foi determinada em uma área de 5,4 m² na área útil de cada parcela, sendo os dados corrigidos para 13% de umidade.

A emergência que ocorreu dia 20/08/2017, quando o fotoperíodo estava abaixo de 12 horas, isto é, abaixo do fotoperíodo ótimo (SETIYONO et al., 2007) onde ocorre a máxima indução ao florescimento. Contudo a duração do ciclo das cultivares reduz quando se reduz o grupo de maturidade relativa, isto, não foi o observado em decorrência das cultivares TMG 7062 (6.2) e BMX Ícone (6.8) apresentarem o gene da longa juvenilidade que aumentou a duração da fase vegetativa para as duas cultivares em comparação a cultivar TEC 7849 (7.8) com grupo de maturidade relativo de 7.8 (FIGURA 1), pois estás cultivares não foram induzidas a florescer precocemente pelo fotoperíodo.

Figura 1. Duração das fases de semeadura-emergência (SM-EM), emergência-florescimento (EM-R1) e florescimento-ponto de colheita (R1-R8) de cinco cultivares de soja semeadas em Santa Maria (05/08/2017), RS.

O aumento no período vegetativo ocasionou um maior crescimento e maior emissão de nós que levou o aumento da produtividade, que ficou acima de 5000 kg ha-¹, para as duas cultivares TMG 7062 (6.2) e BMX Ícone (6.8), aumento expressivo em comparação com as outras cultivares que não passaram de 2700 kg ha-¹, estás produtividades superiores alcançadas simplesmente pela escolha certa da cultivar em função do ambiente.

Tabela 1. Produtividade de grãos de soja (kg ha-¹) e duração do ciclo total (dias) de cinco cultivares semeadas em Santa Maria (05/08/2017), RS.

Este período de longa juvenilidade não influencia épocas de semeaduras com fotoperíodo entre o ótimo e o crítico, isto é, épocas recomendadas para o plantio de soja para o Rio Grande do Sul. Entretanto, está semeadura antecipada resulta que no desenvolvimento da cultura ocorra em menor escala ou não ocorra a deficiência hídrica, um dos principais fatores para a baixa produtividade média do estado.


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Conclui-se que o gene da longa juvenilidade ocasiona aumento na produtividade em decorrência da menor indução ao florescimento em épocas de semeaduras com fotoperíodo abaixo do ótimo para a cultura.

Referências

ALMEIDA, L. A.; KIIHL, R. A. S.; MIRANDA, M. A. C.; CAMPELO, G. J. A. Melhoramento da soja para regiões de baixa latitude. In: QUEIRÓZ, M. A. de; GOEDERT, C. O.; RAMOS, S. R. R. (Org.). Recursos genéticos e melhoramento de plantas para o Nordeste brasileiro. Brasília: EMBRAPA, 1999. cap. 5, p. 73-88.

FARIAS, J. R. B; NEPOMUCENO, A. L., NEUMAIER, N. Ecofisiologia da soja. Londrina: Embrapa Soja, 2007. 9 p. (Circular técnica, 48).

FAO. 2017. Database-agricultural production (FAO). http://faostat.fao. org/ (accessed 10 Feb. 2017).

FEHR, W. R.; CAVINESS, C. E. Stages of soybean development. Ames: Iowa State University of Science and Technology, 1977. 15p.

SETIYONO, T. D. et al. Understanding and modeling the effect of temperature and daylenght on soybean phenology under high-yield conditions. Field Crops Research, Amsterdam, v.100, p.257-271, 2007.

SENTELHAS, P. C.; BATTISTI, R.; CÂMARA, G. M. S.; FARIAS, J. R. B.; HAMPF, A. C.; NENDEL. C. The soybean yield gap in Brazil: Magnitude, causes and possible solutions for sustainable production. J. Agric. Sci. 153:1394–1411. 2015.

ZANON, A. J.; STRECK, N. A.; GRASSINI, P. Climate and management factors influence soybean yield potential in a subtropical environment. Agronomy Journal, v. 108, p.1447-1454, 2016.

Informações dos autores:  

¹Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, Santa Maria, RS;

²Instituto Federal Farroupilha – IFF, Farroupilha, RS.

Disponível em: Anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja. Goiânia – GO, Brasil.

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