Maio seguiu com chuvas irregulares no Rio Grande do Sul

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Por: Jossana Cera

Condições ocorridas

As chuvas ficaram abaixo da média climatológica em boa parte do Rio Grande do Sul, incluindo as regiões Noroeste, Centro, Sul, região metropolitana de Porto Alegre e em parte do Norte (Imagem 1B). A região que registrou grandes volumes de precipitação foi a Campanha, principalmente a região de Quaraí, Santana do Livramento e Dom Pedrito, onde os volumes ficaram entre 100 e 200 milímetros acima da Normal Climatológica (Imagem 1A). Com relação às temperaturas, embora se tenha registrado o predomínio de algumas massas de ar frio mais intensas, as temperaturas máxima e mínima variaram entre normal e um pouco acima do normal durante o mês de maio.

Condição oceânica atual e prevista

O Oceano Pacífico Equatorial Central está sob uma condição de Neutralidade climática há dois meses, ou seja, sem a influência de El Niño ou La Niña (Imagem 2, ver área do retângulo-Niño 3.4). Isso se reflete um pouco nas chuvas aqui no Rio Grande do Sul, que ainda estão ocorrendo de forma desuniforme, porém, as frentes frias têm ingressado no Estado ao menos uma vez por semana, sempre trazendo consigo um pouco de chuva.

O retângulo na Imagem 2 mostra a região do Niño 3.4, região que os centros internacionais utilizam para calcular o Índice Niño (índice que define eventos de El Niño e La Niña). A área marcada pelo círculo, no Oceano Atlântico Sul, mostra que a região está com temperaturas acima do normal (Imagem 2). O aquecimento nesta região confere uma situação de maior umidade no ar, o que favorece os maiores acumulados de chuva, principalmente na metade Leste do Rio Grande do Sul.

A tendência para o próximo mês é que a temperatura do Oceano Pacífico fique entre dentro e um pouco acima do normal e o Oceano Atlântico Sul continue com anomalias positivas de temperatura.

Previsão para a precipitação

As previsões do IRI (International Research Institute for Climate and Society, da Universidade de Columbia-EUA) indicam em torno de 80% para que o trimestre junho-julho-agosto continue em uma situação de Neutralidade climática.

Os primeiros dez dias de junho foram marcados pelas fortes massas de ar polar que adentraram no Estado. Lembrando que o Inverno começa oficialmente no dia 21 de junho, porém o inverno meteorológico, pelo jeito, já começou…

Para o restante do mês espera-se que novas frentes frias, com massas de ar muito frio e seco, cheguem ao Estado. Com relação às chuvas, o modelo do INMET/UFPel indica chuvas entre o normal e um pouco abaixo do normal para junho e julho (Imagem 3B e 3E) e um pouco acima do normal para agosto (Imagem 3H) (talvez, os modelos estejam levando em conta a continuação do aquecimento no Oceano Pacífico). Já o modelo da NMME/NOAA indica chuvas praticamente dentro do normal para o trimestre, visto que, olhando a escala de cores, a variação entre as cores é muito pequena (10 mm para mais ou para menos) (Imagem 3C, F, I).

Com o término da colheita da safra 2017/18 de arroz faz-se algumas recomendações:

  • Limpar e fazer a manutenção dos drenos;
  • Antecipar as reformas de bueiros e pontilhões, assim como os reparos nas barragens;
  • Ficar atento ao sistema de irrigação, no caso de cheia em rios;
  • Fazer o preparo antecipado do solo sempre que possível, visto que sempre há riscos de chuvas volumosas durante a primavera e, neste ano, o risco pode vir a ser maior que nos anos anteriores.

Para acompanhar: há um aquecimento subsuperficial das águas no Oceano Pacífico Equatorial. Mas o que isso quer dizer? Quer dizer que abaixo do nível superficial da água (de 0 a 300m de profundidade) há uma bolha de água mais quente que o normal. Essa água irá ressurgir em superfície e, quando isso acontecer, iremos começar a observar algum aquecimento. Dependendo de quando isso acontecer e da magnitude desse aquecimento, nós poderemos observar um aumento das chuvas no Sul do Brasil. A expectativa é de que isso (aumento das chuvas) aconteça lá por setembro-outubro. MAS VEJAM: ISSO É UMA EXPECTATIVA E É PRECISO CONTINUAR O MONITORAMENTO PARA VER SE REALMENTE VAI ACONTECER.

Autora: Jossana Cera é meteorologista, doutora em Engenharia Agrícola pela UFSM e consultora do Irga

Texto originalmente publicado em:
Irga
Autor: Jossana Cera é meteorologista, doutora em Engenharia Agrícola pela UFSM e consultora do Irga

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