Autores:  Leonardo M. Burtet, Oderlei Bernardi, Adriano A. Melo, Maiquel P. Pes, Thiago T. Strahl e Jerson V.C. Guedes.

A lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) é a principal praga da cultura do milho no Brasil, podendo reduzir o rendimento da cultura em até 57%, dependendo da época de cultivo e do híbrido usado.

Na região sul do país, as épocas de semeadura se estendem de agosto a janeiro. Nessas áreas de cultivo de milho, os primeiros plantios geralmente resultam em baixas infestações da lagarta, mas em plantios tardios ocorre o aumento na densidade populacional desta praga.

Plantas de milho que expressam proteínas inseticidas de Bacillus thuringiensis são opções importantes para o manejo lagarta-do-cartucho no Brasil. No entanto, falhas de controle foram reportadas e comprovadas ao longo dos últimos anos e, portanto, aplicações de inseticidas estão sendo recomendadas para complementar o controle desta espécie. Neste sentido, este trabalho avaliou o uso do milho Bt e a aplicação de inseticidas para complementar o manejo de Spodoptera frugiperda.

O trabalho foi conduzido em Santa Maria/RS, em condições de campo, em duas épocas de cultivo durante o ano agrícola de 2015/2016. A primeira época foi semeada em novembro de 2015 e a segunda época foi semeada em janeiro 2016.

Os tratamentos foram distribuídos em um arranjo trifatorial 9 × 7 × 2 e cada bloco continha quatro parcelas (cada parcela compreendia cinco linhas de milho com 4 m de comprimento e um espaçamento de 0,45 m entre linhas). O fator A foi representado por nove híbridos de milho (8 materiais Bt e um Não-Bt) (Tabela 1). O fator B foi composto por 6 tratamentos com inseticidas químicos e 1 tratamento controle (sem aplicação) (Tabela 2). Os inseticidas testados (isolados ou em mistura) foram escolhidos por serem comumente utilizados pelos produtores no controle da lagarta-do-cartucho em milho no Brasil. Fator C referiu-se à época de semeadura.


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As avaliações ocorreram a cada 5 dias, atribuindo uma nota de dano de acordo com a Escala de Davis (1992) que varia de  0 (nenhum dano) a 9 (dano severo – destruição do cartucho). Então, estes resultados foram convertidos em porcentagem de plantas com dano > 3 (lesões circulares ou alongadas até 1,3 cm). Além disso, plantas com qualquer dano da lagarta-do-cartucho também foram contabilizadas (convertidas em porcentagem de plantas com danos nas folhas).

A tomada de decisão para a pulverização dos inseticidas foi realizada sempre que 10% das plantas avaliadas em cada amostragem apresentassem nota de dano > 3. Sugere-se este percentual de plantas com classificação de danos > 3 como critério para o uso de inseticidas para o controle de larvas sobreviventes em milho Bt e não-Bt (refúgio) no Brasil.

As aplicações foram realizadas com pulverizador pressurizado com CO2 contendo 2 m de barra e 0,5 m de espaçamento, utilizando pontas tipo leque (XR 110.02) e volume de calda de 200 l ha-1.

Tabela 1. Tecnologias de milho Bt testadas para o controle de Spdoptera frugiperda. Santa Maria-RS, safra 2015/16.

Tabela 2. Inseticidas testados para o controle de lagartas sobreviventes de Spodoptera frugiperda em milho Bt e não-Bt. Santa Maria-RS, safra 2015/16.

*Quando foram necessárias mais de duas pulverizações, na terceira foi repetido os inseticidas da segunda e na quarta foram usados os inseticidas da primeira pulverização.

Os resultados do trabalho demonstram as diferenças de eficácia das diferentes tecnologias de milho Bt em condições de campo, bem como as falhas de controle de S. frugiperda por parte de alguns materiais, requerendo a complementação de controle com a aplicação de inseticidas.

Os dados permitem afirmar que:

  • Agrisure TL, Herculex e Optimum Intrasect, mesmo semeados na primeira época, foram severamente danificadas pela lagarta-do-cartucho necessitando de até três aplicações de inseticidas.
  • YieldGard VT Pro, o YieldGard VT Pro 3, o PowerCore, o Agrisure Viptera e o Agrisure Viptera 3 mostraram poucos danos e não necessitaram de inseticidas, na primeira época de cultivo;
  • Todos os materiais de milho Bt semeados em segunda época apresentaram danos de lagarta-do-cartucho e necessitaram de até quatro pulverizações, com exceção de Agrisure Viptera e Agrisure Viptera 3.
  • Espinetoram (primeira e segundas aplicação); Metomil + Clorantraniliprole (primeira aplicação) e Indoxacarbe (segunda aplicação); e Lambda-cialotrina + Lufenurom (primeira aplicação) e Lambda-cialotrina + Clorantraniliprole (segunda aplicação) foram os inseticidas mais eficazes contra larvas S. frugiperda em milho Bt e não-Bt.

Em resumo, plantas de milho expressando proteínas Cry exibiram falhas de controle de lagarta-do-cartucho no sul do Brasil, necessitando de aplicações de inseticidas. Entretanto, milho Bt contendo a proteína Vip3Aa20 se mostrou eficaz contra esta espécie.

Figura 1. Porcentagem de plantas atacadas por S. frugiperda em milho Bt e não-Bt em primeira e segunda época de cultivo de milho. Santa Maria/RS, safra 2015/16.

Tabela 3. Percentual de plantas atacadas por S. frugiperda de acordo com a época de cultivo, tecnologia Bt utilizada e programa inseticida aplicado. Santa Maria/RS, safra 2015/16.

*Quando foram necessárias mais de duas pulverizações, na terceira foi repetido os inseticidas da segunda e na quarta foram usados os inseticidas da primeira pulverização.

Figura 2. Danos de Spodoptera frugiperda em tecnologias de milho Bt e não-Bt sem pulverização de inseticidas. Santa Maria/RS, safra 2015/16. Imagens: Leonardo Burtet.

Artigo publicado na revista Pest Management Science (2017) – Fator de Impacto: 3.249/Qualis A1

Confira aqui o link para ler o artigo na íntegra

BURTET, Leonardo M. et al. Managing fall armyworm, Spodoptera frugiperda (Lepidoptera: Noctuidae), with Bt maize and insecticides in southern Brazil. Pest management science, v. 73, n. 12, p. 2569-2577, 2017.

Informações sobre os autores:

Laboratório de Manejo Integrado de Pragas (LabMIP/UFSM) – Departamento de Defesa Fitossanitária – Universidade Federal de Santa Maria

Agradecimento: Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento (CNPq)

Contato: Engº Agr. MSc. Leonardo Burtet – leoburtet@hotmail.com

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