Objetivou-se com essa pesquisa avaliar o efeito do manejo de diferentes fungicidas na cultura da soja.

Autores: Guilherme de Almeida Arismendi1 , Guilherme Costa Barriquello1, Matheus Martins Ferreira1, Guilherme Bergeijer da Rosa1 , Thomas Newton Martin1

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

A ferrugem-asiática da soja (Phakopsora pachyrhizi Sydow) é uma das doenças mais severas da cultura, sendo relatadas perdas de até 90% de produtividade nas diferentes regiões do mundo (HARTMAN et al., 2015). O manejo da época de semeadura e da aplicação de fungicidas são as alternativas mais viáveis, uma vez que, não se tem cultivares de soja resistente a doença (NAVARINI et al., 2007). O controle químico com aplicações de fungicidas é rápido, de fácil execução e apresenta efetivo controle (REIS et al., 2007). Além disso, quando as aplicações são realizadas com fungicidas de grupos e modos de ação diferentes, se tem um incremento no controle da doença (FRAC, 2010). No entanto, a eficiência de alguns fungicidas vem diminuindo ao passar dos anos, fazendo-se necessário, ensaios objetivando avalia-los no controle da doença e na produtividade da soja.

Objetivou-se com essa pesquisa avaliar o efeito do manejo de diferentes fungicidas na cultura da soja.

O experimento foi conduzido na área do Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Santa Maria. O delineamento experimental foi em blocos ao acaso, com doze tratamentos e três repetições. Os tratamentos foram diferentes manejos de fungicidas (Tabela 1). A semeadura da soja foi realizada dia 23/10/17, utilizando a cultivar a Brasmax Delta IPRO, em uma densidade de 13,4 se sementes metro¹. As sementes foram tratadas com Standak® Top e inoculadas com Bradyrhizobium japonicum. Foi realizada semeadura direta sobre palhada de nabo forrageiro (Raphanus sativus L.).

Tabela 1. Tratamentos com as respectivas doses em L/ha ou Kg/ha dos produtos comerciais; Fox, Elatus, Aproach Prima, Sphere Max, Unizeb Gold, GranProtect, Ultrazeb Premium e Talocuper

No estádio R6 realizou-se a coleta de folíolos de soja para avaliação da severidade causada pela ferrugem asiática. Foram coletados quatro folíolos de quatro plantas diferentes por parcela e posteriormente fez-se a avaliação visual utilizando a escala diagramática proposta por Godoy et al. (2006). No estádio R8 realizou-se a medição da altura de quatro plantas por parcela, com auxilio de uma régua graduada, medindo da base da planta até o ápice da ultima folha. Na colheita foi determinada a produtividade de grãos. Foi realizada análise de variância e quando contatado efeito significativo, às médias foram comparadas pelo teste de Scott-Knott, a 5% de probabilidade de erro.

 A severidade foi afetada significativamente pelos tratamentos, já a altura de plantas e a produtividade de grãos não foram alteradas. A maior severidade foi observada na testemunha sem aplicação de fungicida (Tabela 2).

Tabela 2. Médias das variáveis severidade, altura de plantas e produtividade de grãos. Santa Maria – RS, 2017.

A aplicação de fungicida reduz a severidade da doença na soja (ROESE et al., 2012). A não proteção dos folíolos de soja pelos fungicidas durante o período de cultivo pode ter contribuído para que houvesse maior porcentagem de severidade da ferrugem asiática para a testemunha. No entanto, não houve diferença estatística entre os tratamentos para a altura e a produtividade de grãos de soja. Isso pode ter ocorrido devido o aparecimento dos primeiros sinais da doença ter sido no final do estádio R5 (CALAÇA, 2007). Segundo Hartman et al. (2015) as perdas de produtividade causada pela ferrugem asiática ocorre principalmente quando as plantas são infectadas no estádio R1 até o R6.


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O controle preventivo, com aplicações de fungicidas diminui a esporulação fúngica da ferrugem asiática (TWIZEYIMANA; HARTMAN, 2017). Por isso, as aplicações realizadas o mais cedo possível no ciclo da doença contribuem para um controle mais eficaz do patógeno (GODOY, 2016).

A aplicação de fungicidas diminuiu a severidade da ferrugem asiática da soja, porém não alterou a altura das plantas e a produtividade de grãos da cultura.

Referências

CALAÇA, H.A. Ferrugem asiática da soja: relações entre o atraso no controle químico, rendimento, severidade e área foliar sadia da soja (Glycine Max L. Merril). Dissertação de Mestrado (Mestrado em Agronomia) – ESALQ, Piracicaba-SP, 80 p., 2007.

FRAC. FRAC recommendations for fungicide mixtures designed to delay resistance evolution. 7 p., 2010. Disponível em:<http://www.frac.info/docs/de fault-source/publications/frac-recommendations-for-fungicide-mixtures/fracreco mmendations-for-fungicide-mixtures—january 2010.pdf?sfvrsn=7e9d419a _4>. Acesso em 18 de julho de 2018.

GODOY, C. V.; SEIXAS, C. D. S.; SOARES, R. M.; MARCELINOGUIMARÃES, F. C.; MEYER, M. C.; COSTAMILAN, L. M. Asian soybean rust in Brazil: past, present, and future. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, DF, v.51, n.5, p.407-421, 2016.

HARTMAN, G. L.; SIKORA, E. J.; RUPE, J. C. Rust. In: HARTMAN, G. L.; RUPE, J. C.; SIKORA, E. J.; DOMIER, L. L.; DAVIS, J. A.; STEFFEY, K. L. (Ed.). Compendium of soybean diseases and pests. 5 ed. APS Press, St. Paul, Minnesota , 2015. p. 56-58.

NAVARINI, L.; DALLAGNOL, L. J.; BALARDIN, R. S.; MOREIRA, M. T.; MENEGHETTI, R. C.; MADALOSSO, M. G. Controle químico da ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi Sidow) na cultura da soja. Summa Phytopathologica, Botucatu, São Paulo, v.33, n.2, p.182-186, 2007.

Informações dos autores:  

1Universidade Federal de Santa Maria. Av. Roraima, n. 1000, Departamento de Fitotecnia. Cidade Universitária. 97105900 – Santa Maria, RS – Brasil

Disponível em:  Anais da 42ª Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul, Três de Maio – RS, Brasil, 2018.

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