Manejo de plantas daninhas na sucessão soja-milho safrinha

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O trabalho foi realizado com o objetivo de avaliar a infestação de plantas daninhas em função de diferentes anos de milho safrinha, em comparação com consórcio milho – braquiária e braquiária solteira, sob sistema de rotação de cultura

Autores: Thais Stradioto Melo(1), Renato Albuquerque da Luz(2), Priscila Akemi Makino(3) e Gessí Ceccon(4)

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

Introdução

O sistema plantio direto é consolidado no Brasil, em virtude da aceitação dos produtores, e a participação do milho e milho consorciado com braquiária na safrinha, como sucessão à soja, é fundamental para assegurar a cobertura do solo e delimitar a emergência dessas espécies infestantes.

A presença de cobertura vegetal na superfície do solo promove uma barreira física, diminuindo a infestação por plantas daninhas. Porém, existem poucas informações sobre a dinâmica de plantas daninhas com diferentes cultivos de milho safrinha em plantio direto, comparando com outras espécies de outono-inverno.

O trabalho foi realizado com o objetivo de avaliar a infestação de plantas daninhas em função de diferentes anos de milho safrinha, em comparação com consórcio milho- raquiária e braquiária solteira, sob sistema de rotação de cultura.

Material e Métodos

O trabalho foi realizado na área experimental da Embrapa Agropecuária Oeste, no município de Dourados – MS, localizada nas coordenadas 22° 13’ S e 54° 48’ W a 408 m de altitude, num Latossolo Vermelho Distroférrico, de textura argilosa. O clima da região de acordo com a classificação climática de Köppen, é do tipo Aw, com verões quentes e invernos secos.

O delineamento utilizado foi em faixas casualizadas, com parcelas medindo 10 x 8 m, com os seguintes tratamentos:

T1: Brachiaria ruziziensis,

T2: consórcio milho safrinhabraquiária,

T3: milho safrinha por 3 anos,

T4: milho safrinha 6 anos e

T5: milho safrinha 9 anos (Tabela 1).

Tabela 1. Histórico dos tratamentos do outono-inverno com soja no verão, avaliados de 2013 a 2017. Embrapa Agropecuária Oeste, Dourados – MS (2017).

A avaliação fitossociológica em cada tratamento foi composta por seis repetições, pelo método proposto por Barbour et al. (1987). Utilizou-se quadrado metálico medindo 0,5 x 0,5 m na face interna, que foi lançado aleatoriamente em cada parcela. Em cada ponto amostrado, as plantas daninhas foram identificadas, contabilizadas, coletadas e armazenadas em pacotes de papel por espécie, sendo posteriormente, colocadas em estufas a 65 °C por 72 h para determinação da massa seca da parte aérea. Assim, foram obtidos os índices de densidade, frequência e dominância relativos, o valor de importância, os índices de diversidade de Simpson e Shannon-Weiner, o coeficiente de sustentabilidade SEP, e o índice de similaridade de Jaccard, que foi utilizado para a análise multivariada de agrupamento pelo método UPGMA. Todos os índices e coeficientes foram obtidos no programa estatístico R (R Core Team, 2014), utilizando-se os seguintes pacotes adicionais Plyr, Vegan, Hmisc, Cairo e ExpDes, conforme script para análise fitossociológica de plantas daninhas (Concenço, 2015).

Resultados e Discussão

Foi observada diferença entre os tratamentos com relação aos níveis de infestação. O tratamento com milho safrinha por 9 anos apresentou maior número de indivíduos (250 plantas m-2) em relação aos demais tratamentos (Figura 1), os tratamentos com milho durante 6 anos (200 plantas m-2), com milho durante 3 anos (130 plantas m-2), consórcio milho braquiária (120 plantas m-2). O tratamento com braquiária apresentou o menor índice de infestação (10 plantas m-2), comprovando seu potencial de supressão de plantas daninhas.

As plantas daninhas encontradas nas áreas avaliadas foram buva, capim-arroz, capimcolchão, caruru, cenourinha, cordão-de-frade, macela, picão-preto, poaia e trapoeraba. O capim-amargoso não foi encontrado porque foi retirado com capina manual nos anos anteriores, e sempre em maior quantidade nos tratamentos sem braquiária. Na Tabela 2 é apresentada a análise fitossociológica, onde observa-se que a trapoeraba esteva presente em todas as áreas e de maneira geral apresentou significância nos paramentos fisiológicos  em todos os tratamentos (Lemos et al., 2012); observou-se que a trapoeraba, devido ao alto risco de rebrota, eleva a população de plantas, pois também se reproduz vegetativamente. A buva esteve presente somente no tratamento milho safrinha 6 e 9 anos. 

Figura 1. Número de plantas daninhas (█ – m-2) e massa seca (█ – g m-2) da parte aérea da comunidade infestante, em função de anos e sistemas de produção. Embrapa Agropecuária Oeste, Dourados – MS (2017). Erros-padrão sobre as barras. 1: braquiária, 2: consórcio milhobraquiária, 3: milho safrinha 3 anos, 4: milho safrinha 6 anos e 5: milho safrinha 9 anos.

Figura 2. A – Coeficientes de diversidade de Simpson (D) e Shannon-Weiner (H) e coeficiente sustentabilidade (SEP) em função de anos e sistemas de produção. B – Análise de agrupamento das áreas por dissimilaridade pelo método UPGMA com base nos coeficientes binários de Jaccard, em função diferentes anos e sistemas de produção. Embrapa Agropecuária Oeste, Dourados – MS (2017).

Tabela 2. Densidade (De), frequência (Fr), dominância (Do) e Valor de importância (VI) de espécies daninhas, em função de anos e sistemas de produção. Dourados – MS (2017).

O tratamento com braquiária apresentou redução significativa na infestação de plantas daninhas, quando comparado às áreas de milho solteiro, possivelmente devido ao milho não ser eficiente em sombreamento, o que favorece a emergência de plantas invasoras (Figura 1). Os coeficientes de diversidade (Figura 2A) permitem compreender a variedade de indivíduos em uma comunidade vegetal (Barbour et al., 1987). O coeficiente de diversidade de Simpson (D) considera mais a abundância das espécies na amostra e o coeficiente de Shannon-Weiner considera menos a abundância de indivíduos de cada espécie, sendo mais influenciado pela ocorrência de espécies raras.

Foram observadas diferenças significativas no tratamento consórcio milho-braquiária (T2) para os coeficientes de diversidade ou para o coeficiente de sustentabilidade (Figura 2A).

A análise de agrupamento por dissimilaridade, com base nas distâncias calculadas pelo coeficiente de Jaccard e estruturado pelo método UPGMA (Figura 2B), indicou a existência de quatro grupos, sendo que dois são de áreas com características semelhantes dentro de cada grupo; os tratamentos T4 e T5, respectivamente, milho safrinha 6 e 9 anos, apresentou maior semelhança, cerca de 80%, quanto à composição de plantas daninhas.

Conclusões

O cultivo de braquiária solteira ou em consórcio com milho safrinha reduz a infestação por planta daninhas na sucessão soja- milho safrinha. Apenas um ano de consórcio milho braquiária não elimina as plantas daninhas do sistema de cultivo. A buva é uma das principais plantas daninhas na sucessão soja e milho safrinha em Mato Grosso do Sul.

Referências

BARBOUR, M.G.; BURK, J.H.; PITTS, W.D. Terrestrial plant ecology. Menlo Park: Benjamin/Cummings, 1987. 688p.

CONCENÇO, G. Análises fitossociológicas de plantas daninhas: método aplicado ao ambiente “R”. Comunicado Técnico. Agosto, 2015.

LEMOS, J.P.; GALVÃO, J.C.C.; SILVA, A.A.; FONTANETTI, A.; CORRÊA, M.L.P.; CECON, P.R. Morfofisiologia de plantas de milho em competição com picão-preto e trapoeraba submetidas a roçada. Planta Daninha, Viçosa – MG, v.30, n.3, p.487-496, 2012.

R CORE TEAM. R: a language and environment for statistical computing. Vienna: R Foundation for Statistical Computing, 2014. Disponível em: <http://www.Rproject.org/>. Acesso em: 24 ago. 2017.

Informações do autores:     

(1)Engenheira Agrônoma, Mestranda em Agronomia, Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Dourados – MS. Bolsista CNPq;

(2)Engenheiro Agrônomo, Mestrando em Agronomia, UFGD, Dourados – MS. Bolsista CAPES;

(3)Engenheira Agrônoma, Doutoranda em Agronomia, UFGD, Dourados – MS. Bolsista CAPES;

(4)Engenheiro Agrônomo, Dr., Pesquisador, Embrapa Agropecuária Oeste. Dourados – MS.

Disponível em: Anais do XIV SEMINÁRIO NACIONAL DE MILHO SAFRINHA, Cuiabá – MT, Brasil,2017.

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