Manejo nutricional de plantas garante a maximização da produtividade

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nutrição de plantas é uma área agronômica que busca estudar as relações planta-solo de forma a otimizar as técnicas de manejo do solo e adubação para fornecer a quantidade mais adequada de nutrientes para as plantas, maximizando a produtividade das culturas. Para entender mais sobre manejo nutricional de plantas conversamos com Gabriel Schaich, Engenheiro Agrônomo e Mestre em Produção Vegetal, que atualmente trabalha na  PhysioAtac Consultoria. Confira a entrevista completa!

1 – Mais Soja (MS): Porque devemos pensar em nutrição equilibrada e não apenas no fornecimento de alguns nutrientes em grande quantidade?

Gabriel Schaich (GS): “Mantidas as devidas proporções, o raciocínio se assemelha a alimentação humana, onde o excesso de uma única fonte nutricional pode acarretar em doenças como obesidade, problemas cardíacos, entre outros. No caso das plantas, o desequilíbrio nutricional reflete em uma baixa eficiência de uso dos nutrientes e água, maior predisposição da planta a infecção de doenças, maior atratividade a ataque de pragas em função do acúmulo de açúcares, maior abortamento de flores e vagens pela redução na eficiência da fotossíntese em gerar energia para a planta.

Em resumo, uma nutrição equilibrada, conceituada pela Lei do Mínimo, permite uma resposta mais rápida da planta as mudanças do meio, como o fechamento estomático em situação de estresse hídrico, a produção de fitoalexinas (defesa ao ataque de patógenos), maior enraizamento em situações de solo desfavoráveis (a exemplo do efeito de boro em solos com alumínio) e no final do processo, permitir um maior acúmulo de reservas nos grãos, o que acarreta em uma maior produtividade”.

2 – (MS):  O que define um elemento como sendo essencial?

(GS): “Elementos essenciais são elementos indispensáveis para que o vegetal complete seu ciclo de vida, sendo por consequência insubstituíveis. São eles: Carbono (C), Hidrogênio (H) e Oxigênio (O) e + 14 elementos inorgânicos. Os elementos inorgânicos, em função de sua demanda por tonelada de grão produzida, são classificados em macro e micronutrientes, onde macronutrientes são requeridos em Kg/t produzida e micronutrientes em g/t produzida.

O fornecimento deste elementos, ou a preocupação para que tais elementos estejam disponíveis no sistema de produção são fundamentais para o sucesso da produção, sendo importante para isso levar em consideração a dose, fonte, época e local de sua aplicação para que possam contribuir na produtividade”.


  • Macronutrientes– Nitrogênio (N), Fósforo (P), Potássio (K), Cálcio (Ca), Magnésio (Mg) e Enxofre (S).
  • Micronutrientes– Boro (B), Cloro (Cl), Cobre (Cu), Ferro (Fe), Manganês (Mn), Molibdênio (Mo), Níquel (Ni) e Zinco (Zn).

3 – MS: Quais os principais fatores, em relação a nutrição vegetal, que interferem na produtividade da soja? E qual seria a definição de estresse vegetal?

(GS): “Temos várias oportunidades para melhorar o sistema de produção e cada região apresenta desafios específicos. Assim algumas generalizações aqui citadas não se aplicam a todas as propriedades.

Notamos que algumas áreas ainda apresentam problemas com acidez do solo e desbalanço nutricional de bases. Fatores que poderiam ser manejados por meio de calagem ou remediados momentaneamente com manejos via sulco de semeadura.

Elementos como Boro e Enxofre vem apresentando teores baixos em várias regiões e, de forma mais genérica, ainda notamos dificuldades (operacionais ou técnicas) em se realizar uma boa inoculação e tratamentos nutricionais visando otimizar o processo de fixação biológica de Nitrogênio. Por fim, a rotação de culturas pode contribuir em uma melhor reciclagem de nutrientes, como exemplo podemos citar o nabo que contribui com a recuperação de Potássio do solo.

O estresse entra como um fator onipresente que, em alguns casos, impacta muito significativamente a produtividade. Conceitualmente, estresse consiste em qualquer adversidade que possa alterar o desenvolvimento pleno do vegetal. Neste sentido temos

 veranicos, flutuações térmicas, ataque de pragas e doenças, granizo, geadas, entre outros. Como estratégia de prevenção, podemos pensar na construção de um perfil de solo que permita o crescimento radicular, a escolha correta da cultivar para determinada região, manejo fitossanitário adequado e eventualmente o uso de aminoácidos como forma de remediação paliativa”.

4 – MS: Sobre adubação de base, podemos focar apenas no NPK? Qual a importância dos demais nutrientes? E após a semeadura?

(GS): “Partindo do conceito de equilíbrio nutricional, caso a demanda seja apenas por NPK, utilizar somente estes nutrientes não estaria errado. Entretanto, como já comentado, temos demandas por outros nutrientes, e conforme a quantidade necessária, poderiam ser inseridos em uma formulação de base mais completa, aplicados a lanço de forma isolada ou ainda suplementados via folha na fase de maior demanda deste nutriente.

Com relação a suplementação via folha, esta será tão mais eficiente quanto menor for a absorção dos nutrientes via solo, sendo necessário o cuidado com relação a fonte do nutriente utilizado para evitar problemas com formação de caldas, bem como avaliar a real demanda de sua aplicação, evitando assim que este manejo represente apenas um investimento com uma baixa taxa de retorno”.

Ainda com dúvidas a respeito do manejo nutricional de plantas? Acesse o site do Mais Soja Cursos e matricule-se no curso “Nutrição para altos rendimentos” ministrado pelo Eng. Agrônomo e pesquisador Gabriel Schaic.

 

Elaboração: Bruna Eduarda Meinen Feil, Assessora de Comunicação Equipe Mais Soja.

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