O objetivo foi avaliar os efeitos dos sentidos operacionais de manejos do solo no desenvolvimento das características produtivas da cultura de soja na região de Cerrado.

Autores: VANESSA DIAS REZENDE TRINDADE1, ÉLCIO HIROYOSHI YANO2, GIOVANA GUERRA MARIANO3, VINÍCIUS MOLINA ROSABONI4, ANDRÉ LUÍS MÁXIMO SILVA5

 

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

RESUMO

 O objetivo deste trabalho foi avaliar os efeitos dos sentidos de manejos do solo no desenvolvimento das características produtivas da cultura de soja. O experimento foi instalado na FEPE, da FE de Ilha Solteira-UNESP, em Selvíria-MS. O delineamento estatístico foi de blocos ao acaso do tipo fatorial com cinco manejos do solo (cultivo mínimo (CM) perpendicular à direção de semeadura; CM cruzado em duas direções; CM no sentido da semeadura; preparo reduzido (PR) com grade média no sentido da soja e seguida da intersecção com CM no sentido contrário; CM e PR na mesma orientação da cultura) e dois mecanismos sulcadores (haste e disco), com 4 repetições. Foram analisadas a população final de plantas; diâmetro do caule; altura de planta e altura da inserção da primeira vagem, e número de vagens por planta, sendo que apenas número de vagens/planta apresentou diferença significativa entre manejos do solo, sendo que o CM na mesma direção da semeadura proporcionou maior emissão de vagens/planta pela menor estabilidade populacional crescimento dos ramos laterais. Assim como a população de soja diferenciou entre os mecanismos sulcadores pela maior competição entre plantas ter estimulado ao crescimento das plantas quando semeado por uso de disco.

PALAVRAS-CHAVE: biometria, preparo reduzido, mecanismos sulcadores

INTRODUÇÃO

A cultura da soja é das principais culturas oleaginosas cultivadas no mundo, devido as suas múltiplas aplicações na alimentação humana e animal, tem como papel socioeconômico para o agronegócio brasileiro devido ao seu elevado potencial produtivo nas diferentes regiões (CRUZ et al, 2016), tem sido destaque no país, pelo aumento de produtividade e redução de abertura de novas áreas (CONAB, 2017), pois segundo Zanon et al (2015) deve-se à incorporação de novas tecnologias de produção como adoção de práticas de manejo como introdução de cultivares precoce, tem permitido o cultivo de duas safras.

O manejo e/ou preparo do solo consiste num conjunto de operações com objetivos de propiciar condições favoráveis à semeadura, ao desenvolvimento e à produção das plantas, porém o seu sucesso depende do estádio e funcionamento dos equipamentos agrícola quanto a regulagem em profundidade e quantidade de semente durante a semeadura quanto ao teor de agua e propriedades físicas e químicas do solo (EMBRAPA, 2013). Assim, quando realizada de forma correta, terá efeitos que podem influenciar diretamente as características da cultura, diferentemente do uso inadequado destes equipamentos pode promover condições adversas que limitam o seu potencial produtivo como a compactação do solo, decorrente à ação de cargas externas, pelo excesso de tráfego de máquinas e a ação de ferramentas agrícolas em profundidade reduz a penetração radicular, redução da aeração, alteração do fluxo de água e calor, e da disponibilidade de água e nutrientes (MORAES &BENEZ,1996; LANÇAS, 2000).

Assim como a qualidade da semeadura depende do tipo de manejo do solo que foi adotado para que a uma cultura possa se estabelecer e garantir produtividade da cultura. O objetivo foi avaliar os efeitos dos sentidos operacionais de manejos do solo no desenvolvimento das características produtivas da cultura de soja na região de Cerrado.

MATERIAL E MÉTODOS

 O ensaio foi realizado na Fazenda de Ensino, Pesquisa e Extensão (FEPE) pertencente à Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira, em Selvíria- MS. De acordo com as normas de classificação da Embrapa (2013), o solo foi classificado como Latossolo Vermelho distroférrico textura argilosa.

O delineamento estatístico foi em blocos ao acaso em esquema fatorial 5×2, sendo cinco manejos do solo e dois mecanismos sulcadores, com 4 repetições, constituído pelos seguintes tratamentos: Escarificação no sentido perpendicular à semeadura da soja (ESC-Cruzado); Escarificação na mesma orientação da soja (ESC-Linha); Escarificação duas passadas sendo uma no sentido perpendicular ao declive seguida de outra passada na orientação oposta (ESC-Linha/ESCCruzado); Preparo reduzido com grade media na mesma orientação da semeadura da cultura, seguida do cruzamento perpendicular com escarificador (GM/ESC-Cruzado) e preparo reduzido com grade media seguida da escarificação na mesma orientação da semeadura da soja (GM/ESC-Linha), semeado uma semeadora-adubadora de precisão pneumática de plantio direto, da marca Marchesan, modelo Suprema Ultra flex de 7 linhas de espaçadas de 0,45m, regulada para distribuir aproximadamente 150,0 kg/ha do fertilizante 08-28-16 e 355.552sementes ha-1, cultivar de soja BMX Potencia, contendo disco de corte de bordo liso de 20 polegadas de diâmetro em que se utilizou-se dois tipos de mecanismos sulcadores (haste e disco duplo desencontrado e defasado), acoplado na barra de tração do trator John Deere, modelo 6110-J.

A contagem da população final de soja foi efetuada em três linhas de cinco de metros de comprimento. Amostrou-se 10 plantas sequencias por parcelas para medir as dimensões de diâmetro de caule, altura de inserção da 1° vagem e planta, e nestas mesmas plantas foram quantificadas o número de vagens/planta, conforme a metodologia de Brasil (1992). Os resultados foram processados pelo programa computacional SISVAR ® (FERREIRA, 2000), e submetidos às análises de variância pelo teste F e comparação de médias de Tukey a 5% de probabilidade.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Verifica-se na Tabela 1 que a população final de plantas de soja não diferiu estatisticamente entre as alternâncias de sentidos dos manejos de preparo do solo e tipos de mecanismos sulcadores, porem a passada da grade media na linha de semeadura seguida da escarificação na direção perpendicular à mesma mostrou ser superior à escarificação na linha em 24,62%. De acordo com a Tabela 1 a população de plantas presente no momento da colheita foi inversamente proporcional ao número de vagens, em que a menor população do ESC Linha resultou na maior emissão de ramos laterais e elevação do maior número de vagens por planta diferentemente da GM/ESC Cruzado.

TABELA 1. Valores médios da população final e número de vagens por planta de soja, submetido a cinco manejos de solo e dois mecanismos sulcadores.

Na Tabela 2 está apresentada a interação significativa o número de vagens por planta entre manejo do solo e mecanismos sulcadores, em que a ESC linha diferenciou entre os sulcadores, pela diferença de 42,25 vagens por planta entre haste e disco duplo desencontrado e defasado, corroborando com Gimenez, et al (2015) obtiveram maior número de vagens e menor população de plantas/hectare de soja quando a semeadura foi efetuada por haste. Este manejo do solo da escarificação no mesmo sentido da linha da semeadura mostrou-se superior a esta mesma operação porem no sentido perpendicular a este em 64,57%. Marques (2002) citado por Narimatsu (2008) verificou que entre os preparos do solo cultivo mínimo apresentou maior número de vagens em relação ao preparo convencional.

TABELA 2. Valores médios do desdobramento do número de vagens por planta entre manejos do solo e mecanismos sulcadores.

 

Os preparos do solo e suas respectivas orientações, e mecanismos sulcadores não interferiram estatisticamente nas dimensões do diâmetro de caule, altura de inserção de 1° vagem e planta (Tabela 3), ao contrário de Narimatsu (2008), que em preparo convencional com grade pesada seguida de grade leve obteve diâmetro de caule de soja superior quando comparado com a semeadura direta e cultivo mínimo. A altura média de 11,40 cm entre os tratamentos, está em concordância com Marques (2002) citado por Narimatsu (2008), considerado um valor satisfatório, uma vez que para menor quantidade de perda de grãos durante a colheita mecanizada é recomendado que as vagens estejam acima de 10 cm da superfície do solo.

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Comportamento semelhante de altura de planta de 88,30 cm, esta é considerada adequada, onde Sediyama (2009) citado por Fiorese (2013) considera que altura entre 70 e 80 cm é suficiente para que se obtenha colheita eficiente. Ao contrário dos mecanismos sulcadores diferiram entre si, sendo o disco superior à haste, distinguindo-se do resultado de Rosa et al (2009) onde as plantas não apresentaram diferenças quanto à altura independente do mecanismo utilizado (disco ou haste).

TABELA 3. Valores médios das dimensões de diâmetro de caule e altura de inserção da 1ª vagem, e plantas de soja, submetido a cinco manejos de solo e dois mecanismos sulcadores.

CONCLUSÕES

Os sentidos operacionais de manejos do solo e mecanismos sulcadores interferiram na emissão do número de vagens por planta de soja, podendo refletir no aumento de produtividade de grãos da cultura de soja.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Agricultura e Reforma Agrária. Regras de análise de sementes. Brasília: SNDA/ DNPV/ CLAV, 1992. 365p. CONAB. A Produtividade da Soja: Análise e Perspectivas. 2017. Disponível em: <https://www.conab.gov.br/index.php/institucional/publicacoes/compendio-de-estudos-daconab/item/download/2520_b7178b0a46d2054fbbdf5cf94291df91>. Acesso em: 29 abr. 2018.

CRUZ, S. C. S.; SENA-JUNIOR, D. G.; SANTOS, D. M. A.; LUNEZZO, L. O.; MACHADO, C. G. Cultivo de soja sob diferentes densidades de semeadura e arranjos espaciais. Revista de Agricultura Neotropical, Cassilândia-MS, v. 3, n. 1, p. 1–6, jan./mar. 2016.

EMBRAPA. Tecnologias de Produção de Soja – Região Central do Brasil. 2013. Disponível em: <https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/95489/1/SP-16-online.pdf>. Acesso em: 29 abr. 2018.

EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA – EMBRAPA. Sistema brasileiro de classificação de solos. 3° ed. Brasília, DF: EMBRAPA, 2013. 353p.

FERREIRA, D. F. Análises estatísticas por meio do Sisvar para Windows versão 4.0. In: REUNIÃO ANUAL DA REGIÃO BRASILEIRA DA SOCIEDADE INTERNACIONAL DE BIOMETRIA, 45., 2000, São Carlos. Anais … São Carlos: SIB, 2000. p.255-8.

FIORESE, Kaio Felipe. Avaliação das Características Agronômicas e Produtividade de Cultivares de Soja em Diferentes Sistemas de Semeadura. 2013. 24 f. TCC (Graduação) – Curso de Engenharia Agronômica, Universidade de Brasília, Brasília, 2013. Disponível em: <http://bdm.unb.br/bitstream/10483/6013/1/2013_KaioFelipeFiorese.pdf>. Acesso em: 29 abr. 2018.

GIMENEZ, Leandro M.; CORTINOVE, Lucas; FORNARI, Rafael. Efeitos de Mecanismos Sulcadores na Qualidade de Semeadura de Soja em Solo muito argiloso. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA AGRÍCOLA, 44, 2015, São Pedro. São Pedro: Sbea, 2015. Disponível em: <https://goo.gl/n1H2A3>. Acesso em: 30 abr. 2018.

LANÇAS, K. P.. Diagnóstico e controle localizado da compactação do solo. In: CONGRESSO INTERNACIONAL DO AGRONEGOCIO DO ALGODÃO/SEMINÁRIO ESTADUAL DA CULTURA DO ALGODÃO, 5.2000. Cuiabá, Anais… Cuiabá: Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso, 2000. p. 25-32.

MORAES, M. H., BENEZ, S. H.. Efeitos de diferentes sistemas de preparo do solo em algumas propriedades físicas de uma Terra Roxa Estruturada e na produção de milho para um ano de cultivo. Engenharia Agrícola, Jaboticabal, v.16, n.2, p.31-41, 1996.

NARIMATSU, K. C. P. Plantio Direto de Soja no Sistema Integração Agricultura-Pecuária. 2008. 181 f. Tese (Doutorado) – Curso de Engenharia Agronômica, Universidade Estadual Paulista “Júlio Mesquita Filho”, Ilha Solteira, 2008. Disponível em: <https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/106217/narimatsu_kcp_dr_ilha.pdf?sequence=1&isAl lowed=y>. Acesso em: 29 abr. 2018.

ROSA, G. B.; BUENO, M. R.; CUNHA, J. P. A. R. Utilização de Haste Sulcadores e Disco Duplo na Semeadura Direta da Cultura do Milho e da Soja. In: ENCONTRO INTERNO e SEMINÁRIO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA, 9, 8, 2009, Uberlândia, Anais… Uberlândia: Pibic, Cnpq & Fapemig, 2009. Disponível em: <https://ssl4799.websiteseguro.com/swge5/seg/cd2009/PDF/IC2009-0229.pdf>. Acesso em: 30 abr. 2018.

ZANON, A. J.; WINCK, J. E. M.; STRECK, N. A.; ROCHA, T. S. M.; CERA, J. C.; RICHTER, G. L.; LAGO, I.; SANTOS, P. M. MACIEL, L. R.; GUEDES, J. V. C.; MARCHESAN, E. Desenvolvimento de cultivares de soja em função do grupo de maturação e tipo de crescimento em terras altas e terras baixas. Bragantia, Campinas, v. 74, n. 4, p.400-411, 2015.

Informações dos autores:  

1Graduanda em Engenharia Agronômica, Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira, FE/UNESP-Ilha;

2Engenheiro Agrônomo, Prof. Assistente Doutor, FE/UNESP-Ilha Solteira;

3Graduanda em Engenharia Agronômica, FE/UNESP-Ilha Solteira;

4Graduando em Engenharia Agronômica, FE/UNESP-Ilha Solteira;

5Graduando em Engenharia Agronômica, FE/UNESP-Ilha Solteira..

Disponível em: Anais do XLVII Congresso Brasileiro de Engenharia Agrícola. Brasilia/DF, Brasil.

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