Objetivou-se primeiramente, mapear as principais regiões produtoras de soja em Goiás para identificar o “cinturão” a soja, com base na mesorregião e microregião. Na sequência, as informações de concentração de produção e rendimento da cultura foram interseccionadas com as características edafoclimáticas.

Autores: FARIA, E.P.1; FARIAS, T.R.R.2; RODRIGUES, L.R.1; REZENDE, C.F.A.2

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

O grande incremento na produção mundial de soja pode ser atribuído a um gradiente de aspectos que alcançam desde pontos inerentes à produção até aspectos comerciais. Dentre esses, a composição química do grão é destaque: o elevado teor de óleo (ao redor de 20%) e proteínas (em torno de 40%). Sendo uma commodity padronizada, produzida e negociada por produtores de diversos países, com alta liquidez e demanda. Sobretudo, houve expressivo aumento da oferta de tecnologias de produção, que permitiram ampliar significativamente a área cultivada e a produtividade desta oleaginosa (LAZZAROTTO & HIRAKURI, 2010)

A safra 2016/17 de soja em Goiás iniciou com bastante cautela devido à irregularidade de chuvas nas principais áreas de produção. A distribuição pluviométrica anormal foi consequência do fenômeno “la niña”. Mediante este panorama, a perspectiva apontada pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Goiás (Aprosoja-Go), era de 10,38 milhões de toneladas de soja em área de 3,35 milhões de hectares no estado de Goiás (Aprosoja-GO, 2016).

A racionalização e a modernização da agricultura são fatores importantes para o aumento da eficiência dos sistemas de produção. Informações obtidas por georreferenciamento e cruzadas com dados da produção agrícola permitem a elaboração de mapas de concentração da produção, rendimento e aspectos edafoclimáticos, por exemplo. Esses mapas constituem uma ferramenta de diagnóstico muito importante para a agricultura de precisão, pois promovem o uso mais eficiente das informações, visto que possibilitam a tomada de decisão baseada em informações mais precisas diante da quantidade de variáveis presentes no campo (CARVALHO et al., 2001).

Nesse sentido, objetivou-se primeiramente, mapear as principais regiões produtoras de soja em Goiás para identificar o “cinturão” a soja, com base na mesorregião e microregião. Na sequência, as informações de concentração de produção e rendimento da cultura foram interseccionadas com as características edafoclimáticas.

Considerando as cinco mesorregiões, dezoito microrregiões e seus duzentos e quarenta e seis municípios de acordo com a divisão do estado adotada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2000), o Estado de Goiás possui uma área de 340.110,385 km², representa 21,1% da região Centro-Oeste (1.612.077,2 km²) e 4% do território nacional, sendo Goiânia a capital do Estado. Os dados foram coletados na Secretaria de Gestão e Planejamento do Estado de Goiás (SEGPLAN) e Instituto Mauro Borges de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (IMB) e serviram para identificar os principais municípios produtores de soja na safra 2016/2017.

O período considerado para obtenção dos dados abrange de outubro de 2016 até abril de 2017, safra 2016/17. O mapeamento, bem como a interpolação dos dados, foi realizado através do processamento das informações no software QGIS versão 2.14 Essen, que é um Sistema de Informações Geográficas (SIG).

A cultura da soja, obteve um crescimento de produção de 19% com um crescimento do rendimento de produção de 17,2%, e os fatores responsáveis por esse ganho de produtividade estão relacionados à concentração do cultivo no verão, que por sua vez foi favorecida pelos fatores climáticos em todo o estado, apesar da pluviometria irregular no início da safra. Desse modo, Goiás não acompanhou a tendência nacional, pois no Brasil a redução na produção de soja foi de 1,2%. O Estado de Goiás produziu, na safra de 2016/2017, 10.239,4 mil toneladas de soja, o que corresponde a 21,7% da produção da região Centro-Oeste e a 9,8% da produção nacional, respectivamente. Entretanto, essa produção obtida ficou aquém das perspectivas publicadas pela Aprosoja-GO no início do plantio das lavouras.


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Considerando os dados obtidos por mesorregião, a mesorregião Sul é a principal produtora da oleaginosa no estado com aproximadamente 75,63%, seguido pela Leste com 16,22%, Noroeste com 3,33%, Centro 2,84% e Norte com 1,98%. Os dados quantitativos de produção das 18 microrregiões existentes no estado, a região Sudoeste se destaca com aproximadamente 38% da produção, seguido pelo Entorno do Distrito Federal com 14,9% e Meia Ponte com 13,6%.

Para a interpolação dos dados, foram selecionadas as 5 microrregiões com maior produção dentre as 18 existentes no estado. Sendo assim para a produção foram consideradas as microrregiões: Sudoeste, Entorno do Distrito Federal, Meia Ponte, Catalão e Vale do Rio dos Bois, que juntas somam 7.743.340 toneladas e representam 91,82% da produção de soja no estado.

A primeira interpolação foi realizada com a classificação dos solos, onde são apontadas as principais classificações existentes. Dentre os tipos de solos presentes nas principais regiões produtoras de soja, vê-se que a maior ocorrência é de Latossolo com 47,7%, seguido por Cambissolo (16,1%), Argissolo (15,3%), Neossolo (15,2%) e Gleissolo (4,9%).

A segunda classificação foi realizada considerando os índices médios pluviométricos, neste caso foi utilizado o período de janeiro a dezembro. Foram utilizados os dados de 42 estações pluviométricas que se encontram dentro do perímetro da área em estudo (Figura 1). Como último índice de análise, foi confrontada a média de temperatura das regiões, onde foram observados os dados de 11 estações que englobam o perímetro da área. No caso da área delimitada inicialmente como sendo a maior produtora de soja, foi identificada uma diferença de temperatura entre a região mais quente e mais fria de 5,9ºC (Figura 2).

Figura 1. Índices pluviométricos nas principais áreas de soja no estado de Goiás, na safra 2016/17.

Figura 2. Temperatura média nas principais áreas de soja no estado de Goiás, na safra 2016/17.

Concluindo que o estado de Goiás, concentra a produção de soja em 5 microrregiões que foram o cinturão da soja, com 92% nas microrregiões: Sudoeste, Entorno do Distrito Federal, Meia Ponte, Catalão e Vale do Rio dos Bois, alcançando a marca de 7.743.340 toneladas. Considerando os fatores físico-climáticos das regiões com maiores índices produtivos, constatamos que o principal tipo de solo é classificado como Latossolo, obtendo uma média pluviométrica mensal de 140 mm, e temperatura média de 22ºC, nas regiões destacadas como principais produtoras no estado de Goiás.

Referências

CARVALHO, J. R. P.; VIEIRA, S. R.; MORAN, R. C. C. P. Como avaliar similaridades entre mapas de produtividade. Embrapa Informática Agropecuária-Outras publicações técnicas (INFOTECA-E), 2001.

LAZZAROTTO, J. J.; HIRAKURI, M. H. Evolução e perspectivas de desempenho econômico associadas com a produção de soja nos contextos mundial e brasileiro. Londrina: Embrapa Soja, p. 46, 2010.

Informações dos autores:  

Acadêmico(a) Centro Universitário de Anápolis – UniEVANGÉLICA;

Professor de Agronomia, Centro Universitário de Anápolis – UniEVANGÉLICA.

Disponível em: Anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja. Goiânia – GO, Brasil.

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