Melhoria física do solo na semeadura e sua relação com a emergência de plantas daninhas

O objetivo deste trabalho é apresentar o efeito de uma estratégia de melhoria física do solo sem a presença de revolvimento em profundidade, e se isso ocasionou efeito nas plantas daninhas

Autores: Talison Roberto Maurer 1, Cesar Augusto Cansion2, Alisson Alves3, Paulo Henrique Conte3, Mariéli Hammel4, David Peres da Rosa5

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

RESUMO

O objetivo desse trabalho foi qualificar o efeito do sulcador com a emergência de plantas daninhas. O experimento foi realizado em 3 talhões de 0,5 hectares cada, tendo como tratamentos manejo do solo sob sistema plantio direto (SPD7) com sulcador com uma profundidade de 7 cm e um sistema de plantio direto (SPD11) com sulcador com a profundidade de 11 cm, e um sistema com cultivo mínimo com um subsolador (CM). Foram realizadas avaliações e identificações de plantas daninhas que emergiram em um área de 0,25m2 nos períodos de: pré-semadura, fechamento da entrelinha da cultura e após a colheita foi avaliada uma área, sendo feita a identificação e o número de espécies que ocupa o local e realizada uma avaliação da cultura com altura de planta, massa seca de raízes e produtividade.

Termos de indexação: Sulcador, Compactação, Emergência de Plantas daninhas

INTRODUÇÃO

Atualmente o Brasil possui cerca de 22 milhões de hectares que utilizam o sistema de semeadura direta, expectativa de aumento em decorrência da expansão da área agrícola nesse sistema. Isso deve-se as vantagens que esse sistema possui no modelo utilizado atualmente como a sustentabilidade agrícola, já que ocorre uma conservação dos recursos naturais. Voll et al 2003 afirmam que é necessária uma avaliação do controle de plantas em função de sua taxa de emergência das espécies presentes no banco de sementes e a viabilidade do sistema de semeadura direta e está correlacionado esse sistema como um método de controle de plantas daninhas.

Segundo José Miguel Reichert et al 2008, o sistema plantio direto vem enfrentando problemas relacionado com a compactação, a qual é caracterizada pela diminuição do volume do solo causada por uma compreensão, esta gera uma reorganização mais densa das partículas do solo que, como consequência, resulta na redução em sua porosidade total. O problema da compactação impacta diretamente no crescimento do sistema radicular, e a quantidade de água no solo que pode ser sentida em uma necessidade déficit hídrico tudo isso afeta a quantidade de massa verde e a produtividade.

A variação espacial das propriedades do solo, podem associadas a compactação em um campo agrícola e são fermentas utilizadas para definir as relações entre as propriedades do solo, realização de avaliações dos fatores que causam alteração dessas propriedades e realização de práticas e manejo mais apropriado para obter uma obter uma melhor produtividade

O objetivo deste trabalho é apresentar o efeito de uma estratégia de melhoria física do solo sem a presença de revolvimento em profundidade, e se isso ocasionou efeito nas plantas daninhas.

MATERIAL E MÉTODOS

Para a realização deste experimento foi escolhida uma área de produção do IFRS – Campus Sertão, sendo a mesma composta por 4,0 ha que foi dividida em três talhões, havendo sorteio das diferentes práticas e manejo do solo entre estes. Os tratamentos foram: sistema plantio direto com o sulcador atuando à uma profundidade de 0,07 m (SPD 7), testemunha; solo sob sistema de plantio direto com sulcador atuando a profundidade de 0,11 m (SPD 11), estratégia de melhoria física na semeadura; solo em cultivo mínimo realizado com um subsolador (CM). A subsolagem do cultivo mínimo foi realizada durante o mês de agosto de 2016, com um subsolador composto por chassi, roda delimitadora, 7 hastes e ponteiras subsolador e o restante das práticas foram realizadas no mês de outubro.

Avaliação das Propriedades Físicas do Solo:

Os talhões receberam diferentes manejos, sendo que a coleta das informações foi realizada num gride amostral de 0,5 há com 6 pontos amostrais. As informações coletadas foram as propriedades físicas do solo que sofrem sensibilidade com o processo de compactação sendo necessária saber a densidade do solo, porosidade total, densidade do solo e a resistência mecânica a penetração de raízes.

Avaliação de Incidência Plantas Daninhas

A quantificação do número de plantas daninhas que incidiram foi realizada através da contagem das plantas emergida em uma área de 0,25 m2, sendo feita a identificação e o número de espécies que ocupa o local. Essas avaliações foram realizadas nos períodos de: pré-semeadura, fechamento da entrelinha da cultura.

Avaliação da Cultura:

Para verificar o efeito das estratégias de melhoria do solo, visando manter o SPD, a massa seca de raízes e a produtividade. As coletas foram realizadas através da geração de malhas de amostragens, “grides”, dos talhões. Nos pontos amostrais foram mensurados através da coleta de quatro plantas, sendo que as raízes foi realizado abertura de uma trincheira e com auxílio de um ‘garfo’ fabricado pelo grupo de pesquisa desse projeto, extraiu-se a planta, após foi seccionada na base e encaminhada para o laboratório de Núcleo de Estudos de Solos e Máquinas Agrícolas (NESMA) da instituição para processamento, sendo lavagem das mesmas, encaminhamento para secagem a 60ºC com ventilação de ar forçada, permanecendo nesse até atingir massa constante.

Processamento de dados e Geração de Mapas:

Os parâmetros avaliados foram tabulados em planilha eletrônica, sendo estes processados através da geoestatística pelo software Campeiro 7®, empregado para fazer os mapas de isolinhas.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Pode-se analisar (Figura 1A, B, C) que a incidência de plantas daninhas (ICD) na primeira contagem de plantas daninhas que emergiram antes da semeadura, o sistema plantio direto com sulcador a 0,07 m (SPD7) foi menor índice de emergência (Figura 1B), seguidos pelo sistema de plantio direto com o sulcador à 0,11 m (SP11), mas ocorreu um aumento no número de plantas daninhas comparando com as figuras (B) o (A) onde teve maior índice de plantas daninhas isso pode ser explicado conforme explica . Gomes et al.2008 os efeitos físicos da cobertura morta podem ser atribuídos à filtragem da luz, à quantidade e qualidade do comprimento das ondas luminosas e à manutenção da temperatura com menores oscilações, ocasionando um aumento de plantas daninhas. Estes autores afirmam que a germinação e a emergência das plantas daninhas em plantio direto, devido à presença de resíduos vegetais sobre o solo, podem não ocorrer.

Dependendo da espécie de planta de cobertura e da quantidade de palhada existente sobre o solo, o controle das plantas daninhas pode ocorrer devido à liberação de compostos alelopáticos e/ou pelo efeito físico da palhada, associado com a inativação dos mecanismos de dormência ou com a formação de barreira física, impedindo a sobrevivência das sementes germinadas na superfície do solo, mas no sistema de plantio direto houve um número maior de plantas daninhas, outro fator que pode explicar a redução de plantas daninhas no plantio direto spd7 e a cobertura de palha tende favorecer a redução no início do crescimento ativo do embrião das sementes fotoblásticas positivas e de sementes que necessitam de alternância de temperatura para germinar (Paes & Rezende, 2001), com o sulcador a uma profundidade maior(C) houve um maior revolvimento expondo o banco de sementes e isso acarretou em uma maior emergência de plantas daninhas de maneira não tão grande como o subsolador(A) mas pode-se dizer que ouve significância quando comparado a 7cm (B) Segundo os autores Azevedo et al 2006 desvantagem do uso do subsolador além de não melhorar o solo desagrega e não é eficiente no controle de plantas daninhas diminuindo a sustentabilidade agrícola e elevando os custos.

Na segunda contagem houve uma redução das plantas daninhas em todos os sistemas isso pode ser explicado pela competição da cultura com as plantas daninhas, a redução mais significativa foi onde foi subsolado (D) isso pode se explicar por que era onde havia mais plantas daninhas, e nos outros (B) e (C) também houve uma redução, mas não tão significativa, concordando com Gomes et al 2008.

Figura 1 – Comparação da Primeira Contagem de Plantas daninhas no sistema convencional A, sistema plantio direto com sulcador à 7 cm B e sistema plantio direto sulcador 11 cm C e Comparação da Segunda Contagem de Plantas daninhas no sistema convencional D, sistema plantio direto com sulcador à 7 cm E e sistema plantio direto sulcador 11 cm F.

Observando a figura 2 verifica-se a produção de milho em Megagramas (Mg) por hectare(há) em 3 diferentes tratamentos, o primeiro tratamento figura 2 letra A é o sistema convencional que foi o que obteve-se maiores índices de produção, os menores índices foi segundo tratamento (B) e o terceiro tratamento (C) que obteve-se um pouco maio que o tratamento (B).Confirmando com os autores Silveira et al 2003 que constataram que a as maiores produtividades de milho durante o período de 6 anos foi com o solo preparado com arrado aiveca que é onde ocorre um alto revolvimento de solo como o subsolador e foi entre 9 e 7 % superior aos obtidos com o preparo do solo utilizando grade e no plantio direto, principalmente pela não ocorrência de compactação que se encontra quando se utiliza grade arradora e da compactação que ocorre no plantio direto. Em alguns experimentos conduzidos por Fernandes et al 2012 submeteram cafeeiros em 2009 a subsolagem onde constataram que houve uma superioridade de todos os tratamentos que foram subsolados em comparação as testemunhas mensurando o incremento em 26 a 65 % na média em três anos. Constatando que essa superioridade foi relacionada com a redução da compactação do solo com a pratica da subsolagem. Contradizendo os autores Possamai et al 2001 que afirmaram que obtiveram as maiores produtividades na semeadura direta e que este tratamento apresentou maiores populações de plantas e maior quantidade de espigas por hectare quando comparado aos tratamento de arrado de aiveca, arrado de discos, grade pesada e enxada rotativa.

Figura 2 – Comparação da Produção de milho em Mg.ha-1 no sistema convencional A, sistema plantio direto com sulcador à 7 cm B e sistema plantio direto sulcador 11 cm C.

De acordo com a figura 3 observa-se os dados de Massa Seca (MS) de raízes na cultura do milho mensurado em gramas, os maiores valores foram encontrados nos tratamentos (A) e (B) e os menores no (C) onde concordando com os autores Freddi et al 2007. Que possa ter havido uma possível restrição do crescimento radicular em razão da compactação do solo, sendo assim uma menor matéria seca radicular total podendo ser relacionada com uma menor disponibilidade hídrica e aeração do solo, restringindo a produtividade correlacionando a figura 2 com a figura 3 e afirmando que o cultivo mini (A) menos compactado tende a produzir mais que os spd 7(B) e spd 11(C).

Figura 3- Comparação da quantidade de MS de raízes de milho em gramas por planta no sistema convencional A, sistema plantio direto com sulcador à 7 cm B e sistema plantio direto sulcador 11 cm.

CONCLUSÕES

Pode comprovar-se que quanto maior for o revolvimento do solo maior é o número de plantas daninhas que emergem mesmo que esse revolvimento seja pelo sulcador da semeadora e a compactação é um problema e deve ser evitada.

REFERÊNCIAS

AZEVEDO, C.L.L.; CARVALHO, J.E.B. de; COELHO FILHO, M.A. Efeitos de métodos integrados de controle de plantas infestantes sobre a produtividade de mamão ‘Tainung 1’ no município de Rio Real – BA. 2006.

BARIK, K., AKSAKAL, E. L., ISLAM, K. R., SARI, S., & ANGIN, I. Spatial variability in soil compaction properties associated with field traffic operations. Catena, 120, 122-133.2014

EMBRAPA. Manual de métodos de análise de solo. Rio de Janeiro: 2. ed. rev. atual. EMBRAPA, 212 p., 1997.

FERNANDES, A.L.T; SANTINATO, F; SANTINATO, R. Utilização da subsolagem na redução da compactação do solo para produção de café cultivado no cerrado mineiro. Enciclopédia Bioesfera, Centro Científico Conhecer, Goiânia, v. 8, n. 15, p. 1648, 2012.

FREDDI, O. D. S., CENTURION, J. F., BEUTLER, A. N., ARATANI, R. G., LEONEL, C. L.. Compactação do solo no crescimento radicular e produtividade da cultura do milho. Revista Brasileira de Ciência do Solo, 627- 636.2007.

GOMES JR, F. G., & CHRISTOFFOLETI, P. J. Biologia e manejo de plantas daninhas em áreas de plantio direto. Planta daninha, 26(4), 789-798.PAES, J. M. V., and AM de Rezende. 2008

POSSAMAI, J., SOUZA, C., MARCIANO, D., CARDOSO GALVÃO, J. C. Sistemas de preparo do solo para o cultivo do milho safrinha. Bragantia, 60(2).” Informe Agropecuário 22.208 (2001): 37-42.

SILVEIRA, Pedro M.; STONE, L. F. Sistemas de preparo do solo e rotação de culturas na produtividade de milho, soja e trigo. Rev. bras. eng. agríc. ambient., v. 7, n. 2, 2003.

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VOLL, E.; ADEGAS, F. S.; GAZZIERO, D. L. P.; BRIGHENTI, A. M.; DE OLIVEIRA, M. C. N. Amostragem do banco de semente e flora emergente de plantas daninhas. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 38, p. 211-218, 2003.

Informações dos autores:  

1 Acadêmico do curso de Agronomia do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS) – Campus Sertão, Sertão–RS, Bolsista BICTES-IFRS, Núcleo de Estudos em Solos e Máquinas Agrícolas;

2Acadêmico do curso de Agronomia do IFRS – Campus Sertão, voluntário do Núcleo de Estudos em Solos e Máquinas Agrícolas.

3 Acadêmico do curso de bacharel em Agronomia, do IFRS – Campus Sertão, Sertão–RS, Bolsista PIBITI/CNPq/IFRS, Núcleo de Estudos em Solos e Máquinas Agrícolas, IFRS – Campus Sertão, Sertão – RS,

4Estudante do curso Técnico em Agropecuária integrado ao Ensino Médio, do IFRS – Campus Sertão.

5Professor do IFRS – Campus Sertão, Sertão – RS, Núcleo de Estudos em Solos e Máquinas Agrícolas.

Disponível em: Anais do XXX CONGRESSO BRASILEIRO DE AGRONOMIA, Fortaleza – CE, Brasil,2017.

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