Este trabalho teve por objetivo avaliar e monitorar a buva com indicativo de resistência ao herbicida paraquat no Oeste do Estado do Paraná.

Esse trabalho foi premiado no VIII Congresso Brasileiro de Soja como melhor trabalho técnico-científico, na categoria profissional 

Autores: ALBRECHT, A.J.P.1; ALBRECHT, L.P. 1; PELLIZZARO, E.C.2; LORENZETTI, J.B.1; DANILUSSI, M.T.Y.1

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

As plantas daninhas exercem importante papel na interferência ao bom desenvolvimento de uma cultura agrícola, como a soja, sendo no momento de sua instalação, crescimento, desenvolvimento, tratos culturais ou colheita. Outro fator importante relacionado às plantas daninhas é sua característica de apresentar biótipos resistentes a herbicidas. A buva é uma das espécies daninhas mais importantes nas lavouras de soja e milho no oeste do Paraná.

A buva (Conyza spp.) pertencente à família Asteraceae, encontrada em praticamente todo o mundo, sendo uma planta dicotiledônea anual que se reproduz por sementes que germinam no outono e inverno (Owen et al. 2009). No Brasil são registradas até o momento três espécies, sendo elas: Conyza bonariensis, Conyza canadensis e Conyza sumatrensis.

A redução da produtividade da soja causada por populações de buva foi testada por Gazziero et al. (2010), este experimento demonstrou que populações baixas de buva, 4,7 plantas.m-2, já ocasionaram perda expressiva diminuindo a produtividade em 672 kg ha-1 ou 23%. Populações altas, como 16 plantas.m-2 causaram redução de 1174 kg ha-1 ou 41% e 18 plantas.m-2 reduziram 1469 kg ha-1 ou 48% em relação a testemunha, no Município de Campo Mourão.


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Os primeiros casos registrados de resistência à herbicida do gênero Conyza spp. ocorreram em 1980, no Japão e Taiwan, na espécie C. canadensis com resistência ao paraquat, inibidor do fotossistema I (Heap, 2018a).

Desde então, a C. canadensis está presente em 18 países apresentando 64 casos de resistência a cinco mecanismos de ação. A C. bonariensis se espalhou por 12 países e possui 20 casos de resistência a quatro mecanismos de ação. E a C. sumatrensis, apresenta 15 casos de resistência a quatro mecanismos de ação em oito países (Heap, 2018a).

No Brasil o primeiro caso registrado foi de resistência ao mecanismo de ação de inibidor da EPSPs, nas espécies de C. bonariensis e C. canadensis, em 2005. No ano de 2010 encontrou-se a mesma resistência na espécie de C. sumatrensis, nessa espécie, em 2011 identificou-se resistência ao grupo dos inibidores da ALS e resistência múltipla aos inibidores da ALS e EPSPs (Heap, 2018a). Em 2016 foi registrada resistência ao inibidor do fotosistema I (Heap, 2018b) e, em 2017, aos inibidores da Protox (Heap, 2018c), e ainda mais recentemente foi comprovada a resistência múltipla para ALS, EPSP e fotosistema I em C. sumatrensis (Heap, 2018d). Isso demostra a grande problemática causada por esta espécie infestante o potencial problema que existe para os próximos anos.

Assim, este trabalho teve por objetivo avaliar e monitorar a buva com indicativo de resistência ao herbicida paraquat no Oeste do Estado do Paraná.

Para tanto, foram realizadas faixas de aplicação em áreas diagnosticadas como suspeitas. Foi efetuado a aplicação de paraquat na dose de bula (400 g a.i ha-1) e uma testemunha sem aplicação. Para aplicar o herbicida foi utilizado pulverizador costal, pressurizado com CO2, munido com bicos tipo leque e pontas 110.015, e volume de calda equivalente a 200 L ha-1.

Para obter as frequências estimadas nas faixas de aplicação de paraquat na dose de bula, em condições ambientais favoráveis, foi avaliado o número de plantas não controladas, apresentando de 6 a 10 folhas (de 4 a 8 cm), antes e depois da aplicação. Em algumas áreas foi possível fazer uma segunda aplicação de paraquat para confirmação do comportamento e em outras áreas, plantas que permaneceram sem sintomas foram coletadas, cultivadas em casa de vegetação e receberam nova aplicação após um mês. As que sobreviveram e produziram sementes, tiveram suas sementes coletas (F1) para realização de curvas de dose resposta.



Foram elaboradas as Figuras 11 e 12, que visam demonstrar áreas na Região Oeste do Estado do Paraná, com forte indicativo de C. sumatrensis resistente a paraquat. Observa-se que até o momento, nenhuma área foi identificada com 100% das plantas de buva com indicativo de resistência ao herbicida paraquat, o máximo encontrado foi frequência de plantas com indicativo de resistência próximo a 50%, em somente uma das áreas estudadas.

Figura 1. Demonstração de áreas na Região Oeste do Estado do Paraná com indicativo de C. sumatrensis resistente ao herbicida paraquat. Paraná, safra 2017/18. Obs.: imagem adaptada e formatada a partir do Google Maps.

Figura 2. Mapa ampliado demonstrando áreas na Região Oeste do Estado do Paraná, com indicativo de C. sumatrensis resistente ao herbicida paraquat e suas frequências estimadas. Paraná, safra 2017/18. Obs.: imagem adaptada e formatada a partir do Google Maps.

Pode-se desta forma, notar que a dispersão ainda está em um momento inicial (Figura 1 e 2), porém tende a aumentar com velocidade devido às características de grande dispersão da planta. Vale também destacar que este é um indicativo de resistência, realizado de forma prática e rápida, pois para comprovar a resistência será necessário testar a herdabilidade, entre outros fatores exigidos como critérios para confirmação de resistência.

Considera-se que na execução do monitoramento de resistência da buva a herbicidas que prosseguirá, estão envolvidos pesquisadores da UFPR, produtores rurais, engenheiros agrônomos da extensão rural, HRAC-BR (Associação Brasileira de Ação à Resistência de Plantas Daninhas aos Herbicidas), iniciativa pública e privada, acadêmicos de graduação e pós-graduação.

Referências

GAZZIERO, D. L. P.; ADEGAS, F. S.; VOLL, E.; VARGAS, L.; KARAM, D.; MATALO, M. B.; CERDEIRA, A. L.; FORNAROLLI, D. A.; OSIPE, R.; SPENGLER, A. N.; ZOIA, L. Interferência da buva em áreas cultivadas com soja. In: CONGRESSO BRASILEIRO DA CIÊNCIA DAS PLANTAS DANINHAS, 27., 2010, Ribeirão Preto. Responsabilidade social e ambiental no manejo de plantas daninhas: [anais]. Ribeirão Preto: SBCPD, 2010. p. 1555-1558. 1 CD-ROM.

HEAP I. The International Survey of Herbicide Resistant Weeds. 2018a. Disponível em: <http://www.weedscience.org/Summary/Country.aspx?CountryID=5> Acessado em: 28/08/2017.

HEAP I. The International Survey of Herbicide Resistant Weeds. 2018b. Disponível em: <http://www.weedscience.org/Details/Case.aspx?ResistID=16082> Acessado em: 01/04/2018.

HEAP I. The International Survey of Herbicide Resistant Weeds. 2018c. Disponível em: <http://www.weedscience.org/Details/Case.aspx?ResistID=17099> Acessado em: 01/04/2018.

HEAP I. The International Survey of Herbicide Resistant Weeds. 2018d. Disponível em: <http://www.weedscience.org/Details/Case.aspx?ResistID=17102> Acessado em: 01/04/2018.

OWEN, L. N.; STECKEL, L. E.; KOGER, C. L.; MAIN, C. L.; MUELLER, T. C. Evaluation of spring and fall burndown application timings on control of glyphosateresistant horseweed (Conyza canadensis) in no-till cotton. Weed Technology, v.23, p.335-339, 2009.

Informações dos autores:  

1Universidade Federal do Paraná – UFPR, Setor Palotina, Palotina, PR;

2C.Vale – Cooperativa Agroindustrial.

Disponível em: Anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja. Goiânia – GO, Brasil.

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