Monitoramento de pulgões e parasitóides em aveia nas condições edafoclimáticas de Independência-RS, 2016

Para aperfeiçoar o controle de afídeos realizou-se um estudo buscando identificar as principais espécies de afídeos que ocorrem na cultura da aveia na região de Três de Maio (RS)

Autores: Greici Cegelka de Vargas¹, Cinei Teresinha Riffel2, Marcos Caraffa3, Lucas dos Santos Bonamigo4

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

A cultura da aveia (Avena sativa L.) é atacada por diversas espécies de insetos, como lagartas, brocas e em especial os pulgões, que por participarem do complexo do vírus do nanismo amarelo da cevada (VNAC), devem receber atenção especial dos produtores. Gallo et al. (2002) ressaltam que de modo geral, os pulgões provocam o amarelecimento da superfície foliar, podendo em muitos casos, dar origem a plantas raquíticas e mesmo levá-las à morte, sendo que os maiores prejuízos resultam da transmissão do VNAC.

Esta cultura é atacada por diversas espécies de afídeos, sendo os mais frequentes, por ordem de importância (maior incidência) o pulgão-da-aveia (Rhopalosiphum padi), o pulgão-verde-dos-cereais – Schizaphis graminum, o pulgão-da- espiga – Sitobion avenae e o pulgão-da-folha – Metopolophium dirhodum (Salvadori e Pereira, 2006).

Estas pragas podem ser controladas utilizando-se do controle químico e biológico através da liberação de insetos predadores e parasitóides. A rotação de culturas aliada ao Manejo Integrado de Pragas (MIP) auxilia na redução da incidência de insetos pragas e permanência da população de inimigos naturais. As lavouras devem ser monitoradas para aferir a necessidade de efetuar controle químico.

Para aperfeiçoar o controle de afídeos realizou-se um estudo buscando identificar as principais espécies de afídeos que ocorrem na cultura da aveia na região de Três de Maio (RS).

O estudo foi conduzido na Escola Fazenda da Faculdade de Três de Maio –SETREM no município de Independência (RS) e na Área Experimental/Campus SETREM no município de Três de maio (RS). O período de avaliação compreendido entre agosto (instalação das armadilhas), e outubro no ano de 2016. Foram instaladas armadilhas em três locais, duas na Escola Fazenda (A1 e A2) e uma na Área Experimental da SETREM (A3).


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As armadilhas (A1, A2 e A3) foram compostas por recipientes pintados externamente de cor escura e internamente de amarelo. Para a captura dos pulgões alados foi elaborada uma solução padrão contendo 20 litros água mais 100 ml de Formaldeído Solução 37% PA- LITRO e 5 ml de glicerina. A solução foi despejada em bandejas de chapa galvanizada medindo 50 cm de comprimento x 32 cm de largura x 8 cm altura, com capacidade volumétrica de dois litros. Semanalmente o material contido nas armadilhas foi coletado, peneirado e acondicionado em potes devidamente identificados e levados ao laboratório para identificação.

O manejo das áreas monitoradas adota os princípios do Manejo Integrado de Pragas. Após realização da contagem dos indivíduos e a identificação dos pulgões e parasitóides, os dados foram tabulados e efetuou-se gráficos no programa Microsoft® Excel. Foram diagnosticadas três espécies de pulgões nas lavouras de aveia Rhopalusiphum padi, Schizaphis graminum e Sitobion avenae totalizando um número de 367 indivíduos capturados no período avaliado.

Observando a Figura 1, todas as espécies ocorrem simultaneamente em todas as áreas, no entanto S. avenae, teve um número maior de indivíduos presentes (230 indivíduos). Salvadori & Salles (2002) relatam que S. avenae é a espécie que ocorre em maior abundância na região noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, estando de acordo com este trabalho. A espécie S. graminum, foi observada em menor densidade populacional, apenas 57 indivíduos no total durante o período avaliado nas diferentes armadilhas.

Figura 1. Flutuação populacional de afídeos na cultura da aveia safra de 2016.

Em relação ao R. padi Silva et al. (2004), em Cruz Alta, registraram uma frequência de 75% de R. padi em trigo. Já Machado et al. (2013) em observação direta encontraram está espécie com uma frequência de 8,3% divergindo dos dados do presente trabalho que indicam uma frequência de 21,5% de R. Padi, com a divergência podendo ser explicada por se tratar de diferentes culturas. No presente estudo a espécie S. graminum apresenta uma frequência de 15,6%, sendo o menos frequente, a espécie S. Avenae com frequência de 62,7% indivíduos presentes durante todo o período avaliado.

A espécie de inimigo natural que esteve presente em todas as amostragens foi a Aphidius sp. (Figura 2). Sua flutuação segue a flutuação dos pulgões, ou seja aumenta a população de pulgões aumenta a população do inimigo natural. Dado semelhante foi verificado por Zanini et al. (2006) que afirmam que o índice de parasitismo tende a se elevar com o aumento da população de pulgões em função da relação parasitóide-hospedeiro.

Figura 2. Flutuação populacional de parasitóides na cultura da aveia safra de 2016.

Assim sendo o presente estudo indicou o predomínio da espécie de pulgão S. Avenae e os principais parasitóides espécies do gênero Aphidius sp. Os resultados apontam para a importância do monitoramento correto das áreas e do reconhecimento das espécies de pulgões bem como de seus inimigos naturais para a região objeto do estudo.

Referências

Pesquisa Brasileira de Aveia, 34, 2014. Indicações técnicas para a cultura da aveia. 2014.
Passo Fundo. UPF. ISBN 978-85-7515-835-7.

GALLO, D. Entomologia Agrícola. 2002. Piracicaba. EALQ. ISBN 85-7133-011-5.

MACHADO, C.C.L.; SANTOS, R.S.S. Pulgões do trigo e ação de parasitoides em Augusto Pestana, noroeste do estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Revista Brasileira de Agroecologia. v.184 n.8: p.179-186, 2013.

SALVADORI, J. R., PEREIRA, P. D. S., & VOSS, M. Controle biológico de pragas do trigo. Embrapa Trigo-Capítulo em livro científico (ALICE), 2006.

SALVADORI, J.R.; SALLES, L.A.B. Controle biológico dos pulgões do trigo. In: PARRA, J.R.P.; BOTELHO, P.S.M; CORRÊA FERREIRA, B.S; BENTO J.M.S. Controle biológico no Brasil: Parasitóides e predadores. São Paulo: Manole, p.427-447, 2002.

SILVA, M.T.B.; CORRÊA, E.C.; BALARDINET, R.S. Reação de cultivares e eficiência do controle químico de pulgões vetores do Barley yellow dwarf vírus em trigo. Ciência Rural, Santa Maria, v.34, n.5, p.1333-1340, 2004.

ZANINI, A.; ALVES, L.F.A.; MENEZES JÚNIOR, A.O.; PRESTES, T.M.V. Aspectos ecológicos de Aphidius colemani Viereck (Hymenoptera: Aphidiidae) sobre a população de Sitobion avenae (Fabricius) (Hemiptera: Aphididae) na cultura de trigo em Medianeira, PR. Semina: Ciências Agrárias, v.27, n.2, p.185-198, 2006.

Informações dos autores:  

¹ Estudante de agronomia, Sociedade Educacional Três de Maio (SETREM), Três de Maio,  RS;

2 Eng. Agr., Doutora Professora da Faculdade de Agronomia, SETREM;

3 Eng. Agr., Mestre Professor da Faculdade de Agronomia, SETREM;

4 Estudante de agronomia, Faculdade de Agronomia,SETREM.

Disponível em: Anais do XXXVIII REUNIÃO DA COMISSÃO BRASILEIRA DE PESQUISA DE AVEIA, Ijui – RS, Brasil, 2018.

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