Na Argentina, preço do milho valoriza-se mais que o da soja na última semana

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A necessidade de originar mercadorias para completar a carga programada de navios dos portos da Gran Rosario aumentou o valor do milho no mercado Argentino durante a semana. A partir de quinta-feira, o valor de referência da Câmara de Arbitragem registrou um aumento semanal de 2% até $ 4.080/t, enquanto para a soja o preço de  $ 7.100/t está localizado 1,05% abaixo da semana anterior .

O aumento dos preços oferecidos pelo cereal permitiu sustentar um alto nível de atividade nas dependências da BCR. Também destaca uma ampla gama de negociações para o milho, que chega até julho do ano que vem dando a possibilidade ao setor produtor de enfrentar os próximos plantios com maior certeza do que esperar em termos de preços.

Para o caso da oleaginosa, a fluidez das transações é afetada no segmento disponível pelas complicações geradas pelas chuvas das últimas semanas, e a volatilidade nos mercados financeiros. Por outro lado, embora os produtores exijam um preço melhor para comercializarem sua soja, a margem da indústria não aumentou muito na última semana,e por isso há dificuldade por parte das mesmas em melhorar suas ofertas.

Fonte: BCR

Em relação às chuvas, elas atrasam a colheita da soja e do milho, aumentando sua exposição às doenças do final do ciclo e dificultando o trânsito nas estradas rurais. Nesse sentido, um relatório de qualidade sobre 119.000 toneladas de soja analisadas pela Câmara de Arbitragem de Rosário informou nesta semana que 42,5% ultrapassaram o limite de tolerância de grãos verdes que é de 10%. Em média, a incidência destes é a maior desde a safra de 2010/11, como mostra o gráfico em anexo.

Fonte: BCR

Em relação ao milho, dado que as variedades tardia e secundária foram as mais afetadas pelas condições de seca do verão austral, teme-se que as condições atuais continuem a afetar mais talhões, ao mesmo tempo em que exponha a planta a surto de doenças que afetam a qualidade do grão.

Simultaneamente, o milho safrinha no Brasil concentra a atenção dos operadores globais devido a seca nas região produtoras do país. Entre os estados do Paraná e sul de Mato Grosso do Sul, as condições continuaram a se deteriorar durante a semana, subtraindo o potencial produtivo da safrinha brasileira. O mapa anexo preparado pelo USDA mostra a evolução das condições de seca na região durante o mês de abril, destacando a gravidade da situação em uma das principais regiões produtoras.

Fonte: BCR

Se a América do Sul fornecer menos milho do que o esperado entre os meses de julho e agosto, a pressão sobre a oferta dos EUA aumenta e, consequentemente, a apreciação relativa do cereal durante a semana em relação à soja. A partir de quinta-feira, o futuro mais próximo do milho no mercado de Chicago mostrou uma tendência praticamente lateralizada, enquanto a soja perdeu 3% de seu valor na última semana.

Deve-se ter em mente, como o USDA divulgou esta semana, que os próprios Estados Unidos estão se preparando para plantar menos milho do que a soja pela primeira vez em sua história, dando mais argumentos para o apoio relativo do cereal. Conforme divulgado, a área coberta nos EUA com milho totalizariam 35,6 M ha, enquanto a soja seria plantada com 36,0 M ha.

Fonte: BCR

No caso do milho, na safra 2018/19 nos EUA a queda na produção será proporcional à queda do consumo, o que ajustaria o nível de estoques em relação à campanha atual. Em nível global, o cenário é semelhante, mas a queda nos estoques finais foi maior do que a esperada pelos preços de suporte do mercado.

Fonte: Adaptado de Bolsa do Comércio de Rosário

Tradução: Equipe Mais Soja

Texto originalmente publicado em:
Bolsa do comércio de Rosário
Autor: BCR

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