Por: Prof. Dr. Argemiro Luís Brum

Apoiados em uma Constituição, toda remendada, que oferece muitos privilégios e poucos deveres, uma minoria de brasileiros, encastelados em postos estatais em geral, desde o Executivo até às empresas públicas, desde a União até os menores municípios, usa o poder em seu favor, via decisões administrativas e econômicas que penalizam todos os demais milhões de cidadãos deste país.

Os poucos encaminhamentos no sentido de corrigir a situação, no caso da União o Teto do Gasto Público e as Reformas Estruturais, ou não acontecem, ou são inibidos por leis anacrônicas. Assim, para tentar cumprir a chamada meta fiscal, o governo, ao invés de cortar em sua estrutura de pessoal e salarial, historicamente inchada e ineficiente, se vê impedido (e pouco interessado) em agir, sobrando a possibilidade de cortes em esferas que comprometem o futuro do país (como, aliás, já vem ocorrendo nas últimas décadas), a saber: educação; saúde e infraestrutura.

A redução drástica de investimentos nestas áreas (e em outras tantas) a cada dia afunda o país no subdesenvolvimento, estimulando a população, e particularmente nossos jovens, a deixarem definitivamente o país. Esta fuga de cérebros, pois geralmente são os melhor formados que nos deixam, é um desastre. Neste início de agosto mais uma pedra nesta incompetência gerencial nacional veio compor a construção deste desastre.

O anúncio de que 440.000 bolsas de estudos, em todas as áreas, podem ser cortadas em 2019 por falta de verbas públicas. Aliás, a verba anual da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) já recuou de R$ 5,08 bilhões em 2014 para R$ 3,98 bilhões em 2018. Se isso vier a ocorrer, o prejuízo para a pesquisa, a ciência, a inovação tecnológica e o desenvolvimento nacional será de, no mínimo, 30 anos.

Teremos mais uma geração de brasileiros perdida de forma irreversível, além de o próprio país atrasar por mais algumas décadas. Isso, se já não bastasse termos 7,2% de brasileiros analfabetos na faixa de 15 anos ou mais e 51% da população de 25 anos ou mais com apenas o Ensino Fundamental completo (grande parcela, analfabeta funcional). Na área da saúde, nos faltam hospitais equipados, remédios, aparelhos para tratamentos especializados, médicos e políticas adequadas de prevenção (não basta destinar volumes de recursos, muitos dos quais sequer saindo do papel, se não soubermos utilizá-los corretamente).

Na previdência social, os déficits se acumulam e o país está a ponto de não poder mais sustentá-la sem comprometer as demais áreas sociais, já havendo data para que nem mesmo possa mantê-la. Estudos da CNI e da OCDE mostram que se uma adequada reforma previdenciária fosse, hoje, realizada no Brasil, economizaríamos R$ 1 trilhão até 2028. Com esse montante, poderíamos construir 221.600 escolas ou 40.700 hospitais, além de equipá-los e pagando melhor seus profissionais. (segue)

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Fonte: Prof. Dr. Argemiro Luís Brum (Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.

Texto originalmente publicado em:
Ceema
Autor: Prof. Dr. Argemiro Luís Brum

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