Ocorrência de mosca-branca em soja e hortícolas no Sul do Brasil aumenta na safra 2017/18

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Foto: Prof. Jonas Arnemann - UFSM

A mosca-branca do gênero Bemisia (Hemiptera: Aleyrodidae) compreende um complexo de espécies crípticas, com amplo espectro de hospedeiros vegetais e alto potencial de dano. No Brasil, a mosca-branca ataca culturas de importância econômica estratégicas para o país, como algodão, soja, feijão e olerícolas. Na cultura da soja, as perdas em decorrência do ataque dessa praga têm preocupado os produtores devido ao seu alto potencial de dano. Historicamente a mosca-branca ocorre em todos os estados brasileiros, e nesta safra no Rio Grande do Sul estão sendo observadas altas infestações em diversas lavouras de soja, como nos municípios de Independência, Cruz Alta, Santa Maria, Santa Cruz do Sul, entre outros (Figuras 1 e 2 – Adultos de mosca-branca em folíolo de soja. Safra 2017/18, Santa Cruz do Sul. Créditos: Leonardo Patias, Molecular Insect Lab/UFSM.).

Figura 1.

Com elevada taxa de oviposição, realizada preferencialmente na face de baixo de folíolos da soja, a mosca-branca tem elevado potencial biótico. Após a eclosão das ninfas de primeiro instar, as mesmas se locomovem pelo folíolo até encontrarem um local favorável ao seu desenvolvimento, onde inserem o seu estilete e iniciam a sua alimentação. Ao se alimentar, as ninfas (que passam por 4 estágios de desenvolvimento até a emergência do adulto) injetam toxinas na planta e secretam uma substância açucarada, denominada honeydew, que favorece o desenvolvimento de fungo Capnodium sp. (conhecido comumente como fumagina) sobre as folhas, reduzindo a taxa fotossintética da planta. Além disso, os adultos de mosca-branca são vetores de diversas viroses, visto que ao se alimentarem de uma planta doente, adquirem o vírus e o transmitem às demais plantas. O manejo de mosca-branca na maioria das culturas é feito utilizando inseticidas biológicos e químicos.

Figura 2.

Especialmente no Sul do Brasil, onde a ocorrência mais ampla e em altas densidades é recente, pesquisas sobre identificação de espécies, amostragem, monitoramento, danos e manejo de mosca-branca são necessárias para estabelecer as bases de manejo dessa praga. Frente a isso, a equipe do Molecular Insect Lab da Universidade Federal de Santa Maria, coordenado pelo Prof. Jonas Arnemann, desenvolve pesquisas com o objetivo de identificar as espécies de Bemisia tabaci presentes na região, desenvolver metodologia de amostragem, monitoramento e avaliar a eficiência de inseticidas biológicos e químicos no controle de mosca-branca em diversas culturas, especialmente em soja (Figura 3 – Instalação de experimentos de avaliação da eficiência de inseticidas biológicos e químicos no controle de mosca-branca em soja. Safra 2017/18, Santa Cruz do Sul. Créditos: Leonardo Patias, Molecular Insect Lab/UFSM.) e olerícolas (Figura 4 –  Instalação de experimentos de avaliação da eficiência de inseticidas biológicos e químicos no controle de mosca-branca em tomateiro. Safra 2017/18, São José do Hortêncio. Créditos: Rafel Paz Marques, Molecular Insect Lab/UFSM. ).

Figura 3.
Figura 4.

O desenvolvimento desses projetos pelo Molecular Insect Lab conta com colaboração de diversas instituições e pesquisadores, além de inúmeros Produtores e Técnicos da área da proteção de plantas, dos quais destacam-se:

  • Laboratório de Manejo Integrado de Pragas (LabMIP/UFSM), coordenado pelo Prof. Dr. Jerson Guedes.
  • Manejo Inteligente em Tecnologia de Aplicação (MITA/UFSM), coordenado pelo Prof. Dr. Adriano Melo.
  • Grupo de Pesquisa em Resistência de Insetos (G-PRI/UFSM), coordenado pelo Prof. Dr. Oderlei Bernardi.
  • Prof. Dr. Lindolfo Storck (suporte estatístico aplicado à Entomologia).
  • Colégio Politécnico da UFSM.
  • EMATER-ASCAR, Regional de Lajeado e Santa Maria.
  • AGRUM Agrotecnologias Integradas LTDA.
  • NUFARM.
  • FT Sementes.
  • CSIRO/Austrália.

Texto: Professor Jonas Arnemann – Universidade Federal de Santa Maria/UFSM

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