O objetivo da pesquisa foi avaliar as alterações sobre a nodulação e produtividade de grãos de soja, co-inoculadas com diferentes bactérias e diferentes métodos de inoculação.

Autores: Lucas Allan Bruning1, Marlo Adriano Bison Pinto1, Glauber Monçon Fipke1, Dionatas Rodrigues1, Luan Felipe Bortoli1 e Thomas Newton Martin1

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

Na cultura da soja, a fixação biológica de nitrogênio (FBN) é capaz de suprir até 94 % da exigência da cultura, mesmo para expectativas de altas produtividades (MENDES & HUNGRIA, 2014). O processo de FBN ocorre a partir da simbiose entre plantas de soja e bactérias do gênero Bradyrhizobium, as quais colonizam o sistema radicular e formam nódulos, responsáveis por extrair o nitrogênio da atmosfera e transformá-lo em uma forma assimilável para as plantas (HUNGRIA et al., 2007).

Embora a FBN seja realizada predominantemente pelas bactérias do gênero Bradyrhizobium, outras associações ganham destaque na eficiência do uso do nitrogênio, como é o caso das bactérias do gênero Azospirillum, que ao serem co-inoculadas nas sementes proporcionam benefícios para a cultura, como a produção de hormônios de crescimento (TIEN et al., 1979), e solubilização de fosfatos (HUNGRIA et al., 2013).

 

Nesse sentido, o objetivo da pesquisa foi avaliar as alterações sobre a nodulação e produtividade de grãos de soja, co-inoculadas com diferentes bactérias e diferentes métodos de inoculação.

A pesquisa foi conduzida a campo, na área experimental do departamento de fitotecnia da Universidade Federal de Santa Maria, na safra agrícola 2017/2018. O clima local, segundo a classificação de Köeppen, é do tipo Cfa (PEEL et al., 2007) e o solo da área é classificado como Argissolo Vermelho distrófico arênico (EMBRAPA, 2013). A cultivar BMX ícone IPRO foi semeada no dia 28 de novembro de 2017, em densidade de 16,7 sementes m-1 e 370 kg ha-1 da fórmula NPK 00-23-30 na adubação de base. O delineamento utilizado foi de blocos ao acaso com quatro repetições, em unidades experimentais de 17,43 m2.

A pesquisa constituiu-se de 13 tratamentos, sendo eles: T1- testemunha, sem inoculação e 0 % da adubação nitrogenada; T2- sem inoculação e com 100% da adubação nitrogenada (50 % na base e 50 % aos 35 dias após a emergência); T3 – inoculação com Bradyrhizobium via inoculante turfoso (80g/50 kg de sementes) e 0 % da adubação nitrogenada; T4 – inoculação com Bradyrhizobium via inoculante líquido (100 ml/50 kg de sementes) e 0 % da adubação nitrogenada. T5 – co-inoculação de Bradyrhizobium via inoculante líquido e Azospirillum brasilense e 0 % da adubação nitrogenada; T6 – coinoculação de Bradyrhizobium via inoculante líquido e Pseudomonas fluorescens (100 ml/50 kg de sementes) e 0 % da adubação nitrogenada; T7 – co-inoculação de Bradyrhizobium via inoculante líquido e accelerate fertility (150 ml/50 kg de sementes) e 0 % da adubação nitrogenada; T8 – co-inoculação de Bradyrhizobium via inoculante líquido e bacillus subtilis (50 ml/50 kg de sementes) e 0 % da adubação nitrogenada; T9 – co-inoculação de Bradyrhizobium via inoculante líquido e bacillus subtillis (100 ml/ha aplicado no sulco de semeadura com volume de 150 litros de calda) e 0 % da adubação nitrogenada; T10 – co-inoculação de Bradyrhizobium via inoculante líquido e Bacillus subtillis (300 ml/ha pulverizados no estádio V3 com 150 litros de calda) e 0 % da adubação nitrogenada; T11 – co-inoculação de Bradyrhizobium via inoculante líquido e acelerate max (15 ml/50 kg de sementes) e 0 % da adubação nitrogenada; T12 – co-inoculação de Bradyrhizobium via inoculante líquido e acelerate max (50 ml/ha aplicado no sulco de semeadura com 150 litros de calda) e 0 % da adubação nitrogenada; T13 – co-inoculação de Bradyrhizobium via inoculante líquido e bacillus pumilus (50 ml/ha aplicado no sulco de semeadura com 150 litros de calda).

As variáveis avaliadas foram número de nódulos por planta (retirada de 4 plantas por parcela, destacamento das raízes e contagem dos nódulos no estádio de desenvolvimento R1), massa seca de nódulos (determinação da massa após secagem até peso constante e pesagem), massa seca de parte aérea (retirada de quatro plantas por parcela, secagem até massa constante e pesagem no estádio de desenvolvimento R1) e, produtividade de grãos (pesagem, correção da massa para 13% de umidade e transformação dos valores para quilogramas por hectare).

Foi realizada análise de variância (Teste F) e para as variáveis que apresentaram significância utilizou-se o procedimento complementar de comparação múltipla de médias Tukey. Utilizou-se o grau de significância de 5% de probabilidade de erro. O Software utilizado foi o SISVAR (FERREIRA, 2011).

Tabela 1. Resumo da análise de variância para verificação do efeito do tratamento biológico de sementes sobre a variável número de nódulos (NN), massa seca de nódulos (MSN), massa seca de parte aérea (MSPA) e produtividade de grãos (PG).

Não foi observado significância para as variáveis número de nódulos por planta e massa seca de nódulos entre os tratamentos (tabela 1). O número médio de nódulos foi 102 por planta, sendo os maiores e menores valores observados, respectivamente, onde recebeu Bradyrhizobium no tratamento de sementes e Bacillus pumilus no sulco de semeadura(T13) e onde recebeu Bradyrhizobium no tratamento de sementes junto de Accelerate max no sulco de semeadura (T12) . A massa seca de nódulos média ficou em 0,246 g por planta, com os maiores e menores valores observados, respectivamente, onde recebeu Accelerate max e Bradyrhizobium no tratamento de sementes (0,270 g por planta) e onde recebeu Bradyrhizobium no tratamento de sementes junto de Accelerate max no sulco de semeadura (0,225 g por planta).

Os maiores valores para massa seca de parte aérea e produtividade de grãos não coincidiram entre os tratamentos. Menores valores para massa seca de plantas foram observados nos tratamentos que receberam apenas Bradyrhizobium (T4), Bradyrhizobium mais Bacillus subtilis (T10), Accelerate max mais Bradyrhizobium (T11 e T12) e Bradyrhizobium mais Bacillus pumilus (T13), enquanto os demais tratamento foram todos superiores não diferenciando-se estatisticamente. As maiores produtividades de grãos foram observadas nos demais tratamentos com exceção da testemunha (T1), a qual apresentou os menores valores.

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Embora existam diferenças numéricas entre as médias de produtividade, não foram encontradas diferenças significativas entre os tratamentos com inoculação e os com co-inoculação, de modo a obter benefícios econômicos apenas quando comparados os tratamentos com a utilização da FBN e o uso isolado de adubação nitrogenada, concordando com os resultados de Bárbaro et al, 2009.

Tabela 2. Médias das variáveis número de nódulos por planta (NN), massa seca de nódulos (MSN), massa seca de parte aérea (MSPA) e produtividade de grãos (PG).

Não foram observadas condições climáticas restritivas ao desenvolvimento da cultura. Nestas condições os tratamentos testados não diferem em relação à produtividade de grãos, sendo superiores apenas a testemunha. Novos trabalhos devem realizados a fim de explorar condições adversas de clima e os benefícios  Bradyrhizobium, como a resistência sistêmica a estresses ambientais, como é sugerido por Hungria et al, 2013.

O uso das bactérias alternativas em estudo resulta em produtividade de grãos equivalente a proporcionada pela co-inoculação de Bradyrhizobium e Azospirillum brasilense.

Referências

BÁRBARO, I. M.; MACHADO, P. C.; BÁRBARO JUNIOR, L. S.; TICELLI, M.; MIGUEL, F. B.; SILVA, J. A. A. Produtividade da soja em resposta á inoculação padrão e coinoculação. Colloquium Agrariae, v. 5, n.1. 2009, p. 01-07.

EMBRAPA. EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA. Sistema brasileiro de classificação de solos. 3. ed. Brasília: Embrapa, 2013. 353 p.

HUNGRIA, M.; CAMPO, R. J.; MENDES, I. C. A Importância do Processo de Fixação Biológica do Nitrogênio para a Cultura da Soja: Componente Essencial para a Competitividade do Produto Brasileiro. Documentos, 283, Londrina: Embrapa Soja, 2007. 80 p.

HUNGRIA, M.; NOGUEIRA, M. A.; ARAUJO, R. S. Co-inoculation of soybeans and common beans with rhizobia and azospirilla: strategies to improve sustainability. Biology and Fertility of Soils, Berlin, v. 49, n. 7, p. 791-801, 2013.

MENDES, I. C.; HUNGRIA, M. Inoculação da soja e uso de micronutrientes. Revista Campo & Negócios, Uberlândia-MG, 2014.

PEELL, M. C.; FINLAYSON, B. L.; MCMAHON, T. A. Updated world map of the KöppenGeiger climate classification. Hydrology and Earth System Science, Munique, v. 11, n. 3, p. 1633-1644, 2007.

TIEN, T. M.; GASKIN, M. H.; HUBBELL, D. H. Plant growth substances produced by Azospirillum brasilense and their effect on growth of pearl millet (Pennisetum americanum L.). Applied and Environmental Microbiology, Washington, v. 37, n. 5, p. 1016-1024, 1979.

Informações dos autores:  

1Universidade Federal de Santa Maria. Av. Roraima, n. 1000, Departamento de Fitotecnia. Cidade Universitária. 97105900 – Santa Maria, RS – Brasil

Disponível em:  Anais da 42ª Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul, Três de Maio – RS, Brasil, 2018.

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