A compreensão dos fatores que interferem na bioecologia dos organismos presentes dentro do agroecossistema passa por constantes transformações ao longo dos anos, trazendo novidades como novas associações entre insetos e plantas cultivadas e não cultivadas, acarretando em maior número de ferramentas para tomada de decisão dentro do manejo integrado. Desta forma o trabalho teve por objetivo avaliar a sobrevivência de percevejos pentatomídeos durante a entressafra de soja e milho, seus sítios de quiescência e o efeito da complexidade estrutural da planta hospedeira sobre a população presente.


O trabalho foi realizado na Área Experimental da Universidade de Cruz Alta nos meses de junho e julho correspondentes as entressafras de soja e milho para os anos de 2014, 2015 e 2016. Neste período foram avaliadas plantas das espécies Chloris distichophylla (Falso-capim-de-rhodes), Andropogon bicornis (Capim-rabo-de-burro) e Erianthus angustifolium (Macega-estaladeira) ocorrentes próximas a área de cultivo. Para cada espécie de planta, foram avaliados diferentes diâmetros de touceira. O número de percevejos obtidos em cada espécie de planta foi divido em espécie de inseto e diâmetro de planta, sendo utilizado para análise estatística.

Durante o experimento, observou-se a ocorrência de seis espécies de percevejos, sendo elas: Euschistus heros, Dichelops furcatus, Edessa meditabunda, Dichelops melacanthus, Piezodorus guildinii e Edessa ruformaginata. Dentre as espécies observadas, as mais frequentes foram: E. heros, D. furcatus e E. meditabunda (Figura 1), confirmando a hipótese do sucesso adaptativo destes insetos através do uso de plantas não cultivadas durante períodos desfavoráveis (Figura 2). Além da ocorrência, verificamos também uma relação direta entre o diâmetro de touceira das plantas avaliadas com a densidade populacional observada (Figura 3). Isto relaciona-se com a capacidade que estas plantas têm em oferecer um hibernáculo adequado para os percevejos, mantendo temperatura do ar e umidade constantes.

Nos dias atuais, plantas de Chloris distichophylla, Andropogon bicornis e Erianthus angustifolium têm nos mostrado seu potencial daninho, ao adentrar áreas cultivadas, competindo com as culturas presentes e resistindo a diferentes herbicidas disponíveis no mercado. Diante disso, os resultados indicam que além de plantas daninhas, estas espécies são hibernáculos favoráveis para percevejos considerados pragas chave nas culturas da soja e do milho, sendo seu manejo de grande interesse para a agricultura por interferir no fluxo populacional dos percevejos para dentro da área de cultivo.



Figura 2. Euschistus heros hibernando em Andropogon bicornis durante a entressafra de soja e milho. Imagem: Laboratório de Entomologia da Universidade de Cruz Alta.

Figura 3. Densidade populacional de percevejos em plantas hospedeiras de acordo com o diâmetro de touceira. Cruz Alta, safras 2013/2014/2015/2016/2017. Eh (Euschistus heros); Df (Dichelops furcatus); Em (Edessa meditabunda).

Para mais detalhes, você pode acessar o artigo na íntegra através do link.


Autor: Eduardo Engel – Laboratório de Entomologia da Universidade de Cruz Alta/ Grupo de Pesquisa em Fitotecnia – UNICRUZ.

O Grupo de Pesquisa em Fitotecnia liderado pelos Professores Dr. Mauricio P. B. Pasini e Msc. José Luiz Tragnago trabalha com temas como: bioclimatologia e ecofisiologia dos cultivos agrícolas, fitossanidade, irrigação e drenagem e manejo de cultivos agrícolas. Você pode conferir os trabalhos realizados clicando aqui.

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