Pesquisa, inovação e empreendedorismo serão fundamentais para o futuro dos pequenos negócios rurais. A afirmação é do presidente da Embrapa, Maurício Antônio Lopes, que falou hoje (27) para os participantes do Prospera Agro – unindo forças para o campo, evento organizado pelo Sebrae, em Brasília. Ele apresentou a palestra “O papel dos pequenos negócios rurais em país considerado o celeiro de alimentos do mundo” para uma plateia formada por empreendedores rurais, gestores do agronegócio, pesquisadores e representantes de diversas instituições como o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), o Instituto Brasileiro do Vinho (IBRAVIN), a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), a Associação dos Criadores de Suínos (ABCS), o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a Presidência da República, entre outros.

Durante o evento, Embrapa e Sebrae assinaram um convênio de cooperação técnica e financeira nas áreas de aquicultura, agroecologia e produção orgânica, oportunidades para produtos agroalimentares e inteligência estratégica para pequenos negócios rurais. O presidente da Embrapa destacou que os convênios visam justamente preparar os pequenos negócios para o futuro.

Para o diretor-executivo de Inovação e Tecnologia da Embrapa, Cleber Oliveira Soares, a parceria Embrapa Sebrae tem importância estratégica para desenvolver novos negócios, agregar valor às cadeias produtivas da agropecuária brasileira, diversificar as bases de produção, especializar  e alcançar novos mercados. “Novos negócios, novos mercados, parceria e agregação de valor são elementos chaves para o produtor rural se desenvolver, ter renda e qualidade de vida”, destacou.


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Perspectiva futura dos pequenos negócios

Até 2050, sete em cada dez pessoas viverão nas cidades. Vamos ter pessoas mais urbanas, idosas, educadas, exigentes e com mais acesso a bens de consumo que demandarão alimentos mais nobres, diversificados e especializados. É justamente nesse contexto que os pequenos negócios terão grandes oportunidades pela frente. “A grande mudança do mercado não vai ser a tecnologia, mas o consumidor que trará consigo novos hábitos de consumo, novas expectativas e desejos”, destacou Lopes em sua palestra, que teve como ponto central as perspectivas futuras para os pequenos negócios rurais face às novas tendências dos consumidores.

Sua fala baseou-se nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e no documento da Embrapa Visão 2030: o futuro da agricultura brasileira, que aponta como uma das megatendências (sinais e tendências da agricultura brasileira) o protagonismo dos consumidores que tem gerado novos modelos de negócios e oportunidades em diversos setores, entre os quais o agroindustrial. Também como novos modelos de negócios observa-se a venda direta do produtor, lançamentos de produtos alimentícios cocriados pelos consumidores, e a venda de subprodutos ou excedentes que seriam descartados, como exemplo os chamados frutas e legumes “feios” que na Europa já estão encontrando o seu valor. “Os supermercados na França são proibidos de jogar comida fora”, exemplificou Lopes.

Alimentos diversificados com qualidade, funcionalidade, biofortificados, resgate de plantas que ficaram esquecidas no passado, as chamadas plantas alimentícias não convencionais, também conhecidas como Pancs (ora-pro-nóbis, cúrcuma, almeirão, muricato, cará moela). Tudo isso são exemplos de como as mudanças na percepção do consumidor sobre os alimentos estão provocando alterações drásticas na forma de produção da agricultura, com modelos diferenciados de atendimentos e valorização da produção local.

Multifuncionalidade do mundo rural

Na visão do presidente da Embrapa, são enormes as oportunidades para os pequenos negócios a partir de uma visão de futuro baseada dos 17 ODS e na agenda 2030 estabelecida pela ONU. Com essa afirmação, Lopes destacou a importância de uma agricultura que promova negócios inclusivos que contribuam para a melhoria da qualidade de vida da população pobre que vive nas áreas rurais,  saúde, nutrição e educação alimentar para os povos, por meio de processos limpos e sustentáveis. Negócios, segundo Lopes, que têm como base novos padrões de consumo, boas práticas que visam a redução de impactos ambientais e a valorização da biodiversidade.

Algodão naturalmente colorido, fibras naturais, bioinsumos, biomassa, produção de carne, ovos, peixes com tecnologias de baixo carbono (tecnologia carne carbono neutro, ovo carbono neutro e peixe carbono neutro) são tendências que já estão no mercado, sendo desenvolvidas com base na pesquisa. “É por isso que o trabalho de inteligência precisa ser priorizado de maneira intensa. É ele que ajudará o nosso país a se inserir nessa agenda tão importante para o futuro da humanidade”. Outras oportunidades também foram apresentadas como exemplos da multifuncionalidade do mundo rural como a relação entre alimento, tradição, cultura, gastronomia e turismo que no continente europeu representa um volume significativo de negócio para a economia e que no Brasil desponta como uma grande oportunidade de negócio para o mundo rural.

Fortalecendo os pequenos negócios rurais

De acordo com Cleber Soares, os quatro projetos frutos do convênio assinado hoje com o Sebrae serão estruturantes e voltados para novos negócios para os pequenos produtores. O primeiro deles trata da produção de pescado, principalmente de peixes de águas de interiores, com uma perspectiva grande de alcançar novos mercados devido à grande demanda do mercado por uma excelente proteína de origem animal como a do peixe. O outro projeto está voltado para a agregação de valor de produtos alimentares, em sintonia com o desenvolvimento do conceito de alimentos e territórios que será iniciado um trabalho pela Embrapa no Nordeste brasileiro. O terceiro projeto está voltado para a inteligência estratégica com o objetivo de mapear novos negócios de base produtiva para alcançar o mercado, a venda, a distribuição e a agregação de valor. Já o quarto projeto tem como foco a agricultura orgânica e de base agroecológica. “A agricultura orgânica e de base agroecológica tem uma perspectiva imensa e uma demanda muito grande, pois agrega valor ao produto, produz alimentos de qualidade e diversifica a base produtiva dos agricultores brasileiros e da nossa agricultura”, afirmou o diretor. Os convênios assinados serão executados por meio da Fundação Eliseu Alves.

Outra participação da Embrapa no Prospera Agro foi a do pesquisador da Embrapa Cerrados, Felipe Ribeiro, no painel Biodiversidade, Produção Orgânica e Mercados de Nicho. Ele apresentou o tema Mercado de produtos e serviços da biodiversidade do Cerrado na recomposição ambiental: o projeto Biomas.

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Fonte: Embrapa

Texto originalmente publicado em:
Embrapa
Autor: Embrapa

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