O objetivo deste trabalho foi avaliar a eficácia de piriproxifem isolado e em associações aplicado em soja para o controle de B. tabaci

Autores: GUARNIERI, C.C.O.1; KAJIHARA, L.H.1; SILVA, T.R.1; PAES JR, R.1

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

Nas últimas safras de soja a Mosca-branca Bemisia tabaci, uma praga que era considerada secundária na cultura, tornou-se problema em algumas regiões produtoras principalmente no centro norte do pais, onde as condições ambientais durante o verão são favoráveis ao desenvolvimento da mesma. Em condições de altas temperaturas é possível que ocorra de 11 a 15 gerações da praga por ano (Embrapa, 2008). Este inseto é considerado praga de grande importância em culturas como feijão, algodão e tomate, onde além dos danos diretos, é responsável pela transmissão de viroses, causando prejuízos a produtividade da lavoura. A presença de 20 ninfas por folíolo de soja após o florescimento foi suficiente para reduzir em mais de 22 % a produtividade final da cultura (Vieira, 2009).

O uso de inseticidas de largo espectro de ação tem exercido uma grande pressão de seleção nas populações de Mosca-branca, resultando na resistência desses insetos aos inseticidas utilizados e consequentemente o aumento dos níveis populacionais da praga (Dittrich & Ernst, 1990). No entanto o controle químico é a principal estratégia de manejo disponível ao agricultor, tornando-se de grande importância para o controle de pragas da sojicultura brasileira. Com isso se faz necessário o emprego de inseticidas mais seletivos a inimigos naturais e com efeito mais drástico sobre a praga em questão controlando as diversas fases do inseto (ovos, ninfas e adultos) para um maior período de controle. Os inseticidas reguladores de crescimento como o piriproxifem, são exemplos que se encaixam nesse novo perfil necessário ao manejo da praga.

Com isso, o objetivo deste trabalho foi avaliar a eficácia de piriproxifem isolado e em associações aplicado em soja para o controle de B. tabaci.

 

O experimento foi conduzido em campo na Fazenda da Mata, localizada em Guaíra, SP, durante o período de 13 a 22 de dezembro de 2017.

Cada parcela foi constituída por 6 linhas de 6 metros de comprimento, espaçadas entre si por 0,5 metro, totalizando 18 m². A cultivar utilizada foi a BMX Potencia em estádio R2.

A aplicação foi realizada com pulverizador costal pressurizado com CO2, barra com 6 pontas espaçadas de 0,5 m, ponta do tipo leque XR Teejet 110.02 e volume de calda de 200 L/ha.

O delineamento experimental utilizado foi o de blocos ao acaso, com 10 tratamentos e 4 repetições. Os inseticidas utilizados foram: Porcel (piriproxifem 100 g/L EC), Bifentrina 100 g/L EC, Jackpot (lambda-cialotrina 50 g/L EC), Rotaprid (imidacloprido 350 g/L SC), Mospilan (acetamiprido 200 g/L SP), Bazuka (metomil 216g/L SL), Orthene (acefato 750 g/L SP), Privilege (piriproxifem 100 g/L + acetamiprido 200 g/L OD) e Benevia (cyantraniliprole 100 g/L OD). As doses e associações utilizadas estão descritas na Tabela 1.

Tabela 1. Inseticidas e doses utilizados na aplicação foliar de soja para controle de B. tabaci.

As avaliações foram feitas contando-se o número de folíolos de soja com presença de adultos de Mosca-branca, em 20 folíolos do terço médio da planta por parcela. Com isso obteve-se a porcentagem de incidência de adultos da praga. Avaliouse previamente, 1, 5 e 7 dias após a aplicação (DAA).

Os dados foram submetidos à análise de variância e teste F (p<0,05). Quando constatado efeito de tratamentos, as médias foram comparadas pelo teste de Scott & Knott. A porcentagem de controle foi determinada segundo Henderson & Tilton (1955).

Quanto a incidência de insetos nos folíolos de soja (tabela 2), nas avaliações prévias, 1 e 5 DAA não houve diferença significativa entre os tratamentos. Na avaliação 7 DAA todos os tratamentos inseticidas diferiram estatisticamente da testemunha.

 Tabela 2. Porcentagem de incidência de adultos de B. tabaci em folíolos de soja e eficácia de controle dos tratamentos inseticidas, previamente, 1, 5 e 7 dias após a aplicação.

Embora não havendo diferenças nas primeiras avaliações, observou-se uma eficácia de controle variando entre 50 e 74% na avaliação 1 DAA, sendo o menor valor para a associação entre Porcel + Bifentrina, e o maior valor para Porcel + Jackpot. Aos 5 DAA, as melhores associações foram Porcel + Jackpot, Porcel + Bazuka e Benevia, com 76, 78 e 77 % de eficácia, respectivamente, porém não diferiram da testemunha. Na última avaliação (7 DAA), os tratamentos Porcel + Jackpot, Porcel + Orthene e Benevia apresentaram eficácia próximas a 80%, sendo os melhores resultados verificados.


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Conclui-se que a associação de inseticidas de “choque”, como a lambda-cialotrina ou o acefato, ao piriproxifem incrementa em eficácia e período de controle de Mosca–branca em soja. Obtendo-se níveis similares aos que se tem usando-se uma diamida como o cyantraniliprole.

Referências

DITTRICH, V.S.; ERNST, G.H. Chemical control and insecticide resistance of whiteflies. In: GERLING, D. Whiteflies: their bionomics, pest status and management. Hampshire, England, p. 263-284, 1990.

EMBRAPA. Tecnologia de Produção de Soja – região central do Brasil – 2009 e Londrina: Embrapa Soja: Embrapa Cerrados: Embrapa Agropecuária Oeste, 262p. 2008.

HENDERSON, C.F.; TILTON, E.W. Tests with acaricides against the brown wheat mite. Journal of Economic Entomology, Lanham, v.48, p.157-161, 1955.

VIEIRA, S. S. Redução na produção da soja causada por Bemisia tabaci (Gennadius) biótipo b (Hemiptera: Aleyrodidae) e avaliação de táticas de controle. / Simone Silva Vieira – Lages,. 110 p. Dissertação (mestrado) – Centro de Ciências Agroveterinárias / UDESC. 2009.

Informações dos autores:  

1Rotam do Brasil Ltda – Souzas, Campinas, SP.

Disponível em: Anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja. Goiânia – GO, Brasil.

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