Por que a resistência aos EPIs?

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O tema agrotóxico é polêmico entre especialistas, produtores rurais e ambientalistas, mas em dois pontos todos concordam: o fato dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) serem a grande ferramenta de proteção para produtores, operadores e trabalhadores que atuam na aplicação de defensivos. O segundo ponto: há muita resistência ao uso desses equipamentos.

Entre as reclamações apontadas pelos usuários, a mais comum é que o material gera desconforto térmico – ou seja, é quente demais. O engenheiro-agrônomo Francisco Grzesiuk, que é consultor na área e fabricante de EPIs, discorda. Ele atua no ramo há mais de 30 anos e esclarece que existem dois tipos de roupas especiais. Um deles é voltado para aplicações nas culturas de cana-de-açúcar, laranja, abacaxi, roseiras e café. Para esses casos a resistência mecânica do EPI precisa ser maior, para evitar que os espinhos e a estrutura áspera das plantas rasguem o tecido e contaminem o trabalhador. Para culturas como soja, milho, trigo e feijão, onde as aplicações são feitas em cima de um trator, o tecido do EPI pode ser mais leve, de modo a permitir maior ventilação.

Grzesiuk lembra que a Norma Regulamentadora 31.8 do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA), que trata do assunto, é clara: o produtor rural que contrata uma pessoa para esse tipo de trabalho, além de fornecer o EPI, é responsável pelo seu uso. Ou seja, o produtor deve exigir que o funcionário use corretamente os EPIs. Em caso de recusa, o empregado pode ser demitido por justa causa. Por outro lado, se o empregador não fornecer o EPI o funcionário pode se negar a executar o trabalho sem prejuízo.

Os agroquímicos são classificados de acordo com seu grau de toxicidade e de risco de exposição do trabalhador, e recebem uma faixa por cor, verde nível mais baixo; amarelo e azul para o risco médio e vermelho para o alto. “A maior parte dos casos de intoxicações acontece com os produtos de faixa verde, pelo fato de o trabalhador não ter a percepção do risco e acreditar que o contato com o produto não lhe fará mal”, afirma Grzesiuk.

A professora, farmacêutica e bioquímica Ellen Lopes, com 37 anos na área de qualidade e segurança do alimento, concorda com a afirmação do engenheiro. “Na minha opinião, o mais grave no Brasil, quando se fala de uso de agrotóxico, é a falta do uso de EPIs pelo aplicador. Outro fator que contribui muito para essa postura é o machismo, que não é uma exclusividade brasileira”, diz. Ela relata que, em uma viagem técnica na Espanha, encontrou um trabalhador totalmente encharcado com a deriva do agroquímico. Ela o questionou se ele não temia os efeitos do produto e ouviu como resposta: “Eu sou macho, comigo isso não acontece”.

Os registros dos casos ocorridos no país são do Ministério da  Saúde, através do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox), criado em 1980. O último levantamento (2012) mostra que, em todo o país, 4.656 pessoas se intoxicaram com substâncias de uso agrícola. O levantamento aponta que não houve nenhuma notificação por intoxicação por agrotóxico nos centros de atendimento do Paraná (localizados em Curitiba, Londrina e Maringá) em 2011 e em 2012.

Como a intoxicação acontece

A intoxicação por agrotóxicos pode ocorrer por três vias de penetração no corpo humano:

1) Por ingestão – quando a pessoa tem contato com o produto e não lava as mãos e rosto adequadamente; quando o EPI não é colocado de forma adequada permitindo o contato do corpo, ou por tentativa de suicídio.

2) Via respiratória – quando inalado, o agrotóxico pode causar lesão nas vias aéreas superiores e não chega até os pulmões. Isso porque, para as gotículas alcançarem o pulmão, precisam ser menores que 14 micras (equivale a uma parte milionésima do milímetro). Em geral, uma gota gerada pelos pulverizadores tem no mínimo de 40 a 50 micra. Essas gotículas ficarão retidas no nariz e serão absorvidas pela corrente sanguínea.

3) Pele – é o tipo mais comum de contaminação, pois o produtor se preocupa muito com os EPIs que protegem as vias respiratórias e acaba não usando as luvas e vestimentas, que também são essenciais. “Do total de casos registrados, as contaminações por ingestão e por via respiratória somam 5%, enquanto a por via dérmica totaliza 95%”, informa Francisco Grzesiuk. “Temos aproximadamente dois metros quadrados de pele, uma área grande que pode entrar em contato com os agroquímicos”, observa.

O especialista faz uma estimativa sobre a quantidade de agentes a que um trabalhador pode se expor na aplicação de produtos químicos na lavoura. Segundo ele, um aplicador em um pulverizador sem cabine, que tenha uma jornada de trabalho de sete horas, com ventos de 6,5 km/hora (bem fracos) terá tido contato com aproximadamente 40 mililitros de agroquímico ao final do dia, caso não tenha usado equipamentos de proteção. É o equivalente a um pouco menos que um copo descartável de cafezinho.

Material completo no boletim informativo do Sistema FAEP.

Fonte: FAEP

Autor (a): Katia Santos

Boletim Informativo, Ano XXIV nº 1328 – 30/11/2015 a 06/12/2015

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Texto originalmente publicado em:
FAEP
Autor: Katia Ramos

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