As condições do oceano e atmosfera no oceano Pacífico Equatorial, permaneceram neutras desde abril de 2018. Durante agosto, a Temperatura da Superfície do Mar (TSM) no oceano Pacífico Equatorial foi ligeiramente superior aos seus valores normais, porém ainda permanecem sob condições de neutralidade. A maioria dos modelos dinâmicos e estatísticos, gerados pelos principais centros internacionais de Meteorologia, indicam uma probabilidade superior a 60% que se desenvolva um novo episódio de El Niño, durante o final da primavera de 2018 e início do verão de 2019.

Entretanto, caso haja uma confirmação do fenômeno, provavelmente este será de curta duração e intensidade baixa ou moderada. Nesse sentido é fundamental esperar por atualizações futuras do progresso do El Niño por meio do monitoramento da TSM no Pacífico, pois existem outros fatores, como a temperatura na superfície do oceano Atlântico Tropical e na área oceânica próxima à costa do Uruguai e da Região Sul, que poderão influenciar o regime de chuvas no Brasil, dependendo da combinação desses fatores durante esta estação.

Prognóstico climático por região para o período outubro, novembro e dezembro/2018

Região Norte

As maiores quantidades de chuva de junho a agosto ocorreram sobre Roraima e norte do Amazonas, com volumes superiores a 700 mm. Entretanto, grande parte da região apresentou chuvas abaixo da média, principalmente no noroeste do Pará e Amapá. Também foram registrados diversos episódios de friagem durante os meses de inverno (junho a agosto), que atingiram o Acre, Rondônia e sul do Amazonas. Destaca-se ainda que a baixa umidade favoreceu a ocorrência de incêndios florestais em localidades de Roraima e Tocantins.

Para a primavera, os modelos climáticos indicam que a Região Norte deve apresentar forte variabilidade espacial na distribuição de chuvas, com significativa probabilidade de áreas com chuvas dentro da faixa normal ou abaixo. É importante destacar que, normalmente existe uma redução das chuvas no meio norte do Pará, Roraima e Amapá, em que estas são inferiores a 400 mm, durante outubro e dezembro. Já na parte oeste do Amazonas, Roraima, Acre e Rondônia, bem como o extremo-sul do Pará haverá possibilidade de chuvas acima da média. As temperaturas serão de normal a acima da média.

Região Nordeste

Na Região Nordeste, durante os meses de inverno, as chuvas registradas foram abaixo da média em grande parte da região. Contudo, mesmo na costa leste do Nordeste, em que o trimestre mais chuvoso corresponde de maio a julho, a ocorrência de chuvas, na maioria desse período, não resultou em acumulados elevados. Já no interior do Nordeste, mais precisamente na região chamada de Matopiba (Maranhão, Piauí, Bahia, e Tocantins), sul do Ceará e parte leste de Pernambuco, os totais de chuva ocorreram dentro da normalidade, com valores inferiores a 50 mm. A previsão do modelo estatístico do Inmet para a primavera, indica o predomínio de áreas com maior probabilidade de chuvas próximas à média ou ligeiramente abaixo durante a estação. Ressalta-se que o trimestre de outubro a dezembro é o mais seco da parte leste do Nordeste. As temperaturas estarão mais elevadas sobre a região sul do Maranhão e do Piauí e no oeste da Bahia.

Região Centro-Oeste

A Região Centro-Oeste apresentou chuvas de normal a ligeiramente abaixo da normal durante o inverno, segundo sua característica climatológica, que é de baixa ou nenhuma pluviosidade. Com a permanência das massas de ar seco e quente de junho a agosto, as temperaturas médias foram acima da normal climatológica e favoreceu a ocorrência de queimadas e incêndios florestais, principalmente em Mato Grosso e Goiás. Em alguns dias, de junho a setembro, a umidade relativa do ar apresentou valores abaixo de 20% nos horários com temperaturas mais elevadas. Já em localidades no sudoeste do Mato Grosso e leste do Mato Grosso do Sul, as temperaturas médias foram abaixo da média, devido à entrada de algumas massas de ar frio que passaram pelo Brasil. A previsão para a primavera indica alta probabilidade das chuvas ocorrerem de normal a ligeiramente abaixo da normal em grande parte da Região Centro-Oeste, exceto no sudoeste do Mato Grosso do Sul e extremo-norte mato-grossense, em que a chuvas serão mais regulares. As temperaturas serão acima da média, principalmente no sul do Mato Grosso do Sul.

Região Sudeste

Na Região Sudeste, a ação dos sistemas de alta pressão que atuaram em junho e julho sobre grande parte do Brasil inibiu o avanço de sistemas frontais nesta região e a distribuição espacial das chuvas seguiu as suas características típicas para o período, com baixa ou ausência de precipitação. Entretanto, as chuvas dos primeiros dias de agosto de 2018 igualaram ou ultrapassaram a média climatológica. Além disso, houve alguns episódios de geadas, com intensidade variando de fraca a forte em São Paulo e Minas Gerais, principalmente em julho e agosto. A previsão para os próximos três meses indica que devem permanecer áreas com chuvas abaixo da faixa normal nesta estação, exceto em algumas áreas de São Paulo em que podem haver chuvas mais fortes, principalmente em novembro. De modo geral, o modelo climático do Inmet indica que as temperaturas devem permanecer acima da média em grande parte da região no mesmo período.

Região Sul

Durante os meses de inverno, os maiores volumes de chuva ocorreram no centro-leste do Rio Grande do Sul e sudeste de Santa Catarina. Logo nos primeiros dias de junho se deu o início da temporada de temperaturas abaixo de zero grau. A atuação das massas de ar frio ao longo do trimestre junho-julho-agosto causaram queda na temperatura e formação de geadas, com intensidade variando de moderada a forte, em áreas serranas e planalto. Destaca-se que durante a primeira semana de julho e também de agosto houve registro de neve na serra catarinense. De modo geral, o inverno seguiu um comportamento típico da estação.
O indicativo de um possível retorno do evento El Niño durante esta primavera, aliado a um aumento da temperatura no oceano Atlântico sobre a costa da Argentina e sul do Brasil, contribuem para o aumento das precipitações em grande parte da Região Sul. Portanto, o prognóstico da primavera indica que as chuvas deverão ficar acima da faixa normal nos três estados da região, enquanto que as temperaturas médias devem predominar dentro da normalidade no Rio Grande do Sul e acima da média no restante dos estados. Para maiores detalhes acesse: http://www.inmet. gov.br/portal

Fonte: Conab, ACOMPANHAMENTO DA SAFRA BRASILEIRA DE GRÃO, V. 6 – SAFRA 2018/19- N. 1 – Primeiro levantamento | OUTUBRO 2018

 

Texto originalmente publicado em:
CONAB
Autor: CONAB

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