• Condições ocorridas em outubro no Brasil

Na região Norte do Brasil ela variou desde abaixo até acima da normal climatológica nos diferentes estados (Figuras 1A e 1B). Na região Nordeste, onde climatologicamente a precipitação varia de 1 a 100mm, no mês de outubro ocorreram chuvas dentro a abaixo da normal (Figuras 1A e 1B). Nas regiões Centro-Oeste e Sudeste houve o retorno das chuvas no mês de outubro, onde na maioria dos estados ele ocorreu acima da normal climatológica. Na região Sul, principalmente no Paraná e Santa Cataria a chuva ocorreu acima da normal climatológica, enquanto que no Rio Grande do Sul a precipitação ficou concentrada na metade norte do estado (Figuras 1A e 1B).

Figura 1 – Precipitação acumulada (A) e a normal climatológica (B) da precipitação para o mês de outubro de 2018 no Brasil. Fonte: INPE/CPTEC
  • Condição do El Niño Oscilação Sul

O El Niño Oscilação Sul (ENOS) é um fenômeno oceânico acoplado a atmosfera, que apresenta duas fases, uma fase quente ou positiva, denominada El Niño, e uma fria ou negativa, denominada La Niña.  A parte oceânica é caracterizada pela anomalia na temperatura da superfície do mar (TSM) no Oceano Pacífico equatorial. A parte atmosférica deste fenômeno tem relação com a intensidade dos ventos alísios. O fenômeno ENOS irá influencias diretamente no padrão de precipitação das regiões Sul e Nordeste do Brasil.

Durante a primeira quinzena de outubro as águas do Oceano Pacífico Equatorial se encontraram mais quente do que o mês anterior, enquanto que juntamente com esse aquecimento, houve o enfraquecimento dos ventos alísios, que é o padrão atmosférico característico em anos de El Niño. A região marcada com uma caixa preta na Figura 2, denominada de Niño 3.4, é a região no qual irá influenciar as chuvas no Brasil, e é nesta região que é realizado o monitoramento da anomalia da temperatura da superfície do mar (TSM). No mês de agosto a anomalia da TSM foi de +0,4oC (Figura 2), valor que está dentro da normalidade, porém já está havendo um maior aquecimento que nos últimos meses juntamente com o enfraquecimento dos ventos. Para que o fenômeno El Niño se caracterize é necessário que a anomalia da TSM seja maior ou igual a +0,5oC, por um período de 5 trimestres consecutivos, pois este é um sistema lento e demora um tempo para que seus efeitos sejam sentidos. Vale salientar que a temperatura na superfície do Oceano Atlântico pode influenciar no regime de chuvas no Brasil (Figura 2).

Há a previsão de aumento da TSM no Oceano Pacífico Equatorial para os próximos meses, e o aquecimento que o se encontram hoje juntamente com as águas mais quente do Oceano Atlântico Sul já irão influenciar no padrão de chuvas durante a primavera em algumas regiões do Brasil. Os modelos climáticos indicam a configuração do El Niño, intensidade fraca a moderada, durante o verão de 2019.

Figura 2 – Anomalia da temperatura da superfície do mar ocorrida no mês de outubro/2018. No quadro em preto está a região do Niño 3.4 onde é feito o monitoramento da temperatura. FONTE: CPTEC/INMET
  • Previsão da precipitação para o trimestre de novembro-dezembro/2018 e janeiro/2019

Região Norte

Ocorrerá variação espacial da precipitação para o trimestre na região, com previsão de locais com chuvas abaixo ou acima da normal, destacando-se os estados do Pará e partes do Amapá e Amazonas, com anomalias negativas de 10 a 100 mm (Figura 3).

Região Nordeste

A previsão indica que a precipitação fique dentro ou acima da normal climatológica nos próximos três meses, entre 10 a 50mm (Figura 3).

Região Centro-Oeste

Haverá chuva dentro ou acima da normal em todos os estados, entre 10 a 50mm. Porém, em algumas regiões poderá ocorrer irregularidade da precipitação (Figura 3).

Região Sudeste

A previsão indica que nos próximos três nesses ocorra chuva dentro ou acima da normal na região, porém não se descarta a possibilidade de dias sem chuva (Figura 3).

Região Sul

As águas mais aquecidas do Oceano Pacífico Equatorial e Atlântico Sul poderão influenciar no padrão de chuvas na região Sul neste trimestre. As chuvas ficarão acima da normal nos três estados da região, exceto na parte leste e sul do RS, onde a previsão é de chuva dentro da normal (Figura 3).

Em todas as regiões do Brasil é esperada que as temperaturas mínima e máxima fiquem acima da normal para o próximo trimestre.

Figura 3 – Previsão de anomalias de chuva para o Brasil no trimestre de novembro-dezembro/2018 e janeiro/2019. Fonte: INMET

Você sabe como é desenvolvida uma cultivar de trigo?


  • Impacto sobre as culturas

Região Sul

Para o milho e a soja, a maior regularidade de precipitações favorece o estabelecimento inicial e o desenvolvimento vegetativo, sendo favorável para aumentar o potencial produtivo. Quando cultivadas em sequeiro, a disponibilidade de água é fundamental para a cultura, principalmente na floração e enchimento de grãos, fase em que essas duas culturas são mais sensíveis ao déficit hídrico. A cada 10 anos com ocorrência de El Niño, em 8 a produtividade dessas culturas fica acima da média, e este fator está relacionado, principalmente, a disponibilidade de precipitação no período sensível destas culturas.

Para o arroz, ocorre ao contrário. Por ser cultivada em sistema de inundação, o elemento meteorológico de importância para a cultura é a radiação solar. Em anos de El Niño, por ocorrerem mais dias com precipitação e/ou nublados, a disponibilidade da radiação solar é menor. Já em anos de La Niña, a disponibilidade de radiação solar durante o verão é maior. Assim, a cada 10 anos de La Niña, em 7 a produtividade de arroz fica acima da média e a cada 10 anos de El Niño, em 8 anos a produtividade de arroz fica abaixo da média. Vale salientar que, para a cultura do arroz, tanto anos neutros como de La Niña, favorecem a produtividade desta cultura.

Regiões Centro-Oeste e Sudeste

O período recomendado para soja e milho já iniciou, por isso é necessário atentar, principalmente, para as condições meteorológicas semanais para planejamento das atividades. A volta da chuva nestas regiões irá favorecer o estabelecimento inicial e desenvolvimento vegetativa do milho e soja. É esperado um ano normal com relação a chuvas, pois o El Niño Oscilação Sul influencia muito pouco nestas regiões.


Este é mais um boletim de Previsão Climática e sua interpretação para a Agricultura, da parceria Mais Soja/SimulArroz. O boletim elaborado mensalmente pela meteorologista da Equipe SimulArroz Stefania Dalmolin da Silva traz as tendências climáticas paras as regiões brasileiras com foco na aplicação para a agricultura.

Quer acompanhar o trabalho da Equipe do SimulArroz clique no ícone abaixo.

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