Texto elaborado por Stefanía Dalmolin da Silva, meteorologista da Equipe SimulArroz. Data: 05/10/2018

  • Condições ocorridas em setembro no Brasil

Agosto apresentou precipitação bastante distinta nas cinco regiões do Brasil. Na região Norte do Brasil ela variou desde abaixo até acima da normal climatológica nos diferentes estados (Figuras 1A e 1B). Na região Nordeste, onde climatologicamente a precipitação varia de 1 a 100mm, no mês de setembro ocorreram chuvas dentro a abaixo da normal (Figuras 1A e 1B).

Na região Centro-Oeste ocorreu irregularidade entre os estados, em que em diversos locais do Mato Grosso e Goiás a precipitação ficou entre pouco abaixo da normal, enquanto que no Mato Grosso do Sul, principalmente na metade sul do estado, a chuva foi de 50 a 100mm acima da normal climatológica. Na região Sudeste houve regularidade na ocorrência das chuvas em setembro. Na região sul a precipitação ficou dentro ou acima da normal nos três estados (Figuras 1A e 1B).

Figura 1 – Precipitação acumulada (A) e a normal climatológica (B) da precipitação para o mês de setembro de 2018 no Brasil. Fonte: INPE/CPTEC
  • Condição do El Niño Oscilação Sul

O El Niño Oscilação Sul (ENOS) é um fenômeno oceânico acoplado a atmosfera, que apresenta duas fases, uma fase quente ou positiva, denominada El Niño, e uma fria ou negativa, denominada La Niña.  A parte oceânica é caracterizada pela anomalia na temperatura da superfície do mar (TSM) no Oceano Pacífico equatorial.

A parte atmosférica deste fenômeno tem relação com a intensidade dos ventos alísios. O fenômeno ENOS irá influencias diretamente no padrão de precipitação das regiões Sul e Nordeste do Brasil.

Assim como em agosto, no mês de setembro o Oceano Pacífico Equatorial continuou sob condição de Neutralidade climática, sem influência de El Niño ou La Niña. A região marcada com uma caixa preta na Figura 2, denominada de Niño 3.4, é a região no qual irá influenciar as chuvas no Brasil, e é nesta região que é realizado o monitoramento da anomalia da temperatura da superfície do mar (TSM).

No mês de agosto a anomalia da TSM foi de +0,1oC (Figura 2), valor que está dentro da normalidade. Para que o fenômeno El Niño se caracterize é necessário que a anomalia da TSM seja maior ou igual a +0,5oC, por um período de 5 trimestres consecutivos, pois este é um sistema lento e demora um tempo para que seus efeitos sejam sentidos.

Vale salientar que a temperatura na superfície do Oceano Atlântico pode influenciar no regime de chuvas no Brasil (Figura 2). Como dito anteriormente, o ENOS é um fenômeno oceânico acoplado a atmosfera. No momento o oceano está em progressivo aquecimento, porém os ventos não mudaram de intensidade a ponto de configurar o El Niño, ou seja, a parte atmosférica ainda não está “preparada”.

Há a previsão de aumento da TSM no Oceano Pacífico Equatorial para os próximos meses, e o aquecimento que o se encontram hoje juntamente com as águas mais quente do Oceano Atlântico Sul já irão influenciar no padrão de chuvas durante a primavera em algumas regiões do Brasil. Os modelos climáticos indicam a possível configuração do fenômeno El Niño durante o verão de 2019.

Figura 2 – Anomalia da temperatura da superfície do mar ocorrida no mês de setembro/2018. No quadro em preto está a região do Niño 3.4 onde é feito o monitoramento da temperatura. FONTE: CPTEC/INMET
  • Previsão da precipitação para o trimestre de outubro-novembro-dezembro/2018

Região Norte

Ocorrerá variação espacial da precipitação para o trimestre de OND/2018 na região, com previsão de locais com chuvas abaixo ou acima da normal, destacando-se os estados do Pará e Amapá, com anomalias negativas de 10 a 50 mm (Figura 3).

Região Nordeste

A previsão indica que a precipitação fique dentro ou pouco abaixo da normal climatológica no trimestre de OND. Com a chegada da primavera, a estação seca começa a atuar na parte leste da região (Figura 3).

Região Centro-Oeste

Com a chegada da primavera há, também, o retorno do período chuvoso na região, porém ainda poderá haver irregularidade nas chuvas iniciais do mês de outubro, principalmente no Mato Grosso e Goiás. No Mato Grosso do Sul, principalmente no sudoeste do estado, há a previsão de chuva regular (Figura 3).

Região Sudeste

A previsão indica que nos próximos três nesses ocorra chuva irregular na região, porém não se descarta a possibilidade de ocorrência de chuvas mais intensas (Figura 3).

Região Sul

As águas mais aquecidas do Oceano Pacífico Equatorial e Atlântico Sul poderão influenciar no padrão de chuvas na região Sul neste trimestre. As chuvas ficarão acima da normal nos três estados da região (Figura 3).

Figura 3 – Previsão de anomalias de chuva para o Brasil no trimestre de outubro-novembro-dezembro/2018. Fonte: INMET
  • Impacto sobre as culturas

Região Sul

A primavera é caracterizada por apresentar maiores volumes de precipitação. Neste caso, lavouras de trigo no Rio Grande do Sul poderão ser prejudicadas pois os maiores períodos com chuva dificultam a colheita e possível redução do peso de hectolitro – pH), além de maior umidade relativa do ar e temperaturas amenas, que são condições meteorológicas que favorecem a multiplicação de doenças. Além disso, o maior número de dias com chuva poderá prejudicar a colheita do trigo plantado mais cedo.

Para o milho, o período recomendado da semeadura já iniciou, que é a época de semeadura que permite as lavouras de milho alcançar o maior potencial de produtividade. A maior regularidade de precipitações favorece o estabelecimento inicial e o desenvolvimento vegetativo, sendo favorável para aumentar o potencial produtivo.

Para arroz irrigado no RS, o período de chuvas pode prejudicar o avanço da semeadura. Por isso, os agricultores gaúchos de arroz devem ficar atentos às janelas para realizar a semeadura das cultivares com alto potencial produtivo em outubro visando construir altas produtividades em suas lavouras. Para soja, os produtores que pretendem iniciar a semeadura em outubro devem atentar para as janelas de semeadura, aproveitando a boa umidade do solo.

Porém, em tendo mais dias chuvosos e com alta umidade, é importante atentar para escalonar a semeadura, escolher áreas com boa drenagem do solo e não semear a semente em profundidade.

Regiões Centro-Oeste e Sudeste

O período recomendado para soja e milho já iniciou, por isso é necessário atentar, principalmente, para as condições meteorológicas semanais para planejamento das atividades. A irregularidade nas chuvas pode desfavorecer o estabelecimento inicial das lavouras de soja e milho que não apresentam sistema de irrigação.


Este é mais um boletim de Previsão Climática e sua interpretação para a Agricultura, da parceria Mais Soja/SimulArroz. O boletim elaborado mensalmente pela meteorologista da Equipe SimulArroz Stefania Dalmolin da Silva traz as tendências climáticas paras as regiões brasileiras com foco na aplicação para a agricultura.

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