Produção de biomassa seca em Neossolos, submetidos a diferentes plantas de cobertura de inverno

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Este estudo teve o objetivo de quantificar a produção de biomassa seca de diferentes plantas de cobertura de inverno, estabelecidas em NEOSSOLOS, do Vale do Jaguari, RS.

Autores: Guilherme Guerin Munareto(1); Júlio Cesar Wincher Soares (2); Claiton Ruviaro (2); Daniel Nunes Krum (3); Higor Machado de Freitas (3); Daniel Nunes Krum(3); Evandro Zamo(3);

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

INTRODUÇÃO

As plantas de cobertura do solo entram no processo de rotação de culturas, proporcionando efeitos positivos, como supressão de plantas espontâneas, conservação da umidade do solo, controle da erosão e manutenção da biomassa seca (Bs) do solo (SANTOS; REIS, 2001). A utilização destas plantas proporciona a melhoria da capacidade nutricional e estrutural do solo (WILDER; DADALTO, 1992), além de incorporarem grande quantidade de matéria orgânica (MO), contribuindo através da Bs produzida, para o sequestro e fixação de carbono no solo.

Segundo resultados encontrados por Boer et al. (2007), a maioria dos nutrientes são liberados de forma precoce para o solo, tornando necessário uso de técnicas que aumentem o acúmulo de fitomassa por parte das plantas de cobertura (KLIEMANN et al., 2006) e que sincronizem a decomposição da palhada e a taxa de liberação dos nutrientes com a demanda das culturas anuais semeadas em sucessão (GAMA-RODRIGUES et al., 2007).

Seus efeitos favoráveis podem ser percebidos em todo o sistema, a médio e longo prazo, sendo que as plantas de cobertura poderão ser implantadas em cultivo singular ou em associações (CALEGARI, 2002).

Uma das principais propriedades morfoagronomicas utilizadas para avaliar os adubos verdes é a produção de matéria seca (TEODORO et al,. 2011) e a camada de palha sobre o solo é essencial para o sucesso do Sistema Plantio Direto (SPD).

A hipótese do presente trabalho é que as diferentes plantas de cobertura produzam quantidades distintas de Bs.

Assim, este estudo teve o objetivo de quantificar a produção de biomassa seca de diferentes plantas de cobertura de inverno, estabelecidas em NEOSSOLOS, do Vale do Jaguari, RS.


Saiba mais sobre a origem da acidez do solo, gessagem e aplicação de calcário.


MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido na Fazenda Escola da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões, Campus de Santiago, com coordenadas centrais UTM 705.589E 6.769.112N (SIRGAS 2000, zona 21S), no Vale do Jaguari, RS.

A área possui solos classificados como NEOSSOLOS LITÓLICOS Distróficos e NEOSSOLOS REGOLÍTICOS Distróficos.

O delineamento experimental utilizado foi inteiramente casualizado (DIC), com quatro tratamentos de plantas de cobertura de inverno, com seis repetições.

Os tratamentos utilizados foram: T1 = Aveia preta Ucrânia (Avena strigosa), T2 = Ervilhaca (Vica sativa), T3 = Nabo (Raphanus sativus) consorciado com Trevo Vesiculoso (Trifolium vesiculosum cv. Yuchi) e T4= Trevo Vesiculoso.

Para a instalação do experimento foi feita a dessecação, pois a área se encontrava em pousio a quatro meses, o milho era a cultura antecessora. Antes do plantio a área foi roçada a fim de homogeneizar a palhada e facilitar a semeadura.

Através da interpretação das análises químicas, realizou-se a calagem com aplicação de 3,3 Mg ha-1 de calcário calcítico, segundo a recomendação da Comissão de Fertilidade do solo – RS/SC (2016). A adubação pré-plantio por sua vez, contou com a aplicação de 350 kg ha-1 da formulação 05-20-20 (N-P2O5-K2O); posteriormente, foi realizada a aplicação de ureia em cobertura, com 45 kg N ha-1, aos 40 dias após a semeadura.

A semeadura foi realizada dia 29 de junho de forma manual em linha com espaçamento de 0,17 cm, usual para cultivos de inverno, cada unidade amostral contou com 5 m² de (2,5 x 2,0 metros). A densidade de semeadura para aveia ucraniana foi de (65 kg ha-1 de sementes), ervilhaca (55 kg ha-1 de sementes), nabo (20 kg ha-1 de sementes) em consórcio com (7 kg ha-1 de sementes) de trevo vesículoso e (10 kg ha-1 de sementes) de trevo vesículoso no cultivo solteiro, a quantidade de sementes de cada tratamento foi corrigida para 100 % de poder germinativo.

Para a quantificação da Bs as plantas se encontravam no estádio de enchimento de grão, sendo o período de máximo acumulo de Bs. Foi coletada uma amostra em cada unidade amostral, coletando-se as plantas correspondentes a 0,25 m², seguindo o método do quadrado de madeira descrito por Chaila (1986).

Em laboratório, pesaram-se as amostras coletadas determinando assim a massa fresca, em seguida, as amostras foram colocadas numa estufa a 65º C por 72 horas, ou até atingir a massa constante (HAYDOCK; SHAW, 1975) para a determinação da massa seca em kg ha-1.

A variabilidade da produção de BS das diferentes culturas foi avaliada pela análise estatística descritiva, estes dados foram submetidos à análise de variância, e as médias dos tratamentos foram comparadas pelo teste de Tukey (P < 0,05), utilizando-se o software R Studio.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados referentes à análise descritiva da produção de biomassa seca para as diferentes plantas de cobertura são observados na Tabela 1.

Tabela 1 – Análise estatística descritiva para a produção de biomassa (kg ha-1) de culturas de cobertura de inverno em Neossolos do Vale do Jaguari.

Análise estatística descritiva revelou que os valores para a produção de Bs para a aveia variaram entre 4552,0 e 8084,0 kg ha-1, com um valor médio de 6727,2 kg ha-1. Já para os valores da ervilhaca variaram de 6537,6 e 9460,4 kg ha-1, com valor médio de 7480,2 kg ha-1. Os valores encontrados para o consórcio de nabo com trevo vesiculoso variaram entre 4114,0 e 8878,0 kg ha-1, com um valor médio de 6677,9 kg ha-1. Os valores para o trevo vesiculoso variaram entre 4966,0 e 5496,8 kg ha-1, possuindo um valor médio de 5213,6 kg ha-1 (Tabela 1).

A Bs do trevo vesiculoso (TV), apresentou o menor coeficiente de variação (CV) (3,24%) demonstrando a baixa dispersão entre as repetições, enquanto o consórcio entre nabo e TV obteve o maior coeficiente de variação (29,59%), já a aveia ucrânia apresentou (CV) de 18,14%, e ervilhaca de 13,81% (Tabela 1).

Destaca-se a cultura da ervilhaca, que apresentou a maior produção de BS da parte aérea entre as demais culturas (Tabela 1) superando os valores encontrados por Aita (2001), Gomes (1997) e por Pavinato et al,. (1990).

As culturas de Aveia Ucrânia e o consórcio entre nabo e TV apresentaram valores intermediários de produção, não mostrando diferença significativa entre ambas.

O trevo vesiculoso apresentou o menor acumulo de Bs entre os tratamentos, alguns fatores podem ter causado este cenário, como a lenta germinação e estabelecimento da cultura, o clima afetou o potencial de desenvolvimento da planta devido às altas temperaturas e as estiagens que resultaram na redução do período vegetativo. Deste modo, Gatiboni et al., (2000) também verificou que a estação de crescimento do trevo é mais tardia que as demais plantas influenciando sobre a produção de Bs. No entanto, os valores de Bs encontrados por Agostinetto et al. (2000) no município de Capão do Leão-RS, são maiores que os do presente trabalho.

A alta produção de Bs da ervilhaca, possivelmente pode ser atribuída ao seu rápido estabelecimento inicial, adequada nodulação, e na sua capacidade de fixar o N2 atmosférico (HENRICHS et al., 2001), assim se sobre saindo entre as demais culturas.

A Bs da parte aérea produzida pelas espécies vegetais é parâmetro importante para avaliação da adaptação das espécies e para o manejo da matéria orgânica do solo.

CONCLUSÕES

A planta de cobertura que obteve os maiores valores de produção de biomassa seca foi à ervilhaca, e os menores valores de produção de biomassa foram mensurados no Trevo Vesiculoso em plantio solteiro.

REFERÊNCIAS

Agostinetto D, Ferreira FB, Stoch G, Fernandes FF, Pinto JJO. Adaptação de espécies utilizadas para cobertura de solo no Sul do Rio Grande do Sul. Revista Brasileira de Agrociências, v. 6, n. 1, p. 47-52, 2000.

Aita C, Basso CJ, Ceretta CA, Gonçalves CN, Da Rós CO. Plantas de cobertura de solo como fonte de N ao milho. R. Bras. Ci. Solo, 25:157-165, 2001.

Calegari A. Rotação de culturas e uso de plantas de cobertura, Revista Agroecologia Hoje, ano II, n.14, maio a junho de 2002 – Botucatu-SP.

Chaila S. Métodos de evaluación de malezas para estúdios de población y control. Malezas, v. 14, n.2, p. 1-78, 1986.

CQFS-RS/SC  Comissão de Química e Fertilidade do Solo – RS/SC. Manual de calagem e adubação para os Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Sociedade Brasileira de Ciência do Solo. 2016. 376p.

Gama-Rodrigues AC, Gama-Rodrigues EF, Brito EC. Decomposição e liberação de nutrientes de resíduos culturais de plantas de cobertura em Argissolo Vermelho-Amarelo na região Noroeste Fluminense (RJ). Revista Brasileira de Ciência do Solo, v.31, p.1421-1428, 2007.

Gatiboni LC, Kaminski J, Pellegrini JBR, Brunetto G, Saggin A, Flores JPC. Influência da adubação fosfatada e da introdução de espécies forrageiras de inverno na oferta de forragem de pastagem natural. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v.35, p.1663-1668, 2000.

Gomes AS, Vernetti Iúnior F, Silveira LDN. O que rende a cobertura morta. A Granja, Porto Alegre, ano 53, n.588, p.47-49, dez.1997.

Haydock KP, Shaw NH. The comparative yield method for estimating dry matter yield of pasture. Australian Journal of Agriculture and Animal. Husbandry, Melbourne, v.15, p.66-70, 1975.

Henrichs R, Aita C, Amado TJC, Fancelli AL. Cultivo consorciado de aveia e ervilhaca: relação C/N da fitomassa e produtividade do milho em sucessão. R. Bras. Ci. Solo, 25:331-340, 2001.

Kliemann HJ, Braz AJPB, Silveira PM. Taxas de decomposição de resíduos de espécies de cobertura em Latossolo Vermelho distroférrico. Pesquisa Agropecuária Tropical, v.36, p.21- 28, 2006.

Pavinatto A, Aita C, Ceretta CA, Beviláqua GP, Reis SD. Efeito de restos culturais de espécies de inverno no rendimento de milho cultivado em sucessão. In: REUNIÃO BRASILEIRA DE FERTILIDADE DO SOLO E NUTRIÇÃO DE PLANTAS, 19. 1990, Santa Maria. Resumos. Santa Maria: UFSM, SBCS-Núcleo regional Sul, 1990. p.11.

Santos HP, Reis EM, Rotação de culturas em plantio direto. Passo Fundo: Embrapa Trigo, 2001. 212 p.

Teodoro RB, Oliveira FL, Silva DMN, Fávero C, Quaresma MAL. Aspectos agronômicos de leguminosas para adubação verde no cerrado do alto vale do Jequitinhonha. Revista Brasileira de Ciência do Solo, v.35, p.635-643, 2011.

Informações dos autores:

(1)Graduando em Agronomia, Laboratório de solos da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões – URI – Campus Santiago, Avenida Batista Bonoto Sobrinho, nº 733, Santiago-RS, 97700-000;

(2)Professor Dr. do curso de agronomia e do Laboratório de solos da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões – URI – Campus Santiago;

(3)Graduando em Agronomia, Laboratório de solos da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões – URI – Campus Santiago.

Disponível em: Anais da XII Reunião Sul-Brasileira de Ciência do Solo. Xanxerê – SC, Brasil.

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