A cultura da soja em Mato Grosso encerra o ano de 2018 marcada por bons resultados, principalmente dentro da porteira, mas já dela para fora, nem tanto. Apesar de o Estado registrar o menor crescimento na área semeada dos últimos anos, com 9,46 milhões de hectares cultivados, com o auxílio do clima, a produtividade foi recorde, com 57,28 sc/ha.

Desse modo, a produção de soja no Estado alcançou 32,52 milhões de toneladas, a maior já registrada até o momento. Já as exportações mato-grossenses de soja foram além do esperado, com cerca de 19,33 milhões de toneladas de janeiro a novembro, já superando o total esmagado em 2017 inteiro.

Isso foi resultado principalmente da disputa comercial entre os Estados Unidos e a China, que por sua vez fez com que a demanda chinesa por soja brasileira aumentasse, valorizando significativamente o prêmio nos portos e, consequentemente, a oleaginosa brasileira.

No entanto, todo o setor foi impactado negativamente pela greve dos caminhoneiros e tabelamento dos fretes rodoviários, que prejudicaram as vendas de soja e diminuíram o escoamento do grão por um determinado período, trazendo consequências até hoje para a cadeia.

Confira os principais destaques do boletim:

  • O indicador Imea-MT para o preço da soja encerrou 2018 com valorização de 20,71% e média anual de R$ 67,01/sc. Isso é resultado, principalmente, do aumento nos prêmios e taxa de câmbio.
  • Com o aumento na demanda chinesa pela soja brasileira neste ano, o prêmio Paranaguá fechou com alta de 146,94% no ano, e média de US$ 1,55/bu.


  • O ano de 2018 foi marcado pela alta volatilidade e aumento na taxa de câmbio, de modo que o dólar encerrou com média de R$ 3,65/US$. Isso foi um reflexo do ano eleitoral brasileiro e do mercado internacional.
  • Com o tabelamento dos fretes rodoviários no país, o preço do frete Sorriso-Santos apresentou uma alta significativa neste ano, 18,76%, e média de R$ 324,98/t.

PERSPECTIVAS:

Para a safra 18/19 de soja no Estado foi estimada uma área total semeada de 9,62 milhões de hectares, caracterizando aumento de 1,64%, reflexo da maior demanda internacional. Apesar disso, a estimativa de produção ficou em 32,45 milhões de toneladas, representando leve recuo de 0,22%, ou 70,83 mil toneladas ante a safra 17/18.

Contudo, é fundamental ressaltar o bom desempenho nos campos durante esta safra, visto que a semeadura de soja para a safra 18/19 foi finalizada em período histórico e, caso as condições climáticas sejam propícias e agirem simbioticamente com o desenvolvimento nas lavouras, a perspectiva é de adiantamento no processo de colheita no Estado.

Cabe ressaltar também que é de se esperar fortes influências por parte das relações externas em 2019, assim como foi em 2018, como é o caso da guerra comercial entre os EUA e a China, já que o desfecho deste conflito será um fator importante para guiar as cotações da oleaginosa.

Somado a isso, o produtor deve manter-se atento aos fatores climáticos e ao início do novo governo, que trará novas percepções ao mercado. Desta forma, a safra 18/19 ainda segue aberta e grandes desafios podem estar “à porta”.

Fonte: IMEA

Texto originalmente publicado em:
Boletim semanal da soja - IMEA
Autor: IMEA

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