Objetivou-se com o estudo avaliar a produtividade de grãos nas diferentes cultivares de soja sob o sistema de cultivo em área de coxilha em Santa Maria.

Autores: Dionatas Rodrigues da Silva1; Jessica Deolinda Leivas Stecca1; Arthur Brites Pascotini1; Evandro Ademir Deak1; Thomas Newton Martin1

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

A soja (Glycine max) é uma das principais culturas de grãos no mundo, sendo que o Brasil se destaca como segundo maior produtor mundial, estando atrás apenas dos Estados Unidos, representando hoje a principal commodity agrícola brasileira. Na safra de 2016/2017 seu cultivo totalizou aproximadamente 34 milhões de hectares brasileiros, com uma produção de 113,92 milhões de toneladas e produtividade média 3.362 kg ha-1 (LORINI, 2017). Dada a sua importância, estudos e pesquisas são recorrentes na busca de melhorar seu manejo e potencializar suas produtividades. No entanto são vários os aspectos que influenciam as respostas das cultivares aos estímulos ambientais (FLECK et al., 2007). Dentre as várias decisões que o produtor rural tem que tomar, a escolha da cultivar a ser semeada é uma das mais importantes (MATEUS et al., 2017). O grande número de cultivares à disposição do produtor faz com que diversos fatores devam ser observados, como por exemplo o clima da região, o comportamento em relação a pragas e doenças, sua capacidade de adaptação aos diferentes ambientes, e competição com espécies invasoras (FLECK et al., 2007). Nesse contexto, torna-se necessário estudos que tenham por objetivo avaliar o comportamento das diferentes cultivares, para que as informações sirvam como subsidio ao produtor na hora da escolha dos materiais.

Com isso, objetivou-se com o estudo avaliar a produtividade de grãos nas diferentes cultivares de soja sob o sistema de cultivo em área de coxilha em Santa Maria.

O experimento foi conduzido na área experimental pertencente ao departamento de Fitotecnia do Centro de Ciências Rurais da Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, situado no município de Santa Maria – RS. Foram avaliadas 37 cultivares de soja no delineamento de blocos ao acaso com quatro repetições. As parcelas foram constituídas de cinco fileiras de 7m de comprimento e 2,25m de largura no espaçamento de 0,45m, totalizando 15,75m². A área útil da parcela foi composta pelas três fileiras centrais sendo colhido 3m de comprimento por 1,35m de largura, sendo 4,05 m² de área útil. A área escolhida para a condução do experimento tinha como antecedente cultural a cultura do trigo. O controle de plantas invasoras foi realizado quinze dias antes da semeadura com produtos à base de Glifosato + 2,4-D e mais próximo a semeadura foi realizado o sequencial com Paraquat. A semeadura foi realizada no dia 29 de novembro em igual densidade de 14 sementes por metro linear para todas as cultivares. Os caracteres que foram avaliados foram a produtividade de grãos (PG), número de vagem por planta, número de grãos por vagem e massa de mil grãos (MMG). Os dados foram submetidos as pressuposições do modelo matemático, e depois submetidos a análise de variância (ANOVA) e teste de comparação de médias de Sckott-Knott a 5% de probabilidade. Na tabela1, estão descritas as principais características fornecidas pelas instituições detentoras.

Tabela 1 – Cultivares de soja utilizadas no experimento e suas principais características.

Na tabela 2, no resumo da análise de variância pode-se perceber que as duas características analisadas tiveram diferença significativa para tratamento, resultado esperado visto que as cultivares são de genética diferentes.

Tabela 2 – Resumo da análise de variância para produtividade e massa de mil grãos das diferentes cultivares de soja.

Na tabela 3, através do Teste Scott-Knott foi efetuado o comparativo e agrupamento de médias a nível de significância de 5%. Verificou-se que as melhores médias para produtividade de grãos ficaram compreendidas entre 4023,850 kg ha-1 e 4988,225 kg ha-1, com destaque para as cultivares M5947 (4988,22 kg ha-1), NS 5959 IPRO (4819,500 kg ha-1) e LANÇA (4777,225 kg ha-1). As maiores médias para massa de mil grãos ficaram compreendidas entre 201,25 g e 221,85 g, com destaque para as cultivares TMG 7062 IPRO (221,850g), TMG 7262 RR (215,575 g) e TMG 7067 IPRO (210,850 g). Notou-se que nesse caso a última variável não está relacionada com o rendimento total de grãos, visto que as maiores produtividades não estão inclusas nas melhores médias de massa de mil grãos e, principalmente, devido a cultivar TMG 7067 IPRO ter alta MMG e baixa PG.


Confira nossa galeria de cursos TOTALMENTE ONLINE! Agregue conhecimento, faça já!


A cultivar M5947 apresentou a maior produtividade (4988,22 kg ha-1) motivada pelo número superior de plantas devido a maior emergência, em torno de 240 mil plantas ha-1, com número médio de legumes por planta de 54 e sua massa de mil grãos ter ficado acima da média das cultivares. As duas menores produtividades tiveram resultados bem próximos, a cultivar TEC IRGA 6070 RR apresentou 2834,300 kg e a cultivar TMG 7067 IPRO com 2886,125 kg. A TEC IRGA 6070 RR apesar de apresentar uma boa densidade de plantas, número médio de legumes e massa de mil grãos, teve sua produtividade baixa possivelmente por ser considerada uma cultivar de terras baixas, indicada para rotação com arroz.

Tabela 3 – médias da produtividade e massa de mil grãos das cultivares de soja.

As cultivares de soja que obtiveram as maiores produtividades foram a M5947 (4988,22 kg), NS 5959 IPRO (4819,500 kg ha-1) e LANÇA (4777,225 kg ha-1). A cultivar que apresentou maior massa de mil grãos foi a TMG 7062 IPRO com 220,46 gramas, já a menor foi a cultivar M5892 contendo 153,87 gramas. A MMG tem menor influência sobre a produtividade de grãos quando comparado ao número de vagem por planta na cultura soja na safra do ano agrícola 2017/2018, na área de coxilha no município de Santa Maria – RS.

Referências

FLECK, N. G.; LAMEGO, F. P.; SCHAEDLER, C. E.; FERREIRA, F.B. Resposta de cultivares de soja à competição com cultivar simuladora da infestação de plantas concorrentes. Scientia Agraria, v. 8, n. 3, p. 213-218, 2007.

LORINI, I. (Ed.). Qualidade de sementes e grãos comerciais de soja no Brasil – safra 2015/16. Embrapa Soja, (Documentos, 393). 227p. 2017.

MATEUS, G. P.; BORGES, W.L.B.; de FREITAS, R. S.; HIPÓLITO, J.L.; TOKUDA, F.S.; FINOTO, E. L.; da SILVA, G.G. Avaliação regional de cultivares de soja no noroeste paulista-safra 2016/17. Nucleus, p. 103-112, 2017.

Informações dos autores:  

1Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Av. Roraima n° 1000, Camobi, CEP: 97105-900 Santa Maria – Centro de Ciências Rurais.

Disponível em: Anais da 42ª Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul, Três de Maio – RS, Brasil, 2018.

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.