Objetivou-se determinar a eficiência de cada sistema de manejo e sucessões de culturas para aumentar a produtividade da soja com maior aporte de C e N pelos resíduos vegetais em SSD conduzidas por 15 anos.

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

São recorrentes os estudos visando uma agricultura que proporcione elevadas produtividades para atender à crescente demanda por alimento aliada com atividades agrícolas de baixo impacto ao ambiente. Entre as medidas conservacionistas da qualidade do solo, o Sistema Semeadura Direta (SSD) tem sido muito utilizado e estudado na agricultura brasileira, tendo sua área estimada acima de 31 milhões de hectares nos últimos anos (FEBRAPDP, 2012).

Os solos de Cerrado apresentam baixos teores de matéria orgânica do solo (MOS) devido às condições de clima tropical que promovem a rápida decomposição dos resíduos vegetais (Resck et al., 2008). Aliado à isso, a distribuição irregular das chuvas e o inverno seco dificultam o aporte de carbono (C) via resíduos vegetais na entressafra, o que torna fundamental o uso de plantas de cobertura (Castro et al., 2012). No SSD os resíduos vegetais têm sua velocidade de decomposição reduzida devido à ausência do revolvimento, intensificando o processo de estabilização da MOS (Stewart et al., 2009). Outro fator importante no SSD que favorece o aumento no teor de MOS é o fato de se priorizar a rotação de culturas (Salvo et al., 2010), principalmente quando há elevado aporte de resíduos vegetais, C e N ao solo (Costa et al., 2008).

Aventa-se a hipótese de que em sistema de semeadura direta o uso de plantas de cobertura que promovem elevado aporte de resíduos vegetais, C e N ao solo, e que proporcionam melhorias na fertilidade do solo irão contribuir para a produtividade de grãos da soja. Objetivou-se determinar a eficiência de cada sistema de manejo e sucessões de culturas para aumentar a produtividade da soja com maior aporte de C e N pelos resíduos vegetais em SSD conduzidas por 15 anos. O trabalho foi conduzido em área experimental manejada em SSD por 19 anos na Fazenda Experimental Lageado da FCA/Unesp, em Botucatu-SP. A partir de 2003 iniciou-se um experimento com diferentes rotações de culturas envolvendo plantas de cobertura. Desde então são cultivados no outono-inverno o triticale (X Triticosecale Wittmack) e o girassol (Helianthus annuus L.). Na primavera são cultivadas as espécies de plantas de cobertura: milheto, sorgo forrageiro e crotalária juncea, havendo também um tratamento que envolve o pousio, ou seja, com ausência do cultivo de plantas de cobertura, no qual foi realizada escarificação em 2003, 2009, 2013 e em 2016. No verão é cultivado soja em área total. Assim como realizado nos últimos 15 anos, não é feito adubação mineral nitrogenada. A localização geográfica da área está definida pelas seguintes coordenadas: latitude 22º49’S, longitude 48º25’ W e altitude de 790 m. O solo da área é de textura argilosa de relevo suave ondulado, classificado como Nitossolo Vermelho distroférrico. Conforme classificação de Koppen, o clima é do tipo CWa, ou seja, mesotérmico com inverno seco.

O delineamento utilizado foi em blocos casualizados em parcelas subdivididas, com 4 repetições e esquema fatorial 2 x 4. Desta forma, são consideradas as parcelas os cultivos de outono-inverno (triticale e girassol) e as subparcelas o cultivo (manejo) de primavera (milheto, crotalária, sorgo forrageiro e pousio/escarificação). As parcelas experimentais apresentam dimensões: 32 x 8 m e as subparcelas dimensões 8 x 5 m. Já a soja foi semeada em subparcela. Foi realizado o acompanhamento da quantidade de palhada sobre o solo, por meio de amostragens de material vegetal depositado na superfície do terreno, por ocasião da semeadura das espécies vegetais no ano de 2016. Além disso, e do manejo das plantas de cobertura de primavera foram coletadas amostras de plantas inteiras de uma área conhecida (3 linhas de 1 m por subparcela). Essas amostras foram secas e pesadas para determinar o aporte de resíduos por cada espécie, em cada tratamento. Após pesagem o material foi moído e analisado quanto aos teores de C e N em analisador elementar (LECO-TruSpec® CHNS).

De posse dos dados de quantidade de matéria seca e dos teores de C e N, foi possível determinar a quantidade aportada ao solo de cada um. Para estimar a produtividade de grãos de soja foram colhidas duas linhas centrais de cada unidade experimental e posteriormente calculada a produtividade de grãos, em kg ha-1, corrigido para teor de água de 13%. Os dados foram submetidos à análise de variância e ao teste t de comparação de médias ao nível de 5% de probabilidade de erro.

Os resultados das quantidades e aporte de C e N pelas palhas das plantas de coberturas de primavera está apresentado na tabela 1. Todas as variáveis analisadas apresentaram diferença significativa. As plantas, mesmo cultivadas em torno de 45 dias até sua dessecação, destacam-se pela alta produção de palha.

Tabela 1. Produtividade da soja na safra 2016/2017, quantidade e qualidade da palha das culturas de primavera.


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A crotalária e o milheto em sucessão ao triticale e girassol foram as espécies de planta de cobertura com maior produção de palha. Em 2012, na mesma área, Rigon (2013) verificou comportamento semelhante, só que em sucessão ao triticale, apresentando maiores produções de fitomassa para crotalária 5,48 mg ha-1 e milheto 5,09 mg ha-1 com 55 dias de cultivo. A crotalária caracteriza-se pelo maior aporte de N depositado em superfície chegando a 2,6 vezes a mais que os demais tratamentos. Em relação a quantidade de carbono acumulada nas plantas de cobertura, o sorgo foi a planta que apresentou maior aporte, não diferindo da crotalária, mesmo com a menor produção de palhada devido ao maior teor de C em comparação com o milheto. A relação C/N observada da crotalária foi muito inferior em relação às outras plantas de cobertura deste experimento. Esse menor valor da relação C/N pode, neste caso, disponibilizar nutrientes em tempo hábil para a cultura da soja subsequente (Rigon 2013). O maior rendimento de soja foi observado no tratamento com o cultivo de sorgo seguido por milheto e escarificação/pousio.

Neste trabalho os tratamentos com a maior relação C/N das plantas de coberturas apresentaram maior rendimento da soja sendo que o efeito de proteção física pode ter auxiliado na maior umidade do solo sendo mais benéfico do que efeito químico proporcionado pelo menor valor C/N. Para área de pousio/escarificação a maior produtividade em comparação com a crotalária é devido a melhoria das condições físicas do solo pela escarificação, resultados concordam em parte com Calonego e Rosolem (2010) que observaram na mesma área aumento da produtividade da soja nos anos que ocorrem a escarificação. A escolha das plantas de cobertura que proporcionem maior relação C/N é importante para regiões de cerrado onde as condições climáticas levam a rápida decomposição e desta forma não protegem o solo para perda de água por evaporação.

Referências

CALONEGO, J. C.; ROSOLEM, C. A. Soybean root growth and yield in rotation with cover crops under chiseling and no-till. European Journal of Agronomy, v. 33, n. 3, p. 242-249, 2010.

CASTRO, G.S.A. Atributos do solo decorrentes dos sistemas de produção e da aplicação superficial de corretivos, 2012. 155f. (Tese Doutorado) – Universidade Estadual Paulista, Botucatu.

COSTA, F. de S.; BAYER, C.; ZANATTA, J. A.; MIELNICZUK, J. Estoque de carbono orgânico no solo e emissões de dióxido de carbono influenciadas por sistemas de manejo no sul do Brasil. Revista Brasileira de Ciência do Solo, v. 32, p. 323-332, 2008.

FEBRAPDP. Federação Brasileira de Plantio Direto na palha. Evolução do plantio direto no Brasil. Disponível em: <http://www.febrapdp.org.br> Acesso em: 01 abr. 2018.

RESCK, D.V.S.; FERREIRA, E.A.B.; FIGUEIREDO, C.C.; ZINN, Y.L. Dinâmica da matéria orgânica no Cerrado. In: SANTOS, G.A.; SILVA, L.S.; CANELLAS, L.P.; CAMARGO, F.O., Ed.. Fundamentos da matéria orgânica do solo: Ecossistemas tropicais e subtropicais. 2.ed. Porto Alegre: Metrópole, 2008. p.359-417.

RIGON, J. P. G. Emissão de gases de efeito estufa em áreas de sistema semeadura direta com aportes diferenciados de carbono e nitrogênio. 2013. 98f. (Dissertação Mestrado) – Universidade Estadual Paulista, Botucatu.

Informações dos autores:  

1Faculdade de Ciências Agronômicas – FCA/UNESP, Campus Botucatu, Botucatu, SP.

Disponível em: Anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja. Goiânia – GO, Brasil.

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