O objetivo do presente trabalho foi estudar o efeito da adubação de solo com diferentes combinações de micronutrientes e extrato de algas no rendimento de grãos de soja

Autores: Alan Patrick Soares de Lima(1); Tiago de Rezende Pavan(2); Denise Wenggen(3);Leisiane Valbring(4); Raíssa Naiara Gomes Carrico(4); Cindia Sordi(5)

RESUMO

Com a necessidade de um crescimento expressivo da produtividade, é preciso desenvolver novas tecnologias que nos auxiliam na melhoria do rendimento por área. Existem inúmeras áreas de estudo a fim de melhorar a capacidade produtiva, entre elas os micronutrientes agregados aos fertilizantes NPK. Sendo assim, é pertinente pesquisas aprofundadas com intuito de buscar a melhor maneira para alimentar e nutrir as culturas. Inseridos nesse contexto o objetivo do presente trabalho foi estudar o efeito da adubação de solo com diferentes combinações de micronutrientes e extrato de algas no rendimento de grãos de soja. O experimento foi conduzido no IAPAR, no munícipio de Santa Tereza do Oeste – Pr. O delineamento estatístico foi de blocos casualizados, onde foram semeadas sete tratamentos, com quatro repetições, usando 450 kg.ha-1 da fórmula 06-24-05 com e sem micronutriente e extrato de algas. Para obtenção dos resultados foram avaliados dois parâmetros, produtividade e altura de plantas. Os dados foram submetidos à análise de variância, sendo as médias comparadas pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade utilizando-se o software estatístico Assistat, versão 7.7. Não se obteve diferença estatística entre os tratamentos em relação aos grãos e altura das plantas. Portanto houve similaridade estatística de produtividade entre os tratamentos com micronutriente e testemunha de formulado convencional.

Termos de indexação: Rendimento, adubação de base, fertilidade.

INTRODUÇÃO

Nos últimos anos o agronegócio tem se beneficiado do crescimento expressivo da produtividade das culturas. Em especial, no caso da soja, o crédito é devido aos avanços tecnológicos aportado aos novos cultivares que envolve conhecimento científico multidisciplinar na área de melhoramento genético, fitopatologia, entomologia, fertilidade e manejo de solo, surgimento de materiais genéticos mais adaptados às diversas condições edafoclimáticas, assistência técnica e profissionalização dos produtores. Nesse contexto, o estudo sobre o uso de micronutrientes e outras alternativas que propiciem uma melhor nutrição se faz necessário para que as plantas atinjam maior potencial produtivo.

Com a crescente oferta de produtos comerciais contendo micronutrientes, torna-se necessário pesquisas que auxiliem técnicos e produtores na tomada de decisões.

Os solos de regiões tropicais, geralmente, são deficientes em nitrogênio, devido aos baixos teores de matéria orgânica, sendo considerado esse um dos fatores limitantes à produção agrícola, inclusive à cultura da soja que realiza a fixação biológica (Silva et al. 2012).

Como alternativa ao problema citado acima, apresenta-se o molibdênio e boro, micronutrientes importantes à fixação biológica do nitrogênio na soja, cultura esta que representa a principal fonte de receita de grande parte dos agricultores brasileiros. Na planta, o molibdênio participa como cofator integrante nas enzimas nitrogenase, redutase do nitrato e oxidase do sulfato, e está intimamente relacionado com o transporte de elétrons durante as reações bioquímicas das plantas (Lantmann, 2002). O boro, embora não tenha ação direta sobre a fixação biológica, é um elemento que ativa a enzima fosforilase do amido, responsável pela síntese de amido, substância de reserva das sementes, raízes, tubérculos e colmos (Favarin & Marini, 2000).

Micronutrientes são exigidos sempre em pequenas quantidades pelas culturas, apesar disso Martens & Westermann (1991), relatam que o zinco exerce funções importantes no metabolismo de carboidratos, proteínas e auxinas, e verificaram que a exportação dos micronutrientes do solo pelos grãos, constitui um dos principais meios de seu esgotamento do solo, assim a adoção de novas tecnologias de fornecimento de nutrientes se faz necessário. Com isso, a correção da fertilidade e o manejo adequado do solo têm sido os meios usados para manter a produtividade de grãos (Gonçalves Jr. & Pessoa, 2002).

Recomenda-se que os agricultores continuem a aplicar zinco mesmo quando a análise de solo apresenta teores acima dos níveis críticos, pois o contínuo incremento da produtividade das lavouras podem justificar esse procedimento (Santos et al., 2009).

A aplicação dos micronutrientes cobre e manganês torna-se essencial, a fim de atingir tetos produtivos pois, segundo Lopes (1999) a presença excessiva de íons metálicos no solo como ferro, manganês e alumínio, reduz a disponibilidade de cobre para as plantas. Esse efeito é independente do tipo de solo. Também o excesso de cálcio, magnésio e ferro pode, também, causar deficiências de manganês.

Segundo Volkweiss (1991), com a aplicação de micronutrientes, via solo, busca-se aumentar sua concentração na solução, que é onde as raízes os absorvem, e assim, proporcionar maior eficiência de utilização pelas plantas. É, portanto, necessário que as fontes de micronutrientes utilizadas se solubilizem no solo no mínimo em velocidade compatível com a absorção pelas raízes e que sejam aplicadas em posição possível de ser por elas atingida, uma vez que os micronutrientes são geralmente pouco móveis no solo.

Também os extratos de algas possuem diferentes reguladores de crescimento (citocininas, auxinas, giberelinas e betaínas), macronutrientes (Ca, K e P) e micronutrientes (Fe, Cu, Zn, B, Mn, Co e Mo) que podem beneficiar as plantas (Khan et al. 2009).

Diante do exposto, o objetivo do presente trabalho foi estudar o efeito da adubação de solo com diferentes combinações de micronutrientes e extrato de algas no rendimento de grãos de soja.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido no IAPAR – Polo Regional de Pesquisa Oeste, no munícipio de Santa Tereza do Oeste, situado nas coordenadas geográficas latitude 25º03’08” S, longitude 53º37’59” W, altitude de 749 m, o clima é classificado como CFa (Iapar, 1994) e solo tipo Latossolo Vermelho distroférrico com as seguintes características químicas: pH = 5,4; P= 9,3 mg.dm-3; C=27,7 g.dm-3; Al =0,00; H + Al+3 cmolc.dm-3= 4,96; Ca = 5,3 cmolc.dm-3; Mg= 3,57 cmolc.dm-3; k= 0,38 cmolc.dm-3 e V= 65%. O experimento foi instalado em área com aproximadamente 8 t.ha-1 de palhada de aveia IPR Esmeralda e teve a cultura do milho no verão anterior.

Tratamentos e amostragens

O delineamento estatístico foi de blocos casualizados com quatro repetições e sete tratamentos, sendo as parcelas estabelecidas no tamanho de 6 m x 2,5m, a cultura foi semeada com espaçamento de 0,45 m e a área útil foram as 3 linhas centrais de 6 m, respeitando uma linha lateral como bordadura. A semeadura foi realizada no dia 21/11/2016, com emergência no dia 29/11/2016.

A adubação de base foi realizada com 450 kg.ha-1, na fórmula 6-24-05 com e sem micronutrientes e com extrato de algas, conforme os seguintes tratamentos:

T1: 6-24-05 + Ca (9%) + S(8%) ;

T2: 6-24-05 + Ca (8%) + S(11%) + B (0,24%) + Cu (0,006%) + Mn (0,12%) + Zn (0,12%);

T3: 6-24-05 + Ca (8%) + S(11%) + B (0,23%) + Cu (0,037%) + Mn (0,075%) + Zn (0,075%);

T4: 6-24-05 + Ca (8%) + S(11%) + B (0,24%) + Cu (0,047%) + Mn (0,095%) + Zn (0,095%);

T5: 6-24-05 + Ca (8%) + S(11%) + B (0,259%) + Cu (0,012%) + Mn (0,032%) + Zn (0,075%)+ Molibdênio (0,024%);

T6: 6-24-05 + Ca (8%) + S(11%) + B (0,254%) + Cu (0,012%) + Mn (0,032%) + Zn (0,075%);

T7: 6-24-05 + Ca (8%) + S(11%) + B (0,262%) + Cu (0,014%) + Mn (0,04%) + Zn (0,095%) + Molibdênio (0,03%) + Extrato de algas (1%).

Para obter os resultados realizou-se amostragem de altura de plantas, sendo avaliadas por ocasião da colheita em 10 plantas, de forma aleatória na área útil da parcela, utilizando-se fita métrica graduada em cm.

Também no momento da maturidade fisiológica, colheu-se plantas de três linhas centrais em cada parcela. As plantas foram trilhadas em trilhadeira mecânica estacionária, sendo os grãos resultantes limpos, pesados e transformados em kg.ha-1. Os dados foram submetidos à análise de variância, sendo as médias comparadas pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade, utilizando-se o software estatístico Assistat, versão 7.7 (Silva, 2014).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Durante o período experimental as condições climáticas foram favoráveis, com adequada precipitação pluvial. Não houve ocorrência de ferrugem asiática da soja (Phakopsora pachyrhizi), sendo realizada três pulverizações de fungicida com o princípio ativo à base de trifloxistrobina e triazolintiona (protioconazol) na dosagem recomendada. Na Tabela 1 são apresentados os resultados de rendimento e altura de plantas.

Os níveis de produtividade entre os tratamentos foram altos, considerando-se a semeadura tardia do experimento, realizada em 21/11/2016. Conforme tabela abaixo não houve diferença estatística entre os tratamentos para o parâmetro produtividade de grãos, o mesmo ocorrendo com altura de plantas. A diferença de produtividade de 258 kg.ha-1, equivalente a 4,3 sacas de soja, entre a testemunha (T1) e o tratamento T7 e, considerando o preço da saca de soja a R$60,00. Obtém-se um incremento de receita bruta no valor de R$ 258,00. O que cabe uma análise de custo/benefício.

O tratamento 1 apresentou menor rendimento, concordando com o esperado, pois o mesmo constitui-se em NPK, com cálcio e enxofre e, ausente de micronutrientes, assim como ausente em extrato de algas.

A altura de plantas não diferiu entre si, embora apresenta-se como maior valor numérico o tratamento 6.

Comparando-se as colunas rendimento e altura de plantas é possível observar que a maior altura de plantas no tratamento 6, não conferiu o maior rendimento. O maior rendimento aconteceu no tratamento 7, dessa forma, diante do resultado não é possível estabelecer uma relação de concordância entre rendimento e altura de plantas.

A altura das plantas de soja é uma característica geneticamente controlada (Vernetti & Vernetti Junior, 2009), mas, as variações de temperatura, umidade, fertilidade do solo, época de semeadura e densidade de plantas alteram o crescimento, podendo modificar a expressão gênica e proporcionar um crescimento reduzido. Contudo, Souza et al., (2013) em experimento realizado relatou que plantas de soja com menor estatura apresentam maior número de vagens, maior número de grãos por planta e grãos mais pesados.

Tabela 1. Rendimento de grãos e altura de plantas de soja com micronutrientes e extrato de algas veiculados em adubo formulado.

Na Figura 1 são apresentados os valores de produtividade, sendo expressos em Kg.ha-1.
Visualizam-se as colunas de produtividades entre os tratamentos, destacando os pontos extremos entre os tratamentos T1 – adubo formulado convencional e T7 – formulado com micronutrientes e extrato de algas.

Figura 1. Rendimento de grãos de soja com micronutrientes e extrato de algas veiculadas em adubo formulado.

Apesar da similaridade estatística, observa-se que o tratamento 7 se destacou em produtividade, cumprindo as expectativas, pois foi a adubação de base mais completa, inclusive com extrato de algas. Este resultado vai ao encontro com o citado por Khan et al. 2009, onde relatou que extrato de algas apresenta reguladores de crescimento, macronutrientes e micronutrientes. O tratamento 7 também apresenta molibdênio, sendo elemento importante, como cofator integrante nas enzimas nitrogenase, redutase do nitrato e oxidase participando das reações bioquímicas e possivelmente favorecendo uma maior fixação biológica de nitrogênio.

Comparando-se os tratamentos T3 e T4, T5 e T6 evidencia-se a necessidade de repetir o experimento em outra condição de solo, assim como outra data de semeadura. Pois em T3 dosou-se 8 Kg de micronutriente.ton-1 e, em T4 10 kg de micronutriente.ton-1, contudo avaliando a produtividade, T3 superou a produtividade de T4 em 34 kg.ha-1.

Da mesma forma, comparando-se T5 e T6, apesar de que Lantmann (2002), relata a importância do molibdênio no transporte de elétrons durante as reações bioquímicas das plantas, T6 sem molibdênio supera o rendimento de T5 com molibdênio.

CONCLUSÕES

A similaridade estatística da produtividade entre os tratamentos com micronutrientes comparado com a testemunha de formulado convencional possivelmente deve-se à alta fertilidade do solo da área experimental.

A adoção da tecnologia baseada no tratamento de maior produtividade deve ser precedida de análise de custo/benefício, que depende do preço da soja e o preço de mercado da tecnologia proposta.

Para garantir maior acurácia nos resultados, o experimento deve ser repetido mais um ano, incluindo em outros tipos de solo e atentando para semeadura na primeira quinzena de outubro.

REFERÊNCIAS

FAVARIN, J.L.; MARINI, J.P. Importância dos micronutrientes para a produção de grãos. In: SOCIEDADE NACIONAL DA AGRICULTURA, 2000. Disponível em <http://www.sna.com.br>. Acesso em junho de 2017.

GONÇALVES Jr., A.C.; PESSOA, A.C.S. Fitodisponibilidade de cádmio, chumbo e crômio, em soja cultivada em argilossolo vermelho eutrófico a partir de adubos comerciais. Scientia Agraria, 3: 19-23, 2002.

IAPAR – Instituto Agronômico de Paraná. Cartas climáticas do estado do Paraná. 1994. Londrina: IAPAR, 1994, 49 p.

KHAN, W. et al. Seaweed extracts as biostimulants of plant growth and development. Plant Growth Regulation, Dordrecht, 28: 386 – 399, 2009.

LANTMANN, A.F. Nutrição e produtividade da soja com molibdênio e cobalto. Artigos EMBRAPA, Coletânea rumos & debates, 2002. Disponível em: <http://www.embrapa.org.br>. Acesso em junho de 2017.

LOPES, A. S.; Micronutrientes – Filosofias de aplicação e eficiência agronômica. ANDA Associação Nacional para Difusão de Adubos. São Paulo – SP, 1999, 64p.

MARTENS, D.C.; WESTERMANN, D.T. Fertilizers applications for correcting micronutrient deficiencies. In. MORTVEDT, J.J.; COX, F.R.; SHUMAN, L.M.; WELCH, R.M. (Ed.) Micronutrients in agriculture. Madison: Soil Science Society of America, 549-592, 1991.

SANTOS, H.C.; FRAGA, V.S.; RAPOSO, R.W.C.; PEREIRA, W.E. Cu e Zn na cultura do sorgo cultivado em três classes de solos. I. Crescimento vegetativo e produção. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, 13: 125‑130, 2009.

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SOUZA, C. A.; FIGUEIREDO, B. P.; COELHO, C. M.M.; CASA, R. T.; SANGOI, L. Arquitetura de plantas e Produtividade da soja decorrente do uso de redutores de crescimento. Biosci. 29: 634-643, 2013.

VERNETTI, F. J.; VERNETTI JUNIOR, F. J.; Genética da Soja: Caracteres Qualitativos e Diversidade Genética. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica, 2009.

Informações dos autores:  

(1) Estudante de Graduação; Centro Universitário da Fundação Assis Gurgacz; Cascavel, Paraná;

(2) Estudante de Graduação; Universidade Tecnológica Federal do Paraná; Toledo, Paraná;

(3) Estudante de Pós-Graduação; Centro Universitário da Fundação Assis Gurgacz; Cascavel, Paraná;

(4) Graduada em Ciências biológicas; Cascavel, Paraná;

(5)Pesquisadora Cindia Sordi; Cascavel, Paraná;

Disponível em: Anais do XXX CONGRESSO BRASILEIRO DE AGRONOMIA, Fortaleza – CE, Brasil, 2017.

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