O presente trabalho teve por objetivo avaliar a eficiência de diversas fontes de adubo orgânico na produção de feijão na região Oeste Catarinense.

Autores: Evandro Spagnollo(1); Ivan Tadeu Baldissera (2); Leandro do Prado Wildner (2); Júlio Cesar Ramos(2)

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

INTRODUÇÃO

A suinocultura, avicultura e bovinocultura são atividades que estão presentes em grande parte das propriedades rurais familiares, típicas do Estado de Santa Catarina. Neste contexto, a utilização dos dejetos destes animais como fertilizante é uma alternativa com apelo técnico econômico e ambiental.

A econômica está relacionada com a diminuição dos custos com a aquisição de insumos externos, e a questão ambiental, está relacionada ao destino correto dos dejetos dos animais. Já, o uso com fertilizantes orgânicos passa a ser uma alternativa para melhorar a renda familiar, uma vez que o fertilizante, base de qualquer sistema de cultivo, está disponível na maioria das propriedades.

O cultivo do feijão por sua vez, é um dos mais importantes do Estado, sendo típico de pequenas propriedades, que além da produção para subsistência, gera renda com a venda do excedente. O presente trabalho teve por objetivo avaliar a eficiência de diversas fontes de adubo orgânico na produção de feijão na região Oeste Catarinense.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento vem sendo conduzido desde 2003 na área experimental do Centro de Pesquisa para Agricultura Familiar, Epagri/Cepaf, em Chapecó-SC. O clima da região, segundo a classificação de Köppen, é do tipo Cfa, subtropical úmido com verão quente. O solo da área experimental foi classificado como Latossolo Vermelho distroférrico e apresentou, por ocasião da instalação do experimento na camada superficial (0-10 cm) as seguintes características: argila= 580 g.kg-1; matéria orgânica= 340 g.kg-1; P= 15,6 mg.dm-3; K= 136 mg.dm-3; pH em água = 6,5; Al+3= 0,0 cmolc.dm+3; Ca2+= 6,8 cmolc.dm-3 e Mg2+= 3,1 cmolc.dm-3, analisados no laboratório de solos da Epagri de Chapecó, conforme metodologias descritas em Tedesco et al. (1995).

O delineamento experimental utilizado foi o de blocos ao acaso com seis repetições e parcelas com 3,6 x 5,0m. Os tratamentos constaram da aplicação anual de cinco tipos de adubo orgânico: cama de aviário (CA), esterco líquido de suínos (ELS), composto de esterco de aves (CEA), composto de esterco de suínos (CES), composto de esterco de bovinos (CEB) e uma testemunha (T), sem adubação.

Os adubos sólidos foram aplicados na dose de 5 t.ha-1 (base seca) e o ELS aplicado 30 m3.ha-1 na cultura do feijão, sendo esta, cultivada em anos alternados ao milho. Os adubos foram aplicados, a lanço, na superfície do solo, sempre na implantação da cultura, sendo esses a única fonte de nutrientes adicionada ao solo. A quantidade de nutrientes de cada fonte de fertilizante aplicada na safra 17/18 está expressa na tabela 1.

Tabela 1. Teores médios de matéria seca e nutrientes nos materiais usados na adubação do feijão safra 2017/2018.

O CEA e o CEB foram produzidos em leiras com combinação de esterco e restos de palha de feijão e de milho. O CES foi adquirido de suinocultor que o produz em plataforma de compostagem com adição de esterco líquido à maravalha e revolvimento mecânico; a cama de aviário foi adquirida de avicultor que produz frangos de corte, com uso de cama de maravalha; o esterco de bovinos, oriundo de um estabelecimento com confinamento de gado de leite e o esterco líquido de suínos de um suinocultor que possui esterqueira com fermentação anaeróbia e armazenado por mais de 40 dias.

A semeadura do feijão foi realizada no dia 05 de outubro de 2017, no espaçamento de 0,45m entre linhas, com população final de aproximadamente 260.000 plantas.ha-1. A produtividade de grãos de feijão foi determinada em área útil 7,2 mda parcela e a umidade corrigida para 13%. A cultivar de feijão utilizada foi a Predileto, desenvolvida pelo Centro de Pesquisa para Agricultura Familiar – Epagri/Cepaf.

O sistema de rotação de culturas consistiu na semeadura anual de feijão ou milho (em anos alternados), com cultivo de aveia preta no outono/inverno em sucessão. Somente as culturas comerciais receberam adubação. A aveia preta foi manejada com rolo faca, em torno de 20 dias antes da semeadura da cultura comercial. A pesquisa está sendo conduzida no sistema orgânico sem uso de agroquímicos e adubos solúveis. Para o presente estudo foram utilizados somente os dados de rendimento de grãos de feijão na safra 2017/2018 e das propriedades químicas do solo avaliadas em coleta realizada em março de 2017 na camada 0-10 cm. As produtividades de grãos e as análises químicas de solo foram submetidas à análise de variância e as médias comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Na tabela 02 estão apresentados os dados de análise química do solo. Em relação aos níveis originais avaliados a 14 anos, quando da instalação do experimento, observa-se que as variações foram mínimas para os valores de pH em água, SMP e alumínio. Quanto aos valores de fósforo e potássio, não foram observados incrementos para o tratamento testemunha e com DLS.

Para o tratamento testemunha é natural que não ocorra aumento pois só foram feitas retiradas de nutrientes sem a devida reposição. Já para o tratamento com aplicação de DLS, a redução nas concentrações de P e K deve estar relacionada a subdosagem do fertilizante, porém ainda não foi suficiente para impactar no rendimento de grãos (Figura 01) quando comparado aos demais tratamentos.

Já para os demais tratamentos, os incrementos foram na ordem de 1,5, 1,8, 4,0 e 6,7 mg.dm-3.ano-1 de fósforo, respectivamente para os tratamentos, CEB, CES, CA e CEA. Para o potássio, ocorreram incrementos nas concentrações nos mesmos tratamentos que ocorreu para o fósforo, porém em ordem diferente. As maiores concentrações foram no tratamento com CA (14,7 mg.dm-3.ano-1), seguido pelo CES (7,2 mg.dm-3.ano-1), CEA  (4,4 mg.dm- 3.ano-1) e CEB (2,8 mg.dm-3.ano-1). Em todos os tratamentos com fertilizantes sólidos ocorreu incremento tanto de P como de K, porém ao comparar com o rendimento de grãos de feijão, observa-se que foram todos semelhantes, demonstrando que para os fertilizantes sólidos está ocorrendo uma superdosagem, ou seja, aplicações em concentração acima daquela que a cultura consiga absorver.

Figura 1. Rendimento de grãos de feijão safra 2017/2018 sob diferentes fontes de adubo orgânico.* Médias seguidas de letras distintas diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade de erro.

Tabela 2. Características químicas do solo em amostras coletadas na camada 0-10 cm e variação anual na concentração de nutrientes.


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Para MO foram observadas alterações positivas apenas no tratamento com CES, com incremento de 9% para o período de 14 anos, passando de 34,0 g.kg-1 para 37,2 g.kg-1. No CEB ficou igual a análise original e nos demais tratamentos ocorreu redução dos níveis de MO. Em relação ao Ca todos os tratamentos com fertilizantes orgânicos apresentaram incremento nas concentrações, variarando de 3 até 39% no período de condução do experimento. Para o Mg variações positivas foram observadas para
CA, CEA, CEB e CES.

Quanto ao rendimento de grãos (Figura 01), todos tratamentos com fertilizantes orgânicos apresentaram rendimentos acima de 2.000 kg.ha-1, diferenciando-se significativamente do tratamento testemunha. Quando observado somente o grupo que recebeu fertilizante sólido, os resultados obtidos ficaram acima da estimativa de média estadual 2.019 kg.ha-1(Cepa, 2017); por outro lado, se for analisada a média para a região de Chapecó (2.195 kg.ha-1), observa-se que os tratamentos com CEA e CEB superaram em 106 e 12 kg.ha-1, respectivamente, a média da região.

CONCLUSÕES

O uso prolongado de fertilizantes orgânicos sólidos proporcionou incremento de nutrientes, principalmente nos teores de fósforo e potássio.

Os rendimentos de grãos de feijão nos tratamentos com fertilizantes orgânicos sólidos foram superiores ao rendimento médio para o Estado de Santa Catarina no ano de 2017.

REFERÊNCIAS

Centro de Socioeconomia e Planejamento Agricola – CEPA. Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina. Boletim agropecuário Nº 54 – 17 de novembro de 2017. [Acessado em: 16 fev. 2018]. Disponível em: www.epagri.sc.gov.br/page_id=19404

Tedesco MJ, Gianello C, Bissani CA, Bohnen H, Volkweiss SJ. Análises de solo, plantas e outros materiais. 2a ed. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul; 1995. (Boletim técnico, 5).

Informações dos autores:  

(1)Pesquisador, Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina – Epagri, Servidão Ferdinando R. Tusset, s/n,Chapecó – SC, Cep 89.803-904;

(2)Pesquisador, Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina – Epagri.

Disponível em: Anais da XII Reunião Sul-Brasileira de Ciência do Solo. Xanxerê – SC, Brasil.

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