O objetivo deste trabalho foi avaliar o IAF para a cultura da soja em diferentes épocas de semeadura no ambiente de terras baixas (solos hidromórficos) e verificar o comportamento das produtividades a partir destas variáveis.

Autores: Patric Scolari Weber1(PG); Alencar Junior Zanon2 (O); Thiago Schmitz Marques da Rocha3; Isabeli Wolski Brendler4(IC); Fabricio Vendruscolo Pinto Filho4(IC)

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

INTRODUÇÃO

A cultura da soja é a principal commodity agrícola do Brasil, tendo uma produção de 117 milhões de toneladas na safra 2017/2018 (CONAB, 2018), sendo o segundo maior produtor mundial do grão, ficando atrás apenas dos Estados Unidos que produziram 119 milhões de toneladas (USDA, 2018). O Rio Grande do Sul é o terceiro maior produtor nacional de soja (16,9%) (CONAB, 2018). Nos últimos 20 anos, a área de cultivada com soja duplicou-se devido à alta demanda do setor produtivo e ao crescimento mundial no consumo deste grão. O aumento da área cultivada e da produtividade da soja no Brasil e, mais especificamente no RS, deve-se a novas tecnologias de produção nos últimos anos, como a utilização de cultivares de ciclo precoce e de tipo de crescimento indeterminado, semeaduras precoces e tardias e o aumento do cultivo de soja em áreas de terras baixas, também conhecidos como solos hidromórficos (Zanon, 2015).

O máximo rendimento da soja é determinado pela capacidade das plantas interceptarem radiação solar através do índice de área foliar (IAF) e converterem esta radiação em matéria seca pelo processo fotossintético. O IAF é a relação entre a área foliar (AF) e a área de solo ocupada pelo cultivo (Heiffig et al., 2006; Zanon et al., 2015). A evolução do IAF ao longo do ciclo de desenvolvimento depende da época de semeadura, genótipo, densidade de plantas, espaçamento entre linhas e manejo fitossanitário (Zanon et al., 2015). O objetivo deste trabalho foi avaliar o IAF para a cultura da soja em diferentes épocas de semeadura no ambiente de terras baixas (solos hidromórficos) e verificar o comportamento das produtividades a partir destas variáveis.

MATERIAL E MÉTODOS

O trabalho foi conduzido na Área Experimental da AGRUM Tecnologias Integradas, em Santa Maria, RS. As cultivares utilizadas neste trabalho foram: NS 4823 RR1 (GMR 4.8); BMX ELITE IPRO (GMR 5.5,) e BMX ÍCONE IPRO (GMR 6.8). As três cultivares possuem tipo de crescimento indeterminado. O delineamento experimental utilizado foi blocos ao acaso, com 3 repetições. As datas de semeadura foram selecionadas afim de representar todo o período recomendado para o estado do RS, sendo elas: 05/10/2017, 30/11/2017 e 10/01/2018. A avaliação da área foliar foi realizada através de um método não destrutivo que consiste em mensurar quinzenalmente o comprimento e a largura dos folíolos centrais das folhas na haste principal e nas ramificações das plantas.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Na primeira época de semeadura (05/10/2017) a cultivar BMX Ícone IPRO apresentou produtividade de 107 sacos há-¹, enquanto que a cultivar BMX Elite IPRO produziu 83 sacos há-1. O IAF também foi superior na BMX Ícone IPRO: o pico da cultivar ocorreu entre 11 e 12 (Figura 1A), sendo que na BMX Elite IPRO ocorreu entre 5 e 6 (Figura 1B). Um dos momentos críticos do desenvolvimento da cultura da soja é o período reprodutivo. Neste momento, é essencial que não ocorra nenhum estresse para as plantas afim de que não haja redução no potencial produtivo das cultivares.

Figura 1: Evolução do IAF da cultivar BMX Ícone IPRO (A) e BMX Elite IPRO (B) e NS 4823 RR (época 2) (B) durante as três épocas de semeadura. Santa Maria, 2018.

Neste sentido, no momento em que ocorre o pico de IAF nas duas cultivares (entre 100 e 110 DAS na cultivar BMX Ícone IPRO e entre 120 e 130 DAS na cultivar BMX Elite IPRO), as plantas encontram-se em dois momentos do desenvolvimento distintos: a cultivar BMX Ícone IPRO finalizando a formação dos legumes e entrando em R5 (início do enchimento de grãos) (Fehr & Caviness, 1977) enquanto que a cultivar BMX Elite IPRO está na metade do enchimento de grãos. Dessa maneira, em um dos períodos mais críticos para a cultura, o IAF encontra-se acima dos 6,3 necessários para se atingir altas produtividades (Tagliapietra et al., 2018), o que permite a perda de área foliar por qualquer eventualidade sem que haja decréscimo de produtividade na cultivar BMX Ícone IPRO (Figura 1A).

Já para a BMX Elite IPRO a perda de área foliar neste momento demanda maior atenção, pois não atinge o IAF ótimo para altas produtividades (Figura 1B). As produtividades das cultivares avaliadas na segunda época de semeadura (30/11/2017) foram semelhantes: a BMX Ícone IPRO produziu 79 sacos ha-1 enquanto a cultivar NS 4823 RR, 78 sacos ha-1. Além disso, o comportamento do IAF nessas cultivares foi similar, sendo que o pico ocorreu entre 5,5 e 6,5 (Figura 1A e B). O enchimento de grãos da NS 4823 RR ocorre aos 75 DAS, quando o IAF está entre 5 e 6 (Figura 1B). Aos 83 DAS iniciou o estádio R5 na cultivar BMX Ícone IPRO, sendo que o IAF neste momento coincide com o da outra cultivar analisada (Figura 1A).

Com a semeadura da época 3, percebeu-se o encurtamento do ciclo das cultivares, sendo que foram, em média, 100 dias de ciclo. O encurtamento do ciclo foi influenciado pelo aumento da temperatura nesta época, ou seja, para maiores temperaturas, maior o efeito catalisador dos processos biofísicos e bioquímicos das plantas e menor a duração entre os estádios de desenvolvimento (Zanon et al., 2018). O máximo valor de IAF obtido para as cultivares BMX Ícone IPRO e BMX Elite IPRO foi de 2,7 e 1,5, respectivamente (Figura 1A e B). Com IAF muito distante do IAF para a obtenção de altas produtividades, foram obtidos 22 sacos ha-1 para a cultivar BMX Ícone IPRO e 25 sacos ha-1 para a cultivar BMX Elite IPRO.


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Outro fator relevante a ser destacado é o fato de que em semeaduras mais tardias a contribuição das ramificações para o IAF baixa significativamente, o que interferiu para a obtenção do IAF total.

CONCLUSÃO

Nesse contexto, com o intuito de maximizar a produtividade nas lavouras de soja em terras baixas, a semeadura antecipada mostrou-se mais eficiente. Deve-se considerar o GMR no momento da decisão sobre qual cultivar semear, além das suas características genéticas (capacidade de ramificação, potencial produtivo e recomendação para áreas de várzea). Assim, para semeaduras antecipadas, é mais viável a utilização de cultivares com GMR maior.

REFERÊNCIAS

CONAB – Companhia Nacional de Abastecimento. Boletim da Safra de Grãos. 2018. Disponível em: <https://www.conab.gov.br/info-agro/safras/graos>. Acesso em: 28 de agosto de 2018.

Fehr, W. R., & Caviness, C. E. (1977). Stages of soybean development (Special Report, 80). Ames: Iowa State University of Science and Technology. 15 p.

Heiffig, L. S., Câmara, G. M. S., Marques, L. A., Pedroso, D. B., & Piedade, S. M. S. (2006). Fechamento e índice de area foliar da cultura da soja em diferentes arranjos espaciais.Bragantia, 65, 285-295. http:// dx.doi.org/10.1590/S0006-87052006000200010. Tagliapietra, Eduardo Lago et al. Optimum Leaf Area Index to Reach Soybean Yield Potential in Subtropical Environment. Agronomy Journal, v. 110, n. 3, p. 932-938, 2018.

USDA – United States Departament of Agriculture. 2018. Foreign Agricultural Service. Production, Supply and Distribution Online: Custon Query. Disponível em: <http://www.fas.usda.gov/psdonline/psdQuery.aspx>. Acesso em: 28 de agosto de 2018.

Zanon, Alencar Junior et al. Ecofisiologia da soja visando altas produtividades. 1 ed. Santa Maria, 2018. Zanon, Alencar Junior et al. Contribuição das ramificações e a evolução do índice de área foliar em cultivares modernas de soja. Bragantia, v. 74, n. 3, p. 279-290, 2015.

ZANON, Alencar Junior. Variáveis meteorológica e de manejo que influenciam índice de área foliar, desenvolvimento e rendimento potencial em soja no Rio Grande do Sul. 2015. 151 p. Tese (Doutorado em Agronomia). Universidade Federal de Santa Maria, UFSM, Santa Maria, 2015.

Informações dos autores:  

1Programa de Pós-Graduação em Engenharia Agrícola – Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria/RS.

²Professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria/RS.

³Doutorando no PPG Engenharia Agrícola, Engenheiro Agrônomo, MSc. Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria/RS.

4Aluno de Graduação de Agronomia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria/RS.

Disponível em: Anais do I Congresso Online para aumento da produtividade de soja 2018. Santa Maria, RS.

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