Qualidade de grãos de soja armazenados em diferentes condições de temperatura e umidade

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Autores: Ricardo Tadeu ParaginskiAnderson ElyCamila Nunes Fontoura3

A produção nacional da cultura da soja (Glycine max L. Merril) vem expandido anualmente, devido ao alto teor de proteínas e lipídios, que permite grande utilização na alimentação humana e animal, além de ser a commodity com maior impacto no PIB do setor. Diante desse cenário, observamos a necessidade de otimizar o armazenamento que ainda é precário em muitas unidades do país, e na Fronteira Oeste do Rio Grande Sul não é diferente, devendo-se encontrar condições ideais para manter a qualidade inicial da massa de grãos durante o período de armazenado.

Dentre os fatores que interferem na qualidade de armazenamento, temperatura e umidade são os principais, podendo a técnica de resfriamento artificial ser uma alternativa para o armazenamento. Considerando a tecnologia de resfriamento como alternativa para reduzir as alterações de qualidade dos grãos, e também uma ferramenta para reduzir a necessidade imediata de secagem grãos, o objetivo do trabalho foi avaliar o teor de umidade, o peso de mil grãos, a perda de matéria seca e o teor de grãos mofados ao longo de 180 dias de grãos armazenados nas temperaturas de 15, 25 e 35ºC com teor de umidade de 12, 15 e 18%.

Os grãos de soja colhidos mecanicamente e produzidos no município de Alegrete, Rio Grande do Sul, foram acondicionados em sacos de polietileno de 0,2 mm de espessura de filme plástico, com dimensões de 30x30x30 cm, com capacidade de 1 Kg, vedados com máquina Webomatic. Após a instalação do experimento, estes foram avaliados no início, e a cada 45 dias ao longo do período, sendo submetidos as análises do teor de umidade, peso de 1000 grãos e perda de matéria seca. Na Figura 1 observa-se as amostras ao final do período de 180 dias de armazenamento.

Figura 1. Amostra dos grãos de soja armazenados com 12, 15 e 18% nas temperaturas de 15ºC, 25ºC, e 35ºC ao final de 180 dias.

Os resultados do teor de umidade dos grãos (Figura 2) indicam que houve uma manutenção da umidade dos grãos indicam que os valores permaneceram constantes na temperatura de 15ºC nas três umidades, entretanto na temperatura de 25ºC e 35ºC houve uma redução da umidade nos grãos armazenados com 15% de umidade, devido ao equilíbrio higroscópico.

A redução do teor de água dos grãos observada nos grãos armazenados é resultado do equilíbrio higroscópico dos grãos com as condições do ambiente de armazenamento, quando a pressão de vapor do grão é maior que a do ar circundante, ocorre o fenômeno de dessorção havendo transferência de vapor de água para o ar reduzindo, desta forma, a umidade dos grãos. Na umidade de 18% não ocorreu uma redução da umidade, principalmente devido a formação de grãos mofados.

Figura 2. Teor de umidade (%) dos grãos de soja armazenados com 12, 15 e 18% nas temperaturas de 15ºC (A), 25ºC(A) e 35ºC (C) durante 180 dias.

 

Os resultados de peso de 1000 grãos (Figura 3) indicam que houve uma redução do peso de 1000 grãos principalmente nos grãos armazenados na temperatura de 35ºC. Na temperatura de 15 e 25ºC ocorreram variações ao longo do período, e essa pode ser atribuída as oscilações de umidade dos grãos até atingir o equilíbrio higroscópico.

Figura 3. Peso de 1000 grãos (gramas) dos grãos de soja armazenados com 12, 15 e 18% nas temperaturas de 15ºC (A), 25ºC(A) e 35ºC (C) durante 180 dias.

Os resultados de perda de matéria seca (Figura 4) indicam que ocorreu um aumento na perda de matéria seca dos grãos nos grãos armazenados na temperatura de 15 e 25ºC com umidade de 18%. Já na temperatura de armazenamento de 35ºC houve um aumento crescente ao longo de todo o período de armazenamento em todas as umidades avaliadas. A perda de matéria seca dos grãos está associada ao processo respiratório, onde maiores perdas são resultados de condições incorretas de armazenamento dos grãos.

Figura 4. Perda de matéria seca (%) dos grãos de soja armazenados com 12, 15 e 18% nas temperaturas de 15ºC (A), 25ºC(A) e 35ºC (C) durante 180 dias.

Os resultados do teor de grãos mofados armazenados nas umidades de 12, 15 e 18% nas temperaturas de 15, 25 e 35ºC (Figura 5) indicam que com umidade de 12% o teor de mofados permaneceu baixo, garantindo assim a tipificação dentro do Padrão Básico de comercialização.

Na umidade de 15% o teor de grãos mofados aos 90 dias na temperatura de 35ºC foi próximo a 10%, resultando na tipificação como Fora do Padrão Básico, sendo que aos 135 dias os valores foram superiores a 15% de grãos mofado.

Ao final de 180 dias de armazenamento, na temperatura de 15, 25 e 35ºC com umidade de 15%, os valores encontrados foram próximos a 20, 40 e 80%, respectivamente, indicando níveis elevados de grãos mofados na amostra.

Nos grãos armazenados com umidade de 18%, condições essa em que ocorre a colheita e o direto armazenamento, sem a realização de secagem, aos 45 dias nas temperaturas de 15 e 25ºC o teor de grãos mofados era superior a 15% e na temperatura de 35ºC era superior a 40%, resultando em grãos tipificados como Fora do Padrão, sendo que aos 135 dias de armazenamento nas três temperaturas de armazenamento 100% dos grãos estavam mofados.

Figura 5. Teor de grãos mofados (%) dos grãos de soja armazenados com 12, 15 e 18% nas temperaturas de 15ºC (A), 25ºC(A) e 35ºC (C) durante 180 dias

Portanto, os resultados obtidos demonstram a relevância do armazenamento em condições ideais para a conservação da qualidade inicial do grão, viabilizando em aspectos econômicos e nutricionais o armazenamento nas situações analisadas de umidade e temperatura inferiores. Assim, para armazenamento seguro de grãos de soja, deve-se utilizar umidade dos grãos de no máximo 12%, e sempre quando as condições permitirem, a temperatura deve ser reduzida para valores próximos a 15ºC, sendo o resfriamento artificial uma opção para regiões com temperaturas mais elevadas.

Informações sobre os autores:

1 Engenheiro Agrônomo, Dr., Professor de Fitotecnia do Instituto Federal Farroupilha, E-mail: ricardo.paraginski@iffarroupilha.edu.br

2Acadêmico do Curso de Engenharia Agrícola do Instituto Federal Farroupilha – Campus Alegrete e da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), E-mail: ander-ely@hotmail.com

3Acadêmica do Curso de Engenharia Agrícola do Instituto Federal Farroupilha – Campus Alegrete e da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), E-mail: camilafnunes_@hotmail.com

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