Reação de híbridos de milho ao nematoide Meloidogyne incognita

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O objetivo do presente trabalho foi avaliar a reação de híbridos de milho comumente semeados no Mato Grosso, verificando a reação quanto à espécie M. incognita em ambiente controlado

Autores: Rayane Gabriel da Silva(1), Tânia de Fátima Silveira dos Santos(2), Douglas Coradini(3), Mickael Bruno Saraiva da Silva(4), Lucas Queiroz Ribeiro(5), Tamiris Silva dos Santos(6) e Stallony Stefano Samanieggo Sousa Silva(6)

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

Introdução

O milho (Zea mays) é uma das principais culturas cultivadas no mundo, principalmente pelo fato de ser semeada em duas épocas distintas, safra verão e safrinha. Nos países em desenvolvimento é uma das espécies mais cultivadas. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB, 2017), a produção de grãos de milho safrinha em 2017 no Brasil foi de 67,25 milhões de toneladas, cultivado em 12 milhões de hectares. Consequentemente, a cultura perde produtividade devido a diversos fatores, sendo elucidados os ocasionados por patógenos presentes no solo, especialmente os nematoides.

O milho sofre ataque de nematoides em todas as regiões do mundo onde é cultivado (Silva, 2007). As injúrias causadas podem variar conforme o gênero, nível populacional, condições do solo e estádio de desenvolvimento da cultura.

A espécie Meloidogyne incognita é a principal hospedeira, se tratando dos nematoides de galha para o milho, e a maioria dos híbridos disponíveis é suscetível ao seu parasitismo (Levy et al., 2009). França (2006), estudando a reação de híbridos de milho a M. incognita, verificou dentre 26 híbridos, que apenas os híbridos NB 7354 e FORT apresentaram má hospedabilidade à espécie, sendo que os demais foram bons hospedeiros.

A adoção do controle genético com uso de híbridos resistentes à espécie em sistemas de rotação é uma prática que pode inibir a reprodução de forma a manter sua população em níveis baixos no solo (Medeiros et al., 2001), minimizando assim, as perdas de produtividade ocasionadas à cultura.

Diante do exposto, o objetivo do presente trabalho foi avaliar a reação de híbridos de milho comumente semeados no Mato Grosso, verificando a reação quanto à espécie M. incognita em ambiente controlado.

Material e Métodos

O experimento foi conduzido em casa de vegetação da Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso (APROSMAT), em Rondonópolis – MT, durante o período de julho a setembro de 2017.

O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado. Foram estudados 72 tratamentos, com seis repetições, constituídos pela avaliação de 70 híbridos de milho e, como tratamento padrão de resistência e suscetibilidade à espécie, utilizou-se a Crotalaria spectabilis e a cultivar de soja BRS 7980, respectivamente (Tabela 1). Os híbridos de milho foram oriundos das safras anteriores, disponibilizados por produtores e revendas.

Tabela 1. Relação dos híbridos estudados quanto reação à Meloidogyne incognita.

Os vasos, de cerâmica, comportavam 3,0 L preenchidos com solo previamente autoclavado na proporção de 2:1 de areia e solo. Foram colocadas quatro sementes por vaso e, após sete dias, realizou-se o desbaste deixando uma planta por vaso.

O inóculo de M. incognita foi obtido a partir de populações puras mantidas em casa de vegetação multiplicada em plantas de soja suscetível a espécie e para extração dos ovos, foi empregado o método de Bonetti & Ferraz (1981). A inoculação da suspensão contou com uma população de 5.000 ovos e juvenis pipetados em cada vaso, em orifício de 2,0 cm nas proximidades das raízes. Os vasos foram mantidos em casa de vegetação com irrigações diárias e temperatura entre 25 °C e 35 °C.

O fator de reprodução foi avaliado aos 60 dias onde foram descartadas as partes aéreas. Cada tratamento foi submetido à lavagem e remoção das partículas de solos aderida ao sistema radicular. As raízes foram cortadas e batidas em liquidificador para a extração de ovos e juvenis de M. incognita, conforme Bonetti & Ferraz (1981), no qual as raízes foram trituradas em liquidificador com solução de hipoclorito de sódio a 0,5%, embaixa rotaçã o por 30 segundos. As suspensões resultantes da trituração foram passadas nas peneiras de 60, 200 e 500 mesh e feita à contagem com o auxílio de microscópio estereoscópico e câmara de Peters.

O fator de reprodução (FR) foi calculado pela relação entre a população final (PF), obtida pelo número de ovos e juvenis extraídos das raízes, dividido pela população inicial (PI) inoculada (PF/PI). Os genótipos com FR>1 significa que a população do nematoide aumentou com o seu cultivo. Já se o FR<1 indica que a população do nematoide reduziu.

Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância e as médias comparadas pelo teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade. Utilizou-se o programa estatístico SISVAR.

Resultados e Discussão

Os valores de FRs para os híbridos foram significativos pelo teste de F e encontram-se na Tabela 2. Conforme proposto por Oonstebrink (1966), nenhum dos híbridos estudados comportou-se como resistente. Todos apresentaram FR>1, indicando que a população do nematoide aumentou após a inoculação. Os FRs variaram entre 2,6 e 88,0, mostrando que a espécie M. incognita variou conforme a patogenicidade da espécie frente a cada híbrido.

O híbrido P30F53 VYHR LEPTRA obteve valor alto de FR (88,0), diferindo inclusive do padrão de suscetibilidade (cultivar de soja BRS 7980) que obteve FR de 44,1, revelando alto grau de multiplicação dos juvenis no volume radicular estimulada pelo híbrido. Os híbridos P30F35 e P30F53 obtiveram FRs de 4,7 e 30,5, respectivamente, sendo considerados suscetíveis. Estes mesmos materiais foram estudados por Vilela et al. (2007) e também se comportaram como multiplicadores da espécie M. incognita.

Tabela 2. Resultados do fator de reprodução (FR) de híbridos de milho submetidos a inoculação de Meloidogyne incognita.

Dias et al. (2012), estudando híbridos de milho submetidos a M. incognita, testaram m dois ensaios em casa de vegetação, os mesmos materiais, diferindo apenas nas épocas  de avaliações, verificaram dados diferentes, em que o genótipo de milho BRS 3025 com FR 2,31 e 1,49, aos 82 e 90 dias, respectivamente, mostraram a heterogeneidade que pode ocorrer mesmo os materiais sendo submetidos as condições semelhantes. Francisco et al.(2007) estudaram em ambiente controlado com vasos plásticos, a reação de 16 genótipos de milho à M. incognita raça 3 e não encontraram materiais com resistência. Paes et al. (2010), estudando 36 híbridos de milho quanto à multiplicação de M. incognita, verificaram ao inocular população de 5.000 (ovos e juvenis) em 3,0 L de solo, que todos os híbridos de milho se comportaram como bons hospedeiros ao M. incognita, com FRs variando entre 1,26 e 8,74.

Os resultados encontrados neste estudo corroboram com diversos autores nos quais verificam dificuldades em encontrar cultivares/ híbridos de milho frente à hospedabilidade de incognita, onde poucas fontes de resistência foram verificadas até o momento. O reconhecimento de materiais com FRs relativamente baixos reduz a população em áreas infestadas, nos quais se usa sucessão soja/ milho ou rotação de culturas.

Conclusão

Os híbridos de milho estudados não foram resistentes ao nematoide Meloidogyne incognita, com fator de reprodução variando entre 2,6 e 88,0. O menor fator de reprodução foi encontrado no híbrido SX7331 VIPTERA, sendo uma opção para áreas infestadas, visto que é difícil encontrar materiais resistentes.

Referências

BONETTI J.I.; FERRAZ S. Modificações do método de Hussey & Barker para extração de ovos de Meloidogyne exigua em raízes de cafeeiro. Fitopatologia Brasileira, Brasília, v.6, p.553, 1981.

CONAB – Companhia Nacional de Abastecimento. Acompanhamento da safra brasileira: grãos, décimo segundo levantamento, setembro/2017. Brasília: Conab, 2017. 158p.

FRANÇA, R. Reação de híbridos de milho (Zea mays) ao fitonematoide Meloidogyne incognita. In: SEMINARIO INTERNO DE INICIAÇÃO CIENTIFICA, CONVÊNIO FAPEMIG/UFU, 10., 2006, Uberlândia. Anais… Uberlândia: UFU, 2006. CD-ROM

FRANCISCO, A.; DIAS, W.P.; RIBEIRO, N.R. Reação de genótipos de milho a Meloidoyne incognita, raça 3 e M. javanica. Nematologia Brasileira, Piracicaba, v.31, n.2, p.111, 2007.

LEVY, R.M.; HOMECHIN, M.; SANTIAGO, D.C.; CADIOLI, M.C.; BAIDA, F.C. Reação de genótipos de milho ao parasitismo de Meloidogyne incognita raça 1 e a M. paranaensis. Acta Scientiarum. Agronomy, Maringá, v.31, n.4, p.575-578, 2009.

MEDEIROS, J.E.; SILVA, P.H.; BIONDI, C.M.; MOURA, R.M.; PEDROSA, E.M.R. Reação de genótipos de milho ao parasitismo de Meloidogyne javanica. Nematologia Brasileira, Piracicaba, v.25, n.2, p.243-245, 2001.

OOSTENBRINK, M. Major characteristics of the relation between nematodes and plants. Mededelingen Van De landbouwhogeschool Te Wageningen, Nederland, v.66, n.4, p.1- 46, 1966.

PAES, J.M.V.; SANTOS, M.A.; WRUCK, D.S.M.; LANZA, M.A.; ZITO, R.K. Reação de cultivares de milho aos nematoides de galhas no ano agrícola 2007/2008. In: CONGRESSO NACIONAL DE MILHO E SORGO, 28., 2010. Anais… Goiânia: Associação Brasileira de Milho e Sorgo, 2010. CD-ROM SILVA, F.G. Levantamento de fitonematoides nas culturas de soja e milho no município de Jataí, GO. 2007. 47f. Dissertação (Mestrado em fitotecnia) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2007.

VILELA, M.C.; CAMPOS, H.D.; SILVA, L.H.C.P.; SILVA, J.R.C.; NEVES, D.L.; RIBEIRO, G.C. Reação de híbridos de milho a Meloidoyne javanica e Meloidoyne incognita Nematologia Brasileira, Piracicaba, 2007.

Informações do autores:     

(1)Engenheira Agrônoma, Assistente de pesquisa, Associação dos produtores de sementes de Mato Grosso (APROSMAT), Rondonópolis – MT;

(2)Bióloga, M.Sc., Responsável Técnica, APROSMAT, Rondonópolis – MT;

(3)Engenheiro Agrônomo, Pesquisador, Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT), Rondonópolis – MT;

(4)Técnico Agrícola, Auxiliar de casa de vegetação, APROSMAT. Rondonópolis – MT;

(5)Graduando em Agronomia, Faculdade Anhanguera de Rondonópolis (FAR), Auxiliar de casa de vegetação, APROSMAT, Rondonópolis – MT;

(6)Graduandos em Agronomia, FAR, Estagiários, APROSMAT, Rondonópolis – MT.

Disponível em: Anais do XIV SEMINÁRIO NACIONAL DE MILHO SAFRINHA, Cuiabá – MT, Brasil,2017.

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