Objetivou-se estabelecer as relações lineares entre a nodulação, componentes de produtividade e a plantabilidade na cultura da soja.

Autores: Guilherme de Almeida Arismendi1 , Luan Felipe Bortoli1 , Thomas Newton Martin1 e Matheus Martins Ferreira1

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

A soja possui grande destaque no cenário da produção de grãos, pois trata-se de uma fonte de proteína de baixo custo e de origem vegetal (FAO, 2013). Para que se atinjam altos rendimentos, além dos avanços biotecnológicos, deve-se atentar para outros componentes que devem ser atendidos em prol da ampliação da produtividade. Dentre alguns dos componentes que podem afetar a produtividade, estão a densidade de semeadura (Luca & Hungria, 2014) e a distribuição espacial de plantas (Balbinot Junior et al.,2015). Alguns estudos têm demonstrado que a distribuição espacial de plantas pode ser fortemente afetada pela velocidade de semeadura, sendo que efeitos negativos na produtividade foram observados quando há aumento da velocidade (Brandelero et al., 2015). A principal desvantagem da semeadura em velocidades elevadas é a distribuição de sementes inadequada (Schuch e Peske, 2012), que pode provocar competição intraespecífica (Bertelli et al., 2016).

A distribuição de plantas na fileira pode alterar os componentes produtivos da soja. Porém, essa alteração pode estar relacionada a outros caracteres da cultura, os quais podem regular os componentes produtivos. Segundo Hungria (2001), o número de nódulos, o volume radicular e a eficiência desse, também são necessários para elevar a produtividade de grãos de soja, nesse caso, podem ser estabelecidas correlações dos mesmos com outras variáveis analisadas, de acordo com a correlação de Pearson.

Objetivou-se estabelecer as relações lineares entre a nodulação, componentes de produtividade e a plantabilidade na cultura da soja.

O experimento foi conduzido na área didático-experimental do Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Santa Maria. O solo da área é classificado como Argissolo Vermelho distrófico arênico. O clima da região é Cfa, caracterizado como subtropical úmido, com verões quentes e sem estação seca definida (Heldwein et al., 2009). O experimento foi conduzido em blocos ao acaso com quatro repetições. Os tratamentos foram cinco velocidades de semeadura (T1: 2,0; T2: 3,1; T3: 6,1; T4: 7,4; T5: 9,0 km h-1) e três épocas de avaliação (V6, R1 e R5). A semeadura foi realizada com semeadora-adubadora da marca Sfill de cinco linhas de semeadura, com espaçamento entre fileiras regulado para 0,45 m e densidade para 14,3 sementes m-1. Em cada parcela, correspondente a uma velocidade de semeadura, avaliou-se a distância entre as plantas (DEP, cm), o número de nódulos viáveis por planta (NN), massa seca de nódulos por planta (MSN, mg), massa seca de parte aérea por planta (MSPA, g) e percentagem de espaçamentos falhos (F), duplos (D) e aceitáveis (AC) em um metro linear de cada linha de semeadura. Também foram avaliadas as variáveis; população de plantas (POP), e relação entre a população real e a população de referência (TR), Massa de mil grãos (MMG), produtividade de grãos (PG), número de vagens com três (NV3), dois (NV2), um (NV1) e número total de vagens (NTV) em cada parcela de 13,75 m2. Os dados foram submetidos à análise de variância a 5% de probabilidade. Foi calculada a matriz de coeficientes de correlação linear de Pearson (r) entre os caracteres e, por meio do teste t de Student, a 5% de probabilidade de erro, considerando para as correlações: |0,00| a |0,19| – correlação muito fraca; |0,20| a |0,39| – correlação fraca; |0,40| a |0,69| – correlação moderada; |0,70| a |0,89| – correlação forte; |0,90| a |1,00| – correlação muito forte.

Para essa pesquisa entende-se que as diferentes velocidades de semeadura foram analisadas em conjunto com as épocas de avaliação, apresentando-se assim as correlações lineares (Tabela 1 e Tabela 2). Na Tabela 1, algumas correlações se destacaram e mostraram-se relevantes para ambas as épocas de avaliação, tais como o número de nódulos e a massa dos nódulos, que possuem uma correlação forte (0,84), indicando que quanto maior o número de nódulos, maior será a sua massa de nódulos por planta. Essa correlação é relevante visto que os nódulos são as estruturas que convertem o nitrogênio atmosférico em nitrogênio assimilável pela planta (Zhou et al., 2016). Além disso, o número de grãos por vagem com dois ou três grãos possui uma relação forte (0,8) e muito forte (0,96) com o número de vagens total por planta, sendo uma correlação importante para a produtividade de grãos (Casteel, 2012; Lee & Herbek, 2005). Em relação a qualidade de distribuição das plantas na fileira de semeadura, não se verificou relação com componentes de produtividade de grãos. As variáveis que denotam a qualidade de semeadura possuem, entre si, relações como o número de espaçamentos aceitáveis (AC) e o índice de qualidade (A) (0,90), além disso, quanto maior a população, maior o número de espaçamentos aceitáveis (0,71). Desta maneira, aumentando a distância entre plantas, aumenta-se o número de falhas, e aumentando a DEP, reduz-se a população de plantas (-0,79) que está ligada a produtividade de grãos.


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Tabela 1. Matriz de correlação linear de Pearson, para os caracteres distância média entre plantas (DEP), número de nódulos (NN), massa seca de nódulos (MSN), massa seca de parte aérea (MSPA), população de plantas (POP), relação entre a população teórica e a real (TR), percentual de espaços falhos (F), aceitáveis (AC), duplos (D), índice de qualidade (A), precisão (C), desvio padrão da amostra (DP), massa de mil grãos (MMG), produtividade de grãos (PG), número de vagens com três (NV3), dois (NV2), um (NV1) e número total de vagens (NTV), para a primeira e segunda época de avaliação.

Tabela 2. Matriz de correlação linear de Pearson, para os caracteres distância média entre plantas (DEP), número de nódulos (NN), massa seca de nódulos (MSN), massa seca de parte aérea (MSPA), população de plantas (POP), relação entre a população teórica e a real (TR), percentual de espaços falhos (F), aceitáveis (AC), duplos (D), índice de qualidade (A), precisão (C), desvio padrão da amostra (DP), massa de mil grãos (MMG), produtividade de grãos (PG), número de vagens com três (NV3), dois (NV2), um (NV1) e número total de vagens (NTV), para a terceira e para todas as épocas de avaliação.

Na Tabela 2, nota-se que algumas correlações se repetiram nas três épocas de avaliação, tais como NV3 que teve correlação muito forte (0,96), TR e POP (1,00) e novamente a MSN com NN com correlação de (0,97), verificando-se que essas variáveis podem ser avaliadas em qualquer um dos três estágios de desenvolvimento.

A velocidade de semeadura afeta as relações lineares entre nodulação, plantabilidade e componentes de produtividade.

Referências

BALBINOT JUNIOR, A. A. B.; PROCOPIO, S.O.; DEBIASI, H. & FRANCHINI, J.C. Densidade de plantas na cultura da soja. Londrina: Embrapa Soja. 36p. (Embrapa Soja. Documentos, 364), 2015.

BERTELLI, G.A.; JADOSKI, S.O.; DOLATO, M.L.; RAMPIM, L. & MAGGI M.F. Desempenho de plantabilidade de semeadoras pneumática na implantação da cultura da soja no cerrado piauiense. Brazilian Journal of Applied Technology for Agricultural Science, v. 9, p. 91–103, 2016.

BRANDELERO, E.M.; ADAMI, P.F.; MODOLO, A.J.; BAESSO, M.M. & FABIAN, A.J. Seeder performance under different speeds and its relation to soybean cultivars yield. Journal of Agronomy, v. 14, p. 139–145, 2015.

CASTEEL, S.N. Estimating Soybean Yields – Simplified. Disponível em:<https://www.agry.purdue.edu/ext/soybean/News/2012/2012_0814SOY SimplifiedYieldEstimates.pdf>, 2012. Acessado em: 11 de Abril de 2018

FAO (2013) Final 2011 Data and Preliminary 2012 Data for 5 Major Commodity Aggregates. Disponível em: http://faostat.fao.org. Acessado em: 15 de Janeiro de 2018.

FEHR, W.R.; CAVINESS, C.E. Stages of soybean development. Ames: Iowa State University, 12p. (Special Report, 80), 1977.

HELDWEIN, A.B.; BURIOL, G.A. & STRECK, N.A. O clima de Santa Maria, RS. Ciência & Ambiente, v. 38, p. 43–58, 2009.

HUNGRIA, M.; CAMPO, R.J. & MENDES, I.C. Fixação biológica do nitrogênio na cultura da soja. Londrina: Embrapa Soja. 48 p. (Embrapa Soja. Circular Técnica, 35; Embrapa Cerrados. Circular Técnica, 13), 2001.

LEE, C & HERBEK, J (2005) Estimating Soybean Yield, University of Kentucky –College of Agriculture. Disponível em: http://www2.ca.uky.edu/agc/pubs/agr/agr188/agr188.pdf. Acessado em: 11 de Abril de 2018.

LUCA, M. & HUNGRIA, M. Plant densities and modulation of symbiotic nitrogen fixation in soybean. Scientia Agricola, v. 71, p. 181–187, 2014

SCHUCH, L. O. B.; PESKE, S. T. Falhas e duplos na produtividade. Revista SEED News, Pelotas, RS, n. 6, nov./dez. 2012.

ZHOU, W.M; MA, B. & SMITH, D.L. Nitrogen in Grain Production Systems Em: Encyclopedia of Food Grains (Second Edition), p. 129–137, 2016.

Informações dos autores:  

1Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Av. Roraima n° 1000, Camobi, CEP: 97105-900 Santa Maria – Centro de Ciências Rurais.

Disponível em: Anais da 42ª Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul, Três de Maio – RS, Brasil, 2018.

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