O  objetivo foi avaliar o rendimento biológico e componentes morfológicos de cultivares de soja com diferentes grupos de maturação submetidas a desfolha nos estádios V6 e R3.

Autores: DURLI, M. M.1; SANGOI, L1.; LEOLATO, L. S. 1; OLIVEIRA, V. L. 1; KUNESKI, H. F. 1; COELHO, A. E.; SCHERER, R. L. 1; DALMOLIN, L. G. 1; TUREK, T.L. 1; MARTINS JR, M.C. 1

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

A área foliar e a sua capacidade fotossintética são fatores importantes na definição do potencial produtivo da soja (Glycine max), pois é a partir das folhas e de sua interação com a radiação solar que os fotoassimilados são produzidos e destinados ao enchimento de grãos (ANDRADE et al.; 2002). Dessa forma, qualquer fator que limite a área foliar irá comprometer a fotossíntese e a produtividade. Algumas lagartas são importantes agentes desfolhadores, afetando diretamente o potencial fotossintético da planta.

Bueno et al. (2013) relataram que cultivares com menor índice de área foliar (IAF) são mais sensíveis à desfolha, tendo em vista que o IAF é crucial para o desenvolvimento e a produtividade da soja. Quanto menor o grupo de maturação (GM) da cultivar, menor é seu ciclo e sua estrutura vegetativa. O menor ciclo da cultivar a torna mais sensível a estresses (ZANON et al.; 2015).

Além do rendimento de grãos, a desfolha pode interferir no desenvolvimento da cultura, afetando seus componentes morfológicos. A distribuição de fotoassimilados entre os diversos drenos da planta ocorre numa rota que é coordenada conforme mudança no requerimento de cada um dos drenos durante o ciclo da cultura. Portanto, a desfolha pode afetar vários componentes morfológicos da planta de soja.

Considerando que há poucos trabalhos com desfolha avaliando cultivares de GM distintos atualmente disponíveis no mercado, realizou-se essa pesquisa. O objetivo foi avaliar o rendimento biológico e componentes morfológicos de cultivares de soja com diferentes grupos de maturação submetidas a desfolha nos estádios V6 e R3.


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Foram conduzidos na safra 2016/2017 dois experimentos em casa de vegetação no município de Lages, SC. Nestes ensaios foram avaliadas três cultivares com grupos de maturação (GM) distintos: Veloz RR com GM 5.0, NA 5909 RG com GM 5.9 e TMG 7262 com GM 6.2.

O delineamento experimental dos experimentos foi de blocos ao acaso, com três repetições por tratamento. Foi utilizado um arranjo fatorial (3×5) de distribuição dos tratamentos, onde cada cultivar foi submetida a 5 níveis de desfolha, equivalente a 0%, 16,6%, 33,3%, 50% e 66,6% da área foliar apresentada pela cultura no momento da remoção das folhas. No primeiro experimento as desfolhas foram impostas no estádio V6 e no segundo experimento no estádio R3. A desfolha foi realizada com auxílio de uma tesoura, cortando as folhas de forma longitudinal, de acordo com o nível de desfolha imposto.

A semeadura foi realizada no dia 01/11/2016, com cinco sementes por vaso. Cada vaso foi preenchido com um Nitossolo vermelho distrófico previamente peneirado. Após a emergência realizou-se o desbaste, mantendo uma planta por vaso.

Após a colheita determinou-se o comprimento da haste principal e o número de nós por haste. O rendimento biológico foi obtido através da soma da massa seca das hastes, vagens e grãos das plantas. Os dados foram submetidos à análise de variância utilizando o teste F (p<0,05). Quando alcançada significância, as médias do fator quantitativo (cultivar) foram comparadas pelo teste t e dos fatores qualitativos (níveis de desfolha) foram avaliadas por regressão polinomial.

O rendimento biológico foi afetado pela interação entre o grupo de maturação da cultivar e o nível de desfolha, nos dois estádios fenológicos em que a redução de área foliar foi imposta às plantas (Figura 1).

Figura 1. Rendimento biológico em três cultivares de soja sob diferentes níveis de desfolha em V6 (a) e R3 (b). Lages, SC.

No experimento com desfolha em V6, o rendimento biológico das cultivares Veloz e NA 5909 decresceu de forma quadrática à medida que o nível de desfolha aumentou (Figura 1a). O rendimento biológico da cultivar TMG 7262 não foi afetado significativamente pelos níveis de desfolha.

No experimento com desfolha em R3, a cultivar NA 5909 apresentou decréscimo linear de seu rendimento biológico em função do aumento do nível de desfolha, enquanto as cultivares Veloz e TMG 7262 apresentaram decréscimos quadráticos à medida que aumentou a desfolha (Figura 1b). Nos dois estádios fenológicos, a cultivar Veloz externou menor rendimento biológico do que as cultivares NA 5909 e TMG 7262.

Board & Kahlon (2011) atribuíram a menor massa seca de plantas à diminuição do fornecimento de fotoassimilados. Cultivares modernas possuem menor área foliar. Consequentemente, o suprimento de produtos oriundos da fotossíntese é menor quando submetida à desfolhas.

O comprimento da haste principal não apresentou diferença em função dos diferentes níveis de desfolha, na média das cultivares avaliadas, tanto no experimento quando a desfolha foi imposta em V6 quanto em R3 (Tabela 1). Esse resultado corrobora com Bahry et al. (2013), que também não observaram diferença na variável em função de diferentes níveis de desfolha. A cultivar Veloz apresentou menor comprimento da haste principal do que as demais cultivares, na média dos níveis de desfolha. Isto se deveu a sua maior precocidade e menor número de nós no caule (Tabela 2).

Tabela 1. Comprimento da haste principal em três cultivares de soja sob diferentes níveis de desfolha nos estádios V6 e R3. Lages, SC.

Tabela 2. Número de nós na haste principal em três cultivares de soja sob diferentes níveis de desfolha nos estádios V6 e R3. Lages, SC.

O número de nós na haste principal também não foi influenciado pelos níveis de desfolha, tanto em V6 quanto R3. Isto demonstra que a redução da área foliar tanto na fase vegetativa quanto na fase reprodutiva não interferiu na capacidade da planta de expandir a haste principal, independentemente do grupo de maturação da cultivar.

O trabalho permitiu concluir que a desfolha influencia negativamente o rendimento biológico da soja, mas não altera sua estatura e número de nós na haste principal, tanto quando é efetuada em V6 como em R3.

Referências

ANDRADE, F.H.; CALVINO, P.; CIRILO, A.; BARBIERI, P. Yield responses to narrow rows depend on increase radiation interception. Agronomy Journal. v. 94, n. 5, p. 975-980, 2002.

BAHRY, C. A.; NARDINO, VENSKE, E.; NARDINO, M.; ZIMMER, P. D.; SOUZA, V. Q. S.; CARON, B. O. Desempenho agronômico da soja em função da desfolha em diferentes estádios vegetativos. Tecnologia & Ciência Agropecuária, v.7, n.4, p.19-24, 2013.

BOARD, J. E.; KAHLON, C. S. Soybena yield formation: what controls it na how it can be improved. In: EL-SHAMY, H. A. Soybean physiology and biochemistry1 ed., p. 1-36, 2011.

BUENO, F. Economic thresholds in soybean-integrated pest management; old concepts, current adaption, and adequacy. Neotropical Entomology. v. 42, p. 439-447, 2013.

ZANON, A. J.; WINCK, J. E. M.; STRECK, N., A.; ROCHA, T. S. M. D.Desenvolvimento de cultivares de soja em função do grupo de maturação e tipo de crescimento em terras altas e terras baixas. Bragantia, v. 74, n. 4, out-dez. 2015.

Informações dos autores:  

1Universidade do Estado de Santa Catarina, Av. Luis de Camões, 2090, Lages, SC.

Disponível em: Anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja. Goiânia – GO, Brasil.

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