O objetivo deste trabalho é verificar quais os fungicidas apresentam os melhores controles de doenças nas últimas aplicações, aplicados de maneira isolada ou em associação com fungicidas de ação multissítios.

Autores:  ROY, J.M.T.; MADALASSO, T.; FAVERO, F. 

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

Na cultura da soja ocorrem várias doenças, dentre elas a ferrugem asiática, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, constatada pela primeira vez no Brasil na safra 2001/2002 (YORINORI et al., 2002). Os danos causados pela ferrugem asiática podem chegar a reduções de produtividade de 80%. Por isso é considerada como a doença que provoca maiores perdas na cultura da soja (REIS et al., 2017).

A principal estratégia de controle para a doença é a utilização do controle químico por meio de aplicações de fungicidas. Os principais fungicidas utilizados pertencem a três grupos químicos: os triazóis, as estrobilurinas e as carboxamidas, todos com o mecanismo de ação de sítio específico.

Após ser detectada a presença da ferrugem da soja na safra 2001/2002 no Brasil, teve início na safra seguinte as aplicações de fungicidas de forma isolada, visando o controle desta doença. Na safra 2005/2006 houve a percepção no campo de falhas de controle dos triazóis, pesquisas conduzidas no campo e em laboratório confirmaram a redução de sensibilidade do fungo da ferrugem aos triazóis. Na safra 2012/2013 também foi constatada a redução de sensibilidade da ferrugem as estrobilurinas (REIS at al., 2017).

Diante deste cenário, é importante serem adotadas estratégias de manejo de ferrugem antirresistência, relacionadas a utilização de fungicidas com ação multissítios, rotação de ingredientes ativos, aplicações de maneira preventiva para não expor o produto a uma alta pressão de doenças e consequentemente induzir a um processo direcional de resistência pela seleção de indivíduos resistentes.

O objetivo deste trabalho é verificar quais os fungicidas apresentam os melhores controles de doenças nas últimas aplicações, aplicados de maneira isolada ou em associação com fungicidas de ação multissítios.

O experimento foi conduzido no Centro de Pesquisa Agrícola (CPA) da COPACOL, em Cafelândia, PR. com altitude de 595 m. O solo da área é caracterizado como Latossolo Vermelho distroférrico de textura argilosa (Embrapa, 2006).

O delineamento experimental foi em blocos casualizados com 4 repetições. Foram avaliados 12 diferentes manejos com fungicidas e mais uma testemunha, totalizando 13 tratamentos (tabela 1).

Tabela 1. Descrição dos fungicidas utilizados no experimento e respectivas doses. Cafelândia, PR 2018.

Tabela 2. Produtos comerciais, doses e ingredientes ativos utilizados no experimento. Cafelândia, PR 2018.

As unidades experimentais continham 10 m de comprimento e 2,5 m de largura, totalizando 25 m². A semeadura foi realizada no dia 24/10/2017, o cultivar utilizado foi o Monsoy 5947 IPRO, de grupo de maturação 5.9 e hábito de crescimento indeterminado, a adubação foi de 300 kg/ha do formulado 0424-16 N, P2O5, K2O, respectivamente. O manejo da cultura foi de acordo com as recomendações oficias para a região (EMBRAPA 2014).


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As aplicações dos fungicidas foram realizadas com equipamento costal pressurizado com CO2, com volume de calda de 200 L/ha, utilizando a ponta de Pulverização BD 110 015 na pressão de 2,0 kgf/cm², o que gera um espectro de gotas finas. Foram realizadas quatro aplicações de fungicidas durante a cultura, a primeira aplicação foi realizada no dia 13/12/2017 (estádio V9), a segunda aplicação ocorreu no dia 03/01/2018 (R3) a terceira aplicação foi realizada no dia 17/01/2018 (R5.1) e a quarta e última aplicação foi realizada no dia 30/01/2018 (R5.3).

A primeira aplicação de fungicida foi realizada com o produto Fox (Trifloxistrobina + Protioconazol) e a segunda aplicação foi realizada com o fungicida Ativum (Epoxiconazol + Piraclostrobina + Fluxapiroxade) para todos os tratamentos, com exceção da testemunha que não recebeu nenhuma aplicação de fungicida durante o ciclo da cultura. As variações de manejo de doenças com fungicidas ocorreram na terceira e quarta aplicação.

As variáveis avaliadas no experimento foram severidade da ferrugem asiática, desfolha e rendimento de grãos. A severidade foi obtida pela média de área foliar infectada pela ferrugem, por meio de avaliação de três folíolos de cada terço da planta de soja (superior, médio e inferior). A desfolha foi analisada por meio de notas de porcentagem de desfolha na parcela no momento em que a testemunha do experimento obteve 95 % de desfolha. O rendimento de grãos foi obtido pela colheita das três linhas centrais da parcela, sendo a massa de grãos obtida, quantificada e extrapolada para kg/ha após a correção da umidade de grãos à 13%.

Os dados foram submetidos ao teste F da análise de variância e as médias quando significativas agrupadas pelo teste de Scott-Knott à 5% de probabilidade de erro.

Houve diferença significativa na severidade da ferrugem e desfolha, a testemunha foi o tratamento que obteve a maior severidade e desfolha, em função da alta pressão de ferrugem observada na safra 2017/2018 na região oeste do Paraná. Os tratamentos que receberam a terceira e quarta a aplicação aplicações de fungicidas sitío-específico associados a fungicidas com ação multissitios tiveram as menores severidades de ferrugem e desfolha do experimento. Já os três tratamentos que receberam aplicações de fungicidas de maneira isolada apresentaram severidade de ferrugem e desfolha maiores quando comparados a adição do fungicida multissitio.

Tabela 3. Severidade de ferrugem, porcentagem de controle, desfolha e rendimento de grãos de soja em função da variação de manejo de fungicidas durante o ciclo da cultura. Cafelândia, PR 2018.

Para a variável rendimento de grãos houve diferenças (p>0,05), a testemunha foi o tratamento que teve a menor produtividade devido à ausência de manejo de doenças. A aplicação de Ciproconazol + Difenoconazol (sítio específico) associado a Mancozebe (multissítios) obteve o maior rendimento de grãos do experimento, mas sem diferir dos tratamento que receberam aplicações de Fenpropimorfe associados aos produtos com ação multissítio (mancozebe, clorotalonil e oxicloreto de cobre). Estes dados indicam a importância da utilização de fungicidas com mecanismos de ação sitioespecífico aos fungicidas com mecanismo de ação multissítios, como estratégias a antirresistência e principalmente para evitar reduções de produtividades ocasionadas pelo fungo da ferrugem.

Quando foi realizada a aplicação de fungicidas sítio-específico na terceira e quarta aplicação de maneira isolada (Trifloxistrobina + Ciproconazol e Cipreoconazol + Difenoconazol), também foi observada queda no rendimento de grãos, evidenciando a importância do uso do fungicida multissítios em associação para elevar os patamares de controle e menores reduções de produtividades.

Todos os fungicidas sítio-específicos tiveram aumento de controle de ferrugem quando aplicados em associação aos fungicidas multissítios, evidenciando a importância do uso de fungicidas multissítios para o controle de doenças em soja, principalmente ferrugem asiática. O aumento de controle da ferrugem também refletiu diretamente na produtividade de grãos, pois a soja teve menor impacto negativo devido a menor ocorrência de ferrugem.

A aplicação de fungicidas multissítios é necessária para minimizar as perdas de produtividade provocadas pela ferrugem asiática, além de ser uma estratégia antirresistência fundamental para prolongar a ação dos fungicidas. O uso isolado de fungicidas sítio-específicos além de ter baixo controle sobre a ferrugem asiática, acaba favorecendo o processo de redução de sensibilidade do fungo.

Referências

EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA. Tecnologia de Produção de Soja – Região Central do Brasil 2014. Londrina – PR, 2013. 263p.

EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Sistema brasileiro de classificação de solos. 2.ed. Brasília: Embrapa-SPI; Rio de Janeiro: Embrapa Solos, 2006. 306p.

REIS, E. M. et al. Evolução da redução de sensibilidade de Phakopsora pachyrhizi a fungicidas e estratégia para recuperar a eficiência de controle. 3 ed., ver. E atual. Passo Fundo: Berthier, 2017.

YORINORI, J. T et al. Ferrugem da soja (Phakopsora pachyrhizi) no Brasil e no Paraguai, nas safras 2000/01 e 2001/02. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE SOJA E MERCOSOJA, II, 2002. Resumos… Londrina: Embrapa Soja, 2002. (Documentos / Embrapa Soja, 181. Resumo 094).

Informações dos autores:  

1Centro de Pesquisa Agrícola – CPA Copacol, Cafelândia,PR.

Disponível em: Anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja. Goiânia – GO, Brasil.

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