Atualmente, a maior parte das áreas de cultivo de soja no Brasil possuem plantas daninhas tolerantes ou resistentes a herbicidas. Um único herbicida não têm espectro de ação capaz de controlar a diversidade de plantas invasoras que emergem nas lavouras e dão origem ao chamado ‘mato-competição’, que por sua vez, interfere no desenvolvimento da cultura. A mistura de tanque é uma alternativa para solucionar esse problema e se tornou uma prática comum para os agricultores.

Para falar sobre esse assunto falamos com o professor Nelson Kruse da UFSM em mais um episódio da 2ª temporada do Dicas Mais Soja – Ciência em prática: é possível produzir Mais Soja?

Primeiramente, Nelson nos explica que a resistência ocorre de forma individualizada, ou seja, uma espécia de planta daninha se torna resistente a um determinado produto e deixa de ser controlada. Por isso, nessas situações, é necessário agregar um outro produto para complementar o mecanismo de ação.


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Contudo, vale a ressalva de que essas misturas são bastante complexas e, de acordo com o professor, atualmente a legislação brasileira dificulta esses procedimentos e o uso das misturas feitas no campo porque as mesmas podem oferecer certos níveis de periculosidade. Nelson acredita que empecilhos legislativos precisam ser resolvidos para que se consiga, tanto do ponto de vista  técnico e econômico, quanto da perspectiva social e de respeito ao ambiente, obter a solução adequada para atender os interesses de toda a sociedade.

Quanto a proibição do herbicida glifosato, Kruse salienta que os integrantes da área agronômica não são irresponsáveis e conta que na década de 60 muitos dos produtos usados eram de alto risco e que os mesmos  foram banidos posteriormente. Desde então, Nelson diz que se aperfeiçoou o processo de segurança no uso de agroquímicos. O professor acredita que seguindo as recomendações esses produtos não devem oferecer riscos a saúde humana e ao ambiente.

Ele ainda diz que com a efervescência dos meios de comunicação o fluxo de informações e opiniões, nem sempre embasadas, é muito grande e com isso pode se criar até uma certa ‘paranoia’ em relação ao tema, que de acordo com ele precisa ser desmistificada.

Resistência de herbicidas, mistura de tanque e a proibição do glifosato

Resistência a herbicidas, mistura de tanque e a proibição do glifosato, Quer saber mais?Confira as Dicas do professor Nelson Kruse da UFSM, em mais um episódio da 2º temporada do Dicas Mais Soja – Ciência em prática: é possível produzir Mais Soja?#MaisSoja #Soja

Posted by Mais Soja on Saturday, September 8, 2018


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Sobre o registro de agrotóxicos no Brasil:

De acordo com o Decreto nº 4.074/2002, os agrotóxicos, seus componentes e afins só poderão ser produzidos, manipulados, importados, exportados, comercializados e utilizados no território nacional se previamente registrados no órgão federal competente, atendidas as diretrizes e exigências dos órgãos federais responsáveis pelos setores de agricultura, saúde e meio ambiente. O órgão responsável por fornecer o registro de agrotóxicos no Brasil é o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e  a Anvisa cabe apenas a Avaliação Toxicológica do produto.

Para obter o registro de comercialização no Brasil, o produto deve passar pela avaliação de três órgãos do governo federal: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Cada um desses órgãos realiza um determinado tipo de avaliação do produto, de modo independente do outro. Cabe ao Ibama a realização de um dossiê ambiental, no qual é avaliado o potencial poluidor do produto. Ao Mapa é atribuída a responsabilidade de avaliar a eficiência e o potencial de uso na agricultura, por meio de um dossiê agronômico. Já a Anvisa realiza o dossiê toxicológico, avaliando o quão tóxico é o produto para a população e em quais condições o seu uso é seguro.

Projeto de Lei 6.299/2002

Em junho deste ano uma  Comissão Especial da Câmara dos Deputados aprovou, por dezoito votos a nove, o Projeto de Lei 6.299/2002. A Frente Parlamentar Agropecuária representa 40% do Legislativo e nela estão os maiores interessados na aprovação da Lei, que altera a forma de avaliar registros de agrotóxicos no Brasil.

Uma das providências em questão é a troca do nome de agrotóxicos para  produtos fitossanitários. A justificativa para fazer esta e outras mudanças na lei é que o país burocratiza a compra de tais produtos, o que emperra o desenvolvimento da produção agrícola.

Além disso, o projeto de lei, de autoria do atual Ministro da Agricultura, Blairo Maggi, prevê que a fiscalização, que hoje é feita pelo IBAMA, Ministério  da Agricultura e Ministério da Saúde, ficará apenas a cargo do Ministério da Agricultura.

Redação: Bruna Eduarda Meinen Feil, Assessora de Comunicação Equipe Mais Soja.

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