Este trabalho teve como objetivo avaliar a eficiência agronômica da inoculação de duas estirpes de Bradyrhizobium elkanii na cultura da soja, crescida em condições de solo e clima do Rio de Janeiro.

Autores: SANTOS, W.M.1; MARANHÃO, F.M.2; SANTOS, R.C.1; ARAÚJO, K.E.C.1; VERGARA, C.1; JANTALIA, C.P.3; ALVES, B.J.R.3; MARTINS, M.R.3; SANT’ANNA, S.A.C.3; ZILLI, J.E.3; BODDEY, R.M.3; URQUIAGA, S.3

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

A soja é a principal cultura brasileira, se destacando tanto pela expressiva produção, como também pelo grande volume de exportações. Na safra 2016/2017 foram cultivados mais de 33,9 milhões de hectares, com uma produção de 114,07 milhões de toneladas (Conab, 2017). Grandes avanços genéticos e tecnológicos ocorreram nas últimas décadas e, entre eles, a fixação biológica de nitrogênio (FBN) é um dos principais fatores que fazem com que a soja brasileira seja competitiva no mercado internacional (Hungria et al., 2007).

A FBN é um processo biológico realizado pela associação simbiótica entre planta e bactéria, em que a capacidade de fixar o N2 atmosférico pela bactéria acaba por atender a demanda de N da planta (Alves et al., 2003). Na soja, este processo ocorre pela associação com estirpes de Bradyrhizobium japonicum, B. elkanii, e B. diazoefficiens que infectam as raízes, via pelos radiculares, com posterior formação de nódulos, que irão fornecer N às plantas e receber em troca carboidratos (Brandelero et al., 2009). A inoculação realizada com essas bactérias é uma prática altamente difundida no Brasil (Zilli et al., 2006).

Este trabalho teve como objetivo avaliar a eficiência agronômica da inoculação de duas estirpes de Bradyrhizobium elkanii na cultura da soja, crescida em condições de solo e clima do Rio de Janeiro.

O experimento foi conduzido na área experimental da Embrapa Agrobiologia, chamada “Terraço” em Seropédica, RJ, durante o período de outubro de 2017 a março de 2018. O solo da área experimental foi classificado como Argissolo VermelhoAmarelo distrófico (Santos et al., 2013). A temperatura média é de 24,6 ºC e precipitação anual é de 1.200 mm.

O solo da área experimental apresentou as seguintes características químicas: pH (H2O) = 5,8; Ca+2 = 3,66 cmolc dm-3; Mg+2= 0,48 cmolc dm-3; P = 4,56 mg dm-3 e K+ = 73,98 mg dm-3; Al+3 = não detectado.

O delineamento experimental foi em blocos ao acaso, com quatro repetições, em que foram testadas duas estirpes de Bradyrhizobium elkanii. Os tratamentos foram: a) Controle (não inoculado); b) SEMIA 5019 (29w); c) SEMIA 587. A inoculação foi realizada com veículo turfoso com a aplicação de 5 mL de solução açucarada a 10 % por kg de sementes de soja, seguida de homogeneização, e aplicação de 10 g do inoculante turfoso (tratamentos) por kg de sementes, com nova homogeneização, e deixada secar à sombra. Esta dose do inoculante garante mais que 1,2 milhões de células viáveis por semente, que é o mínimo exigido pelo MAPA.

As parcelas foram constituídas de 6,0 m de comprimento por 4,0 m de largura, totalizando 24 m2.


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O sistema de preparo do solo foi o convencional com uma escarificação a 40 cm de profundidade, seguida da aplicação de gesso agrícola na dose de 500 kg ha-1, e incorporação a 20 cm com o uso da grade niveladora.

As sementes da cultivar TMG 7062 IPRO (tipo de crescimento semideterminado, grupo de maturação 6.2), após inoculadas foram semeadas manualmente com espaçamento entre linhas de 50 cm no dia 30/10/2017. A adubação de base constou da aplicação no sulco de semeadura de 80 kg ha-1 de P2O5 na forma de superfosfato simples, 40 kg ha-1 de K2O na forma de cloreto de potássio, e 3 kg ha-1 de micronutrientes (Cana Micros Plus®). Após a emergência foi realizado o desbaste de forma a estabelecer uma população final de 400.000 plantas ha-1.

Para o controle das plantas daninhas foram aplicados aos 10 dias após a emergência (DAE) o herbicida Glifosato na dose de 1.080 g ha-1 do i.a., e aos 30 DAE foram aplicados via foliar 200 mL ha-1 do produto Super Seep Soja® (2,6 g ha-1 de Co e 26 g ha-1 de Mo).

Para determinação da produtividade de grãos, foram colhidas manualmente em cada parcela 1,5 m linear nas 4 linhas centrais (3 m²), desprezando-se as plantas das bordas, com dados corrigidos para umidade padrão de 13 %. Também foram determinados o número de vagens, e a massa de resíduos da colheita após secagem em estufa com circulação de ar forçada a 65 ºC, até massa constante.

Os dados foram submetidos à análise de variância, e quando constatado efeito de tratamentos, as médias foram comparadas pelo teste de Tukey a p≤0,05 com auxílio do SISVAR V. 5 (Universidade Federal de Lavras).

O número de vagens por planta, a massa de resíduos da colheita e a produtividade de grãos de soja obtidos com a inoculação de duas estirpes de Bradyrhizobium elkanii são apresentados na Tabela 1.

Tabela 1. Variáveis agronômicas da soja inoculada com duas estirpes de Bradyrhizobium elkanii, no município de Seropédica (RJ).

Houve efeito (p≤0,05) da inoculação sobre o número de vagens e a produtividade de grãos, sendo que os tratamentos inoculados apresentaram as maiores médias, mas não diferiram entre si.

A inoculação aumentou mais que o dobro o número de vagens por planta considerando a média dos tratamentos inoculados. O aumento desta variável pode ter influência direta sobre a produtividade de grãos. Golo et al. (2009) também relataram o aumento no número de vagens por planta pela inoculação.

A média de produtividade obtida nos tratamentos inoculados com as duas estirpes de Bradyrhizobium elkanii foi próxima da média nacional, que foi de 3.364 kg ha-1 de grãos na safra 2016/2017 (Conab, 2017). Isso demostra a importância da inoculação para o ganho de produtividade da soja, cujo incremento foi cerca de 77 % para a SEMIA 587, e 65 % para a SEMIA 5019.

Zilli et al. (2006), testando as mesmas estirpes utilizadas neste estudo, e a combinação entre elas em dois anos agrícolas no Cerrado de Roraima, também observaram efeito da inoculação sobre a produtividade de grãos de soja, não havendo diferença significativa entre as estirpes.

Para os resíduos da colheita não houve efeito de tratamentos, demonstrando que esta variável não foi influenciada pela inoculação. Os valores observados estão de acordo com os citados por Nogueira (2000) que estima que, para cada hectare de soja são gerados cerca de 3,0 a 4,0 toneladas de resíduos.

Neste contexto, conclui-se que a inoculação com estirpes de Bradyrhizobium elkanii é uma prática que aumenta o desempenho produtivo da cultura da soja nas condições edafoclimáticas do Estado do Rio de Janeiro.

Referências

ALVES, B.J.R.; BODDEY, R.M.; URQUIAGA, S. The success of BNF in soybean in Brazil. Plant and Soil, v.252, p.1-9, 2003.

BRANDELERO, E. M.; PEIXOTO, C. P.; RALISCH, R. Nodulação de cultivares de soja e seus efeitos no rendimento de grãos. Semina: Ciências Agrárias, Londrina, v. 30, n. 3, p. 581-588, 2009.

COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO – Conab. Acompanhamento da safra brasileira de grãos, 12ª levantamento, setembro/2017. Brasília, DF: 2017.

GOLO, A.L.; KAPPES, C.; CARVALHO, M. A. C.; YAMASHITA, O.M. Qualidade das sementes de soja com a aplicação de diferentes doses de molibdênio e cobalto. Revista Brasileira de Sementes, v. 31, p.40-49, 2009.

HUNGRIA, M.; CAMPO, R.J.; MENDES, I.C. A importância do processo de fixação biológica do nitrogênio para a cultura da soja: componente essencial para a competitividade do produto brasileiro. Londrina: Embrapa, 2007. 80 p. (Documentos 283).

NOGUEIRA, L.U.H.; SILVA LORA, E.E. TROSSERO, M.A. Dendroenergia: fundamentos e aplicações. Brasília: ANEEL, 2000, p. 31-54.

SANTOS, H. G; JACOMINE, P. K. T; ANJOS, L. H. C.; OLIVEIRA, V. A.; OLIVEIRA, J. B.; COELHO, M. R.; LUMBRERAS, J. F.; CUNHA, T. J. F. Sistema brasileiro de classificação de solos. 3ª ed. Rio de Janeiro: Embrapa Solos, 2013.

ZILLI, J. E.; MARSON, L. C.; CAMPO, R. J.; GIANLUPPI, V.; HUNGRIA, M. Avaliação da fixação biológica de nitrogênio na soja em áreas de primeiro cultivo no cerrado de Roraima. Roraima: Embrapa, 2006. 9 p. (Comunicado Técnico 20).

Informações dos autores:  

1Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – UFRRJ, Seropédica, RJ;

2Faculdade Evangélica de Goianésia;

3Embrapa Agrobiologia.

Disponível em: Anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja. Goiânia – GO, Brasil.

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