Esta pesquisa tem como intuito testar a capacidade de microrganismos diazotróficos, como meio de obter maiores resultados e contribuir com a pesquisa científica.

Autores: Fernando Zuchello(1); Leandro dos Santos Barbosa(2); Cleiton Frigo(3);

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

INTRODUÇÃO

Com o crescimento populacional, a preocupação com aumento de produtividade sem degradar o meio ambiente a fixação biológica de nutrientes (FBN) pelas bactérias diazotróficas rizosféricas é uma das tecnologias que estão sendo utilizadas para redução de insumos agrícolas, com acréscimo de produtividade e com um ganho muito importante para o meio ambiente pela minimização da emissão de gases de efeito estufa (MAPA, 2014).

Apesar de o FBN ser grandemente utilizado hoje em leguminosas, em gramíneas é mais recente, além disso tem ocorrido divergências de ideias, como Godoy et al., (2011), que utilizaram inoculante com cepas de Azospirillum brasilence e não encontraram respostas positivas da inoculação sobre a produtividade do milho.

Por outro lado, Hungria et al., (2010), avaliaram o uso de Azospirillum brasilence sobre o milho e encontraram um aumento em 30% na produtividade em relação ao controle sem inoculação. Diante disso, está pesquisa tem como intuito testar a capacidade de microrganismos diazotróficos, como meio de obter maiores resultados e contribuir com a pesquisa científica.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi desenvolvido a campo no Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia Catarinense – Câmpus Concórdia localizado na Rodovia SC 283 – Km 08 – Bairro Fragosos – Concórdia – Santa Catarina está em uma longitude de 52º 5’0,08’’O, latitude 27º 12’10,36’’ S e altitude média de 639 metros. O clima da região, segundo a classificação de Köppen e Geiger é subtropical úmido (Cfa), com temperatura média de 18.4 °C e pluviosidade média anual de 1878 mm.

O  delineamento experimental utilizado foi em esquema fatorial 1 x 2 x 5, com quatro blocos. O primeiro fator refere-se aos híbridos simples de milho, P-4285YHR, com ciclo produtivo precoce; o segundo fator é relativo à inoculação ou não de produto comercial a base de Azospirillum brasilense (líquido); e o terceiro fator refere-se às diferentes doses de N em adubação de cobertura. Cada parcela experimental contou com 6 linhas de plantio com espaçamento de 0,5 m entre linhas e 5 metros de comprimento totalizando 12,5 m2 por parcela, considerando parcela útil as 4 linhas centrais e desconsiderando 1 metro das laterais como bordadura e os corredores de 1 m de largura entre parcelas e 1 m de largura entre blocos totalizando área total do experimento de 775,5 m2 .

Para inoculação das sementes foi utilizado um produto comercial líquido (Nitro1000®) com composição de Azospirillum brasilense, estirpes AbV5 e AbV6, vitaminas, sais minerais, fonte de carbono, água, espessante, conservante e estabilizante PVP (aquoso) com concentração de 2,0 x 108 células viáveis por mL. A inoculação foi realizada adicionando-se o inoculante, na proporção de 100 mL do produto para 60.000 sementes, com auxílio de pipetas, diretamente sobre as sementes, em sacos plásticos. Posteriormente agitado por aproximadamente 2 minutos para uniformizar a distribuição do produto nas sementes. A massa de sementes foi mantida à sombra por 10 minutos e logo em seguida feita a semeadura.

A adubação de base foi realizada no dia 16 de outubro de acordo com as análises de solo e recomendações conforme descritas pela Comissão de Química e Fertilidade do Solo – CQFS-RS/SC (2004). Foram adicionados no sulco de semeadura 27 kg ha-1 de N, 99 kg ha-1  de P2Oe 36 kg ha-1 de K2O, utilizando-se como fonte o adubo de formulação 09- 33-12, e aplicação realizada com semeadora adubadora de arrasto e trator.

A semeadura foi realizada em 20 de outubro utilizando-se o sistema de semeadura direta feita com semeadora manual deixando-se 7 sementes por metro linear. Após 15 dia da emergência (DAE), foi realizado o desbaste mantendo uma população 3,5 plantas por metro linear, num total de 70.000 plantas ha-1.


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A adubação de cobertura, foi realizada em duas etapas, uma no estádio V4 e outra V8, nas dosagens de 0, 45, 90, 135 e 180 kg ha-1 de N utilizando ureia como fonte de N.

As avaliações foram feitas em estádio R6 (maturação fisiológica) da cultura, sendo colhidas 10 espigas da área útil previamente delimitada. Foi determinando o comprimento médio e diâmetro de espiga com régua graduada. O peso total de grãos foi obtido pelo somatório das massas de grãos das 10 espigas.

A análise estatística foifeita com auxílio do software estatístico R. Para testar a normalidade e homogeneidade das variâncias dos erros foram utilizados os testes de Shaprio Wilck de Cochran & Bartley, respectivamente. Com os pressupostos atendidos, foi realizada a análise de variância (ANOVA) com a aplicação do teste F e, para as variáveis, cujo teste F for significativo, as médias foram comparadas, uma a uma, pelo teste Tuckey, (P<0,05).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

O peso total de grãos não inoculado para todas as doses diferiram significativamente, observando incremento de peso juntamente com a elevação nas dosagens, isso já se era esperado já que o hibrido escolhido é de alta tecnologia e responssíel a adubação nitrogenada. A mesma situação ocorre para os tratamentos inoculado. Ulger et al. (1995) constataram estreita ligação entre o teor de N presentes nas folhas e os componentes de rendimento, como número de grãos por espiga e massa de grãos, exercendo influência no enchimento de grãos e na produtividade da cultura.

Houve diferença significativa entre as doses inoculadas e as não inoculada, onde o inoculado obteve maior peso de grãos, com elevação gradual na massa produzida nas parcelas em que foi aplicado as maiores doses de adubação nitrogenada. Quanto ao tratamento inoculado a produtividade média foi de 188 sacas ha-1, e a menor de 45 sacas, para as doses de 207 kg ha-1 de N e de 0 kg ha-1 de N (figura 1).

Nota-se que quanto maior a dose de N maior a diferença de produtividade do inoculado para o não inoculado, Dobbelaere (2002) verificaram que o efeito da inoculação de Azospirillum brasilense estirpe Sp 245 e Azospirillum irakense estirpe KBC1 foi maior quando associado às doses de N.

Figura 1. Produtividade em sacas por hectare, para cada dose utilizada no experimento. Médias seguidas de mesma letra dentro de cada dose não diferem entre si pelo teste de Tukey p<0,05

Para as doses de nitrogênio utilizadas, o aumento da produtividade de 0 a 207 kg N ha-1, no tratamento não inoculado, elevou linearmente a produtividade das plantas (figura 2). Já para as doses em que foi associado a inoculação a resposta foi também linear, com a produtividade 45 a 188 sacas por hectare.

Figura 2. Regressão entre a produtividade em sacas por hectare e as doses de nitrogênio utilizadas no experimento, para os tratamentos inoculados e não inoculados.

Na comparação entre os tratamentos o inoculado sempre foi superior ao não inoculado. Ferreira et al. (2009), ao estudarem o efeito de diferentes doses de N para três genótipos de milho, constataram que o aumento das doses de N proporcionou reflexo direto na produtividade de grãos. A superioridade da inoculação foi de 2,2 sacas para a dose de 0 kg ha-1 de N, 4 sacas par as doses de 72 e 117 kg ha-1 de N, de 5,3 sacas para a dose de 162 kg ha-1 de N e de 6,4 sacas para a dose de 207 kg ha-1 de N (figura 3). No comparativo de inoculado e não inoculado com mesma dose de N, em todos os resultados obtidos teve diferença significativa, obtendo-se maior produtividade no inoculado, houve influência da inoculação com A. brasilense apresentando incremento na presença da inoculação.

Figura 3. Diferença de produtividade em sacas por hectare, para cada dose utilizada no experimento.

Como constatado houve maiores rendimentos com a utilização do inoculante a base de Azospirillum brasilense, percebe-se que há viabilidade econômica no uso dessa tecnologia, já que o custo por hectare é baixo e ganho de produtividade foi comprovado, como visto por Hungria et al. (2010), a inoculação com Azospirillum brasilense proporcionou 24 a 30% de incremento no rendimento em relação a ausência de inoculação e Braccini et al. (2012) notaram que a inoculação das sementes com estirpes Abv5 e Abv6 de A. brasilense proporcionou incremento de produtividade do milho quando comparado aos tratamentos sem inoculação.

CONCLUSÕES

Nos parâmetros avaliados a realização de inoculação demonstrou-se como uma eficiente alternativa para alavancar a produtividade da cultura do milho.

A utilização de inoculação do milho se torna uma nova ferramenta disponível e viável para os agricultores do Oeste Catarinense, onde representa uma alternativa de baixo custo, justificada pelos índices observados no acréscimo na produtividade.

REFERÊNCIAS

Braccini, L.A.; Dan, L.G.M.; Piccinin, G.G.; Albrecht, L.P.; Barbosa, M.C.; Ortiz, A.H.T. Seed inoculation with Azospirillum brasilense, associate with the use of bioregulators in maize. Caatinga. 2012. 25:58-64.

Dobbelaere, S. Effect of inoculation with wild type Azospirillum brasilense and A. irakense strains on development and nitrogen uptake of spring wheat and grain maize. Biology and Fertility of Soils. 2002. 36:284–297.

Ferreira, A. de O.; Sá, J.C de M.; Briedis, C.; Figueiredo, A.G.. Desempenho de genótipos de milho cultivados com diferentes quantidades de palha de aveia-preta e doses de nitrogênio. Pesquisa Agropecuária Brasileira. 2009. 44:173179.

Godoy, J. C.; Watanabe, S. H.; Fiori, C. C. L.; Guarido, R. C. Produtividade de milho em resposta a doses de nitrogênio com e sem inoculação das sementes com Azospirillum brasilense. Campo Digital. 2011. 6:26-30.

Hungria, M.; Campo, R.J.; Souza, E.M.S.; Pedrosa, F.O. Inoculation with selected strains of Azospirillum brasilense and A. lipoferum improves yields of maize and wheat in Brazil. Plant Soil. 2010. 331:413–425.

Ministerio da Agricultura, Pecuária E Abastecimento. Fixação Biológica do Nitrogênio. Programa ABC, 2014.

Ulger, A.C.; Becker, A.C.; Kant, G. Response of various maize inbreed line and hybrids to increasing rates of nitrogen fertilizer. Journal of Agronomy and Crop Science. 1995. 159:157-1.

Informações dos autores:

(1)Professor Dr., Facc – Faculdade Concórdia, Endereço Rua São Sebastião, 535, Concórdia – SC, 89703-610;

(2)Estudante Bacharelado em Agronomia; Facc – Faculdade Concórdia,;

(3)Mestrando em Ciência do Solo; UFPR.

Disponível em: Anais da XII Reunião Sul-Brasileira de Ciência do Solo. Xanxerê – SC, Brasil.

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