Sínfilo é o nome comum atribuído a todas as espécies pertencentes à classe Symphyla, compreendendo as famílias Scutigerellidae e Scolopendrellidae. Scutigerella immaculata é o nome cientifico de uma espécie antiga conhecida das lavouras brasileiras, o sínfilo (Arthropoda, Myriapoda, Symphyla),  como é popularmente conhecido, já foi registrado à alguns anos no Brasil, como praga que culminou o extermínio de lavouras de milho. No Brasil, já nos anos 70, pesquisadores (LOUREIRO & GALVÃO (1970) observaram pela primeira vez os sínfilos Hanseniella sp. (Scutigerellidae ) como pragas de culturas, atacando coleóptilos e radículas de arroz em Minas Gerais.

Nesta safra diversos relatos estão circulando em mídias sociais relatando ocorrências da praga nos estados da região Norte, especialmente no Pará.

Na figura abaixo é possível observar um sínfilo:

Symphyla (unknown species).jpg
Foto: wikipedia

O conhecimento geral dos sínfilos é ainda muito escasso. As poucas publicações existentes se baseiam em estudos morfológicos e ecológicos de poucas espécies. As espécies mais conhecidas são aquelas que possuem relevância econômica, uma vez que os sínfilos são considerados uma importante praga na agricultura, podendo causar extensos danos aos cultivos. Existem apenas 160 espécies de sínfílos descritas, habitando o solo ou o folhiço. Estes animais são artrópodes esbranquiçados e delgados, encontrados na maior parte do mundo (SCHELLER, 1982). O comprimento varia entre 2 a 10 mm e lembram centopéias superficialmente.

Identificação e Caracterização

Este artrópode tem colocação esbranquiçada, mede de 2 a 10 milímetros assemelhando-se ligeiramente com uma centopeia. Praga de movimentos ágeis e habilidosos, passa facilmente pelas rachaduras e galerias de solos cuja sua estrutura física permite a migração profunda em até 1 metro tanto verticalmente quanto em profundidade. Gassen, há alguns anos já denotava que no plantio direto os indivíduos permaneciam no sulco de semeadura, devido ao solo não compactado, este que acabava conferindo ao sínfilo  movimentação facilitada.

Uma das fotos que circulam nas mídias sociais. Autor desconhecido.

A alimentação do sínfilo basicamente é variada, tanto algas, musgos, mas o que realmente impacta em prejuízo, é que este individuo alimenta-se tanto de raízes jovens quanto de sementes de plantas. O que reduz o stand de plantas, e acomete o bolso do produtor.

Monitoramento e Controle

O monitoramento é uma das premissas básicas do Manejo Integrado de Pragas – MIP, e indispensável para um bom andamento da lavoura. Seja qual for o histórico de ocorrência a atenção na hora de monitorar deve ser estendida a pragas que possam estar ocorrendo em outros locais próximo, e até mesmo potenciais de aparecimento.

O controle dos sínfilos relatado em bibliografias é bastante antiga, mencionando ingredientes ativos não mais comercializados no Brasil, sendo basicamente feito com base na utilização de iscas tóxicas de farelo de trigo ou arroz em mistura com carbaril a 7,5% (CORSEUIL & CRUZ (1975)). Por este motivo esta metodologia de controle não deve ser recomendada pois não se tem resultados de controle com ingredientes ativos comercializados atualmente.



O tratamento de sementes com inseticidas, ou a aplicação no sulco de semeadura, são práticas eficientes de proteção de plantas de milho e soja contra o dano de diplópodes (GASSEN, 1996). Para controle de sínfilos, via de regra, pesquisadores mencionam que pode-se utilizar os mesmos métodos referidos para os diplópodes (GARCIA, 2002). Avaliações de inseticidas utilizados em TS ainda demandam de mais estudos, visto que ainda não existem produtos registrado para seu manejo no Brasil, mas fornecem um indicativo para empresas e pesquisadores iniciarem as buscas por uma solução. Em outros países há relatos de controle utilizando chlorpyrifos em aplicações via sulco de semeadura, o que também demanda de estudos para que se confirme a eficiência e viabilidade.

Lembrete importante: Consulte um Engenheiro agrônomo, ele saberá lhe orientar tanto na identificação quanto em medidas de monitoramento e manejo da praga.

Mais Informações: BIOLOGIA E CONTROLE DE ARTRÓPODES DE IMPORTÂNCIA FITOSSANITÁRIA (DIPLOPODA, SYMPHYLA, ISOPODA), POUCO CONHECIDOS NO BRASIL.

 

Elaboração: Daniela Moro – Equipe Mais Soja

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