Soja Bt: alguns detalhes desta tecnologia que revolucionou o manejo de pragas na cultura da soja

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A soja existente atualmente no mercado brasileiro expressa a proteína Cry1Ac derivada da bactéria Bacillus thuringiensis (Bt), comumente encontrada nos solos e outros ambientes naturais. A proteína Cry1Ac é altamente específica para algumas espécies de insetos da Ordem Lepidoptera. Com isso, essa soja Bt apresenta excelente proteção contra as principais lagartas pragas da cultura da soja.

Ao se alimentarem de plantas de soja Bt por meio da raspagem das folhas, as lagartas alvo dessa tecnologia ingerem a proteína Cry1Ac, que se liga a receptores específicos no tubo digestivo do inseto, provocando aruptura da membrana do intestino médio das lagartas e, conseqüentemente, a morte do inseto. Dessa maneira, a soja Bt confere proteção contra as principais lagartas da cultura da soja durante todo o ciclo de desenvolvimento da planta.

Pragas controladas pela Soja Bt

–        Lagarta da Soja (Anticarsia gemmatalis)

–        Lagartas Falsa Medideiras (Chrysodeixis includens / Rachiplusia nu)

–        Broca das Axilas (Crocidosema aporema)

–        Lagarta das Maçãs (Heliothis virescens)

–        Lagarta Elasmo (Elasmopalpus lignosellus)

–        Complexo Helicoverpa (Helicoverpa spp.)

Manejo Integrado Soja Bt

ROTAÇÃO DE CULTURAS

Prática extremamente recomendada para a sustentabilidade do sistema agrícola, a rotação de culturas (alternância de culturas dentro de um mesmo talhão de maneira que os restos culturais de uma mesma cultura não mais existam quando ela entrar no sistema novamente), possibilita diversas vantagens como:

–        Melhor ciclagem de nutrientes

–        Redução da incidência de doenças

–        Aumento da macro e microbiota do sistema

–        Melhoria da estrutura do solo

A rotação de culturas é chave para a sustentabilidade do sistema de plantio direto na palha. É muito importante que o produtor consiga incluir sempre a rotação de culturas equilibrando a questão econômica de maneira adequada neste caso, com espécies que possam trazer os benefícios desejados.

DESSECAÇÃO ANTECIPADA

A prática da dessecação antecipada (14 a 30 dias) antes da semeadura é fator preponderante para o sucesso da cultura. Além de evitar a matocompetição com a cultura da soja, a dessecação antecipada restringe o desenvolvimento de eventuais insetos-praga que possam se alimentar de plantas daninhas ou culturas de cobertura existentes na área.

O monitoramento da palhada identificando eventuais pragas deve ser realizado, com a recomendação da utilização de inseticidas recomendados para este fim quando lagartas em estágios larvais mais avançados forem detectadas. Portanto, é importante implantar a soja Bt no limpo, com ausência de plantas daninhas e alto nível de infestação de lagartas em ínstares avançados.

PLANTIO DE REFÚGIO ESTRUTURADO

O plantio e a manutenção das áreas de refúgio representa o principal componente do plano de Manejo de Resistência de Insetos (MRI) das variedades de soja Bt. A preservação e a sustentabilidade da tecnologia depende do cumprimento das recomendações de MRI pelos produtores.

 Por que plantar refúgio?

A resistência de insetos aos diferentes métodos de controle, como inseticidas ou plantas-Bt, é uma resposta à pressão de seleção, na qual os insetos resistentes podem aumentar a sua freqüência dentro da população e limitar a eficiência de controle ao longo do tempo. Assim, o objetivo do refúgio é manter uma população de insetos pragas alvo da tecnologia que não seja exposta à proteína inseticida Cry1Ac. Dessa forma, insetos suscetíveis, quando adultos, poderiam acasalar com qualquer raro indivíduo resistente que possa ter sobrevivido na soja Bt. Desta forma, a suscetibilidade poderá ser transmitida a gerações futuras, garantindo a sustentabilidade da eficácia de controle da soja Bt.

Como plantar as áreas de refúgio?

Áreas de refúgio são áreas de soja não-Bt cultivadas na proporção de, pelo menos, 20% da área total plantada com soja na propriedade rural. As áreas de refúgio devem estar localizadas à distância máxima de800 metros da lavoura com soja contendo a soja Bt. Ou seja, a distância máxima entre qualquer planta de soja Bt e qualquer planta da área  de refúgio deve ser de no máximo 800 metros.

As áreas de refúgio deverão ser conduzidas como qualquer área de soja não-Bt, com o uso de pulverizações de inseticidas ou adoção de outros métodos de controle sempre que as populações das pragas atingirem o nível de ação. É importante lembrar que não é recomendada a aplicação de inseticidas formulados a base de Bt nas Áreas de Refúgio.

Recomenda-se que o refúgio seja plantado com uma variedade de soja de ciclo vegetativo similar à variedade da soja Bt. Além disso, o refúgio deve ser plantado na mesma propriedade do cultivo da soja Bte manejado pelo mesmo agricultor. O plantio de sementes de soja Bt misturadas com soja não-Bt não é recomendado, por não ser uma estratégia efetiva de Manejo de Resistência de Insetos.

Configurações das áreas de refúgio

A disposição das áreas de refúgio será determinada de acordo com o tamanho e formato da propriedade(ou dos talhões, no caso de grandes áreas), sempre respeitando o tamanho mínimo da área de refúgio (pelo menos 20% da área de soja) e o limite máximo de 800 metros entre as plantas de soja Bt e as plantas de soja não-Bt presentes na área de refúgio.

No caso de áreas menores (de até 400 ha), a área de refúgio deve estar disposta de maneira que não ultrapasse a distância máxima de 800m, mantendo a proporção mínima de 20% da área total de soja. Por exemplo, numa área de 400 hectares deve-se fazer o plantio de pelo menos 80 hectares de área de refúgio.

No caso de áreas maiores, a área de refúgio deve estar disposta nos talhões, mantendo a proporção de 20% da área total de soja naquele talhão. Por exemplo, em um talhão de 200 hectares deve-se fazer o plantio de pelo menos 40 hectares de soja não-Bt a uma distância máxima de 800 metros da soja Bt. As áreas de refúgio podem estar dispostas em forma de bloco, de faixas, ou de perímetro, com o mínimo de 40 linhas de soja não-Bt

UTILIZAÇÃO DE SEMENTES DE BOA QUALIDADE

Recomenda-se a utilização de sementes de boa qualidade, com bom vigor, isenta de patógenos e plantas daninhas que possam comprometer a viabilidade das sementes ou mesmo favorecer o ataque de pragas oportunistas ou patógenos que possam reduzir o estande de plantas adequado.

TRATAMENTO DE SEMENTES

Apesar da soja Bt conferir supressão à lagarta elasmo, o tratamento de sementes com inseticidas e fungicidas (de preferência mais de um grupo químico) é uma prática recomendada para proteger a semente dos principais patógenos que podem ser transmitidos via sementes, além das demais pragas não-alvo da tecnologia como corós, formigas, coleópteros, etc. É importante seguir a recomendação da assistência técnica, utilizando sempre os produtos registrados de maneira a atender as necessidades da região.

MANEJO INTEGRADO DE PRAGAS

O monitoramento de pragas através da utilização do pano de batida deve ser realizado de preferência semanalmente, tanto na área com a soja Bt quanto na área de refúgio. Mesmo na soja Bt é fundamental realizar o monitoramento, já que existem pragas não alvo da tecnologia (percevejos, mosca branca, coleópteros, ácaros, etc), que podem causar dano econômico e devem ser manejadas adequadamente. Da mesma forma, caso seja atingido o nível de dano econômico para as pragas alvo da tecnologia, outras forma de controle podem ser necessárias.

Uma vez que o nível de dano econômico seja atingido, deve ser realizado o manejo integrado de pragas utilizando preferencialmente produtos eficientes no controle das pragas a serem manejadas e que ao mesmo tempo, preservem ao máximo os inimigos naturais das pragas. Deve-se, portanto, preferir a utilização de produtos seletivos e que favoreçam o controle biológico de insetos.

CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS

Deve-se evitar a matocompetição com a cultura, pois além de evitar a competição das plantas daninhas por luz, água e nutrientes, as plantas daninhas podem ser hospedeiras de insetos pragas importantes e que podem causar danos à cultura em estágios larvais mais adiantados.

É importante utilizar as recomendações adequadas para o manejo de plantas daninhas, utilizando ao máximo a rotação de princípios ativos, evitando desta forma a seleção de espécies resistentes aos herbicidas atuais.

Fonte: http://boaspraticasagronomicas.com.br/site/soja-bt.aspx

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Texto originalmente publicado em:
Boas Práticas Agronômicas em culturas BT
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