Soja: De olho em Mato Grosso

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Com a safra norte-americana consolidada, mercado se volta para os acontecimentos do maior produtor nacional do grão.

A cada dia sem chuva, ou com umidade insuficiente para recuperar o volume hídrico necessário para o atual estágio de desenvolvimento das lavouras de soja, é um dia a mais de certeza para perdas e prejuízos da porteira para dentro. E a tendência de quebra da safra 2015/16, em Mato Grosso, vem se tornando cada vez mais real e o mercado está de olho nisso, inclusive os produtores norte-americanos, que daqui a pouco terão de tomar a decisão, se plantarão mais soja ou milho no ciclo que começa a ser semeado em maio.

Como explica a coordenadora de inteligência de mercado da INTL FCStone, Natália Orlovicin, enquanto a safra norte-americana se consolidou e o produtor já começa a pensar na próxima, a temporada de plantio teve início nos outros dois maiores produtores mundiais de soja: o Brasil e a Argentina. A importância deles no mercado mundial faz com que eles tenham influência sobre os preços da oleaginosa na Bolsa de Chicago (CBOT) e, por isso, “as atenções se voltam para os acontecimentos nestes países durante o desenvolvimento da safra”.

No Brasil, como detalha a analista, o clima tem sido bastante irregular em regiões produtoras importantes. Durante o período de plantio, a estiagem foi longa nos estados do Centro-Oeste, em especial Mato Grosso, e também no Nordeste, na região conhecida como Matopiba (que abrange os estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). “Como essas áreas juntas correspondem a mais de um terço da produção brasileira, a preocupação com possíveis perdas e atraso no plantio movimentou os preços internacionais”. Mato Grosso sozinho, oferta cerca de 9% da soja mundial, sendo o maior produtor do Brasil.

No primeiro trimestre de 2016, o desenrolar do clima na América do Sul continuará influenciando os mercados, uma vez que será o fator determinante do tamanho da safra dos países. “As perspectivas mostram que o padrão do El Niño deverá permanecer, levando excesso de chuvas a algumas áreas e estiagem a outras, mas perderá força ao longo dos meses. Isso pode trazer consequências irreversíveis à produtividade do grão e reduzir a expectativa de produção em países como o Brasil”.

Como resume, existem fatores altistas à soja: a demanda acelerada e importações chinesas recordes e o clima irregular no Brasil, especialmente no Centro-Oeste e Matopiba. No contra plano, estão os fatores baixistas: Enfraquecimento da demanda externa e interna pelo grão dos EUA, acirramento da concorrência no mercado externo, após mudanças políticas na Argentina e estoques finais mundiais confortáveis.

Ainda no início de dezembro, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), revisou para baixo a estimativa de produtividade, já como uma conseqüência da forte irregularidade climática, atrasos na semeadura e até perdas de janelas de plantio em algumas regiões e de replantios. A nova estimativa reduziu em 3,6% a expectativa de produtividade da safra 2015/16 de soja, saindo de 52,6 sacas por hectare na estimativa de agosto para 50,76 sc/ha na de dezembro. Com o recuo da produtividade e estabilidade da área, a produção da nova safra será refletida negativamente, com nova projeção de 28,03 milhões de toneladas apresentando-se levemente abaixo das 28,09 milhões de toneladas consolidadas na safra 2014/15 e recuando em cerca de 1,04 milhão de toneladas em relação à estimativa anterior para a safra 2015/16. Assim, mesmo com o Estado semeando a maior área de soja da história, percebe-se que o movimento de safra recorde ocorrido desde a safra 2009/10 não está sendo aguardado para a nova temporada.

Fonte: Diário de Cuiabá

Autor(a): Marianna Peres

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Texto originalmente publicado em:
Diário de Cuiabá
Autor: Marianna Peres

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