O objetivo desse trabalho foi avaliar a eficiência de BM Start na supressão de sintomas de antracnose em soja e sua resposta agronômico.

Autores: ALMEIDA, T.F1; ALONSO, R.R.P.2; OLIVEIRA, L.S.2; SILVA, R.T.2

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

A soja (Glycine max), ocupada a primeira posição no ranking dos produtos agrícolas, sendo a culturas de maior importância econômica no Brasil. Entretanto, diversos desafios são enfrentados pelos sojicultores a cada ano, entre eles as doenças consistem no maior problema. Embora a cada surto de doença, os centros de pesquisa mobilizem na busca de novas tecnologias, muitas vezes o manejo utilizado é basicamente o uso de fungicidas.

A maioria dos fungicidas registrados para o controle de doenças da soja é de sítio-específico, sendo ativos contra um único ponto da via metabólica do patógeno ou contra uma única enzima ou proteína necessária para o fungo (FRAC, 2017). Nesse sentido, houve uma evolução na pesquisa envolvendo o uso de novos compostos que atuam ativando o mecanismo de defesa das plantas, reduzindo o estresse por agentes bióticos e abióticos, induzindo maior resistência à planta e, como consequência, culturas produtivas em um sistema sustentável e econômico.

A hipótese desse trabalho é que o uso de produtos a base de alga Ascophyllum nodosum na cultura da soja propicia maior resistência a antracnose e proporciona efeito fitotônico. O objetivo desse trabalho foi avaliar a eficiência de BM Start na supressão de sintomas de antracnose em soja e sua resposta agronômico.

O experimento foi conduzido em casa de vegetação na Emater – Estação Experimental Nativas do Cerrado, em Goiânia, GO, durante o período de novembro de 2017 a fevereiro de 2018. Foram utilizados três isolados de Colletotrichum truncatum obtidos das regiões de Rio Verde, Jataí e Palmeiras de Goiás, GO. A cultivar utilizada foi a “Anta 82” sabidamente suscetível ao patógenos. O ensaio foi conduzido em vaso, com capacidade de 20 litros. O substrato foi preparado com solo estéril:areia:esterco (3:1:1) + adubação química. No momento do semeio, as sementes foram tratadas com Vitavax-Thiram 200SC® e inoculadas com inoculante Biomax® Premium, sendo cultivadas quatro plantas por vaso.

O produto BM Start® (fertilizante mineral misto, formulado com o ativo GA142 – filtrado de algas de Ascophyllumnodosum), foi aplicado em três momento: T1) semeadura; T2) R1e T3) semeadura + R1. A dose utilizada foi de 1,5L ha-¹ para todas as aplicações. Como tratamento controle foi utilizado dois tratamentos, um (T4) com aplicação química (estrobilurina + triazol), seguindo as recomendações do fabricante e um (T5) ensaio sem aplicação, utilizando apenas água. A inoculação do patógeno foi realizada por aspersão da suspensão conidial ajustada para 104 conídios mL-¹, na fase V5-6. Após a inoculação as plantas foram mantidas em ambiente parcialmente controlado (25ºC; 80% UR) por 24 horas. Em seguida, as plantas foram mantidas em casa de vegetação.

A avaliação de severidade (área foliar lesionada) foi realizada no estádio fenológico R5.2. Foram avaliados dez folíolos centrais de trifólios do terço médio da planta, utilizando a escala diagramática para antracnose do feijoeiro (adaptado de Godoy et al., 1997), a qual prevê notas de 0 a 24% de área foliar lesionada. Para a determinação da incidência da doença, foram coletados quinze pecíolos por planta e observados quanto a presença de sintoma. Determinou-se a Incidência de Doença (ID) através da divisão do número de pecíolos doentes pelo número de pecíolo total, sendo o valor multiplicado por 100 para expressão em porcentagem. No estádio fenológico R5.5 as plantas foram coletadas e avaliados os dados associados aos componentes agronômicos como: comprimento da parte aérea (CPA), comprimento de raiz (CR), número de vagens (NV) e peso de mil grãos (P1000G).

O delineamento experimental foi em inteiramente casualizados, com vinte repetições (representado por cinco vasos com quatro planta). Os dados foram submetidos à análise de variância e teste F (p<0,05). Quando constatado efeito de tratamentos, as médias foram comparadas pelo teste de Scott-knott.

Observou-se para severidade e incidência de antracnose que houve diferença estatística entre os tratamentos. Em relação a severidade da doença, não foi observado diferença significativa entre os diferentes momentos de aplicação de A. nodosum (T1;T2 e T3) e na aplicação química (T4). Já em relação a incidência da doença (ID) a menor porcentagem foi observada na aplicação de A. nodosum em R1 (T2) e na aplicação química (T4), apresentando valores de 36,91 e 36,75% respectivamente (Tabela 1).

Tabela 1. Médias da severidade e incidência de antracnose, em plantas de soja cultivar “Anta 82” inoculadas no estádio V5/V6 e submetidas a diferentes tratamentos.

O comprimento de parte aérea (CPA), comprimento de raiz (CR) e número de vagens por planta (NV) indicaram a aplicação de A. nodosum em semeio + R1 (T3) sendo a melhor resposta para esses parâmetros. Já para o componente peso de mil grãos (P1000G) não foi observado diferença significativa entre os tratamentos.

Tabela 2. Componentes agronômicos da cultivar de soja “Anta 82” submetida a diferentes tratamentos.

Nesse contexto, a hipótese de supressão de sintomas de antracnose pelo uso de A. nodosum foi refutada, entretanto, observou-se efeito para os componentes agronômicos de CPA, CR e NV. Contudo, enfatiza-se que há necessidade de estudos similares com outras cultivares e condições em condição de campo, com infecção natural da doença, a fim de consolidar essa constatação.

Referências 

FRAC – Comitê Brasileiro de Ação a Resistência a Fungicidas. Novas recomendações para o manejo da ferrugem asiática da soja. Disponível em: http://www.fracbr.org/recomendacoes-ferrugem-asiatica-da-. Acesso em: 30 març.2017.

GODOY,C.V.; CARNEIRO,C.M.T.P.G.; IAMAUTI, M.T.; PRIA, M.D.; AMORIM, L.; BERGER, R.D.; BERGAMIN FILHO, A. Diagrammatic scale for bean diseases: development and calidation. Journal of Plant Diaseases and Protection, Alemanha, v. 104, n. 4, p. 336-345, 1997.

Informações dos autores:  

1Emater, Goiânia, GO;

2Faculdade Araguaia.

Disponível em: Anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja. Goiânia – GO, Brasil.

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