controle biológico pode ser definido como a utilização de alguns micro-organismos que podem interferir no desenvolvimento de pragas e doenças prejudiciais as plantas, mostrando-se uma ferramenta alternativa natural e ecológica, podendo ser utilizada em substituição ao controle químico.

Os princípios dos mecanismos de controle biológico baseiam-se em relações antagônicas tais como: competição, predação, amensalismo, parasitismo, resistência induzida ou pela produção de metabólitos que inibem o desenvolvimento do outro. Algumas ações como o parasitismo tem certa dependência aos fatores ambientais. Já o amensalismo é quando uma espécie prejudica outra por meio de substâncias que produz e libera, sem aparentemente se beneficiar no processo, sendo este um comportamento que representa bem a ação do Trichoderma no solo.

Além de controlar patógenos de forma eficiente, algumas espécies do gênero Trichoderma spp. são capazes de promover o crescimento de plantas devido à produção de hormônios e solubilizados de nutrientes, tais como fosfato e micronutrientes que, tornando-se disponíveis às plantas podem estimular seu crescimento.

Trichoderma: caraterísticas 

O fungo conhecido como Trichoderma, promissor em várias esferas de aplicação agrícola, é um fungo de vida livra e está presente na maioria das vezes em solos em locais de clima temperado e tropical. As pesquisas envolvendo este biocontrolador mostram-se ascendentes, e isso se deve aos muitos potenciais benefícios advindos do seu uso, como incremento no desenvolvimento inicial de raízes, atividades de parasitismo, antibiose, competição e indução a resistência de plantas a certos patógenos, já mencionados em diversos estudos, em várias culturas, como observa-se abaixo:

“Pesquisas que já demonstraram a promoção do crescimento vegetal e apresentam aumento tanto no crescimento quanto na produtividade de diversas culturas como cravo, crisântemo, pepino, berinjela, ervilha, pimentão, rabanete, tabaco, tomate, alface, cenoura, milho, algodão, feijão, arroz, grão-de-bico, eucalipto, entre outras.”
Por: Resende et al. 2004; Almança, 2005; Fortes et al., 2007; Jyotsna et al. 2008; Filho et al., 2008; Hoyos-Carvajal et al., 2009.


Acima, imagens do fungo Trichoderma harzianum, em fase reprodutiva aos 60 dias após inoculação no solo. Figuras a, b, c são detalhes do micélio, e a figura d é o detalhe do micélio com estruturas reprodutivas. Imagens dos pesquisadores do Grupo de Pesquisa em Produção Vegetal – UNICENTRO-PR, 2009.

Mas, o que o Trichoderma pode fazer na agricultura?

  • Capacidade de inibir fitopatógenos através de competição;
  • Parasitismo direto controlando patógenos;
  • Produção de metabólitos secundários;
  • Micoparasitismo de estruturas de resistência de patógenos;
  • Aumento na percentagem e na precocidade de germinação;
  • Estimulante para o desenvolvimento de raiz;
  • Melhorar a assimilação de nutrientes;
  • Aumento da resistência diante de fatores bióticos não favoráveis.
  • Alguns estudos demonstram controle em Fusarium spp., Rhyzoctonia solani,  Sclerotinia sclerotiorum, Roselinia, Phytophthora, Verticilium, Armillaria e Pythium.


Aplicação:

Seu uso é bastante versátil, podendo ser feita via semente, via foliar, no substrato ou mesmo no sulco. Em soja, o tratamento de sementes ou aplicação no sulco, são praticas eficientes pois possibilitam proteção da semente quando colocada em solo com patógenos, proporcionando assim maior confiabilidade no estabelecimento de plântula, podendo ser um complemento de produtos químicos indicados para esta finalidade. Nestas modalidades sua utilização é motivada também pela promoção de crescimento que seu uso pode conferir.

Qual a limitação para a sua difusão no mercado agrícola?

Em território nacional, ainda ha baixa disponibilidade de produtos com registro no MAPA. Além disso, também há um número limitado de informações à cerca do uso de bioprodutos, o que limita  limita sua aceitabilidade por meio dos produtores. Somado a isto, produtos  biológicos diferem dos químicos, sendo imprescindível que os agricultores e técnicos detenham conhecimentos acerca do comportamento de um biológico a campo, pois estamos trabalhando com organismos vivos que para apresentar a máxima eficácia terão que sobreviver, colonizar e se multiplicar na planta ou no ambiente.

Produtos Registrados:

Abaixo, alguns produtos registrados que contém Trichoderma, com destaque para a versatilidade de uso:


Biodefensivos Registrados (FONTE: ABC Bio)

Resultados de pesquisas com Trichoderma:

O número de pesquisas sobre as implicações e emprego do fungo vem aumentando tendo em vista tanto o emprego como promotor de crescimento quanto controle de patógenos em diferentes culturas de importância agrícola. Abaixo foram listadas algumas pesquisas desenvolvidas com emprego de Trichoderma spp.

Soja:

Um dos estudos abordando as respostas de rendimento, estande, número de vagens por planta e massa de 100 grãos às doses do antagonista são apresentadas na figura abaixo, obtido em um trabalho realizado em Goiás :


Para acessar o trabalho completo clique aqui.

Ainda sobre soja, outro trabalho desenvolvido na UFSM com Trichoderma no controle de nematóide mostra que o mesmo reduz danos às plantas de soja pelo Meloidogyne incognita, como demonstra a tabela abaixo:


Na tabela acima é possível observar que o Trichoderma UFSMQ36 2,50×108 conídios via microbiolização de sementes de soja é eficaz na supressão do nematoide M. incognita.

Outros resultados:

  • Aumento do rendimento da cultivar de soja M-Soy 6101 proporcionado por T. harzianum 1306 a 0,5 e 1 L/ha. Cuidado: observou-se uma inflexão na curva de resposta às doses do antagonista e redução para praticamente o mesmo patamar observado na testemunha do rendimento após a aplicação de 1,5 L/ha  do antagonista.
  • Tanto o número de vagens por planta quanto a massa de 100 grãos foram maiores na dose de 0,5 L/ha  de T. harzianum 1306 que na testemunha sem controle biológico (Figura 4 A, C e D).
  • Tais resultados contribuíram para que houvesse incremento de rendimento de 313 kg /ha de soja, observado na dose de 0,5/ha  de T. harzianum 1306.
  • À medida que aumentaram as doses de T. harzianum 1306, o número de plantas por metro quadrado também foi maior. Esse fato pode estar associado ao controle, por T. harzianum 1306 aos patógenos de solo, que afetam a germinação e estabelecimento das sementes.

Feijão

Em plantio de sequeiro realizado na safra 2007/2008, em Água Fria, GO, a aplicação via barra de T. asperellum e T. harzianum em testes independentes (ambos formulados em suspensão oleosa, com 2 x 109 conídios viáveis mL/ha ). A aplicação de T. asperellum gerou um aumento de até 807 kg/ha em relação à testemunha, na dosagem de 800 mL/ha , com a redução da severidade do mofo-branco. Por sua vez, a produtividade obtida após a aplicação de 1000 mL/ha  de T. harzianum foi superior à testemunha, em 957 kg/ha .

Possivelmente esses resultados foram influenciados também por efeitos de Trichoderma spp. no controle biológico de Sclerotinia sclerotiorum, presente na área experimental utilizada. Nesse caso, o parasitismo de escleródios por Trichoderma spp. pode reduzir o inóculo inicial do patógeno e conferir uma maior eficiência do controle químico do mofo branco (COSTA, 1997).


Para acessar o trabalho completo clique aqui.

Arroz

As respostas diferenciadas para um maior número de perfilhos em plantas de arroz e consequentemente maior produtividade podem ser atribuídas à interação entre plantas de arroz e o fungo Trichoderma asperullum TO 201.


Para acessar a Pesquisa na íntegra clique aqui.

Milho

Neste trabalho para os resultados de Massa fresca de parte aérea (MFPA), não foi observado diferença estatística, vide figura abaixo. Contudo, o Massa fresca de raíz (MFR) foi significativamente maior no Azospirillum sp. em mistura com o Trichoderma sp. em relação aos demais tratamentos, ou seja, quando associados esses microrganismos apresentaram melhor resposta de quando tratados isoladamente


Outros resultados sobre a cultura:

  • Em experimentos de campo, a microbiolização com T. harzianum isolado T-22 proporcionou aumento significativo na emergência de plantas e no rendimento de grãos de milho (Luz, 2001);
  • Trichoderma spp. proporciona aumento na produção de matéria seca em milho, o que não se reflete sobre a produtividade (aqui);
  • Harman et al. (2004b) relataram que plântulas de milho com 10 dias apresentaram maior produção de biomassa.

Outras culturas

  • Filho et al. (2008) concluíram que Trichoderma spp. isolado CEN 262 proporcionou maior índice de desenvolvimento de partes aéreas de mudas de eucalipto;
  • Kleifeld e Chet (1992) observaram a ação positiva de isolados de T. harzianum em tratamento de semente e de solo na germinação de feijão, rabanete, tomate e pepino;
  • Inbar et al. (1994) observaram um aumento de 96% de área foliar em plântulas de pepineiro cultivadas em substrato tratado com o isolado T-203 de T. harzianum;
  • Baker (1989) verificou efeito benéfico na promoção de crescimento de plantas de ervilha e rabanete quando o Trichoderma spp. esteve presente;
  • Harman et al. (2004) consideram que o aumento da produtividade proporcionado por isolados selecionados de Trichoderma spp. é mais evidente sob condições estressantes às plantas, em termos de presença de patógenos. Sob condições próximas ao ideal, os benefícios às plantas são menos evidentes.

Como visto, o emprego do Trichoderma além de elevar os níveis de sustentabilidade sendo alternativo ao controle químico vem se mostrando de fato como controle versátil e efetivo, contribuindo também para um melhor desenvolvimento das plantas.

 

Elaboração: Daniela Moro – Equipe Mais Soja

Foto de Capa: retirada do Trabalho Trichoderma asperellum: A potential biocontrol agent for Pythium myriotylum, causal agent of cocoyam (Xanthosoma sagittifolium) root rot disease in Cameroon, disponível em  https://www.researchgate.net/figure/Antagonism-of-Trichoderma-asperellum-strains-against-Pythium-myriotylum-following-a_fig1_234874436

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