Na agricultura brasileira a soja vem se consolidando como uma das culturas de maior produção e importância econômica, e tendo em vista seu respaldo nacional, pesquisas a cerca de novas alternativas para tornar cada vez mais eficiente seu manejo são muito importante para maiores rendimentos.

Dentro dos problemas que merecem atenção para o incremento no rendimento desta cultura estão os patógenos, em especial os fungos de solo, classificação esta ocupada pelo temido mofo branco.

Os patógenos de solo também conhecidos como doenças radiculares, podem ser caraterizados em diversos sintomas: podridão de sementes e raízes, tombamento pré e pós emergência, murchas vasculares entre outros. O grande problema destas injurias é que interferem diretamente na absorção de água e nutrientes essenciais para fotossíntese e rendimento da cultura e podem até mesmo inviabilizar o estabelecimento da lavoura.

Algumas praticas fitossanitárias vem conquistando espaço, como é o caso do fungo Trichoderma, e isso, devido a sua versatilidade e caráter biológico.



Abaixo, na imagem presente na dissertação de Leonardo Braúna pode ser observar a interação do bio controlador com o fungo, que resulta no controle: para acessar a dissertação completa clique aqui.

 

Caracterizando o mofo branco ou podridão branca

O mofo branco é causado por Sclerotinia sclerotiorum, este patógeno tem como fator favorável à sua disseminação a gama de hospedeiros em que pode parasitar. Considerado uma das doenças mais antigas na cultura da soja tem seu ambiente favorável em localidades de altos índices de precipitação e temperaturas amenas. Abaixo, sintomas característicos em plantas de soja.

O fungo sobrevive por muito tempo no solo, devido a resistência apresentada pelo seu esporo, o escleródio, um dos alvos de utilização de Trichoderma em soja.

O mofo branco não é só uma doença preocupante no solo mas também de parte aérea. O dano de parte aérea normalmente está associado as flores infectadas, reduzindo a produção de grãos, com medidas de controle elevando os custos de produção, visto que os fungicidas recomendados para seu controle são específicos. Após o florescimento tem-se uma proliferação da doença, e isso se deve por que a flor é fonte primária de energia, possibilitando o surgimento de novas infecções. Assim, depois da colheita, os escleródios que antes estavam na planta vão para o solo, vindo a ser fonte de inóculo para cultura sucessora.


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Mas afinal, quanto se perde com a presença do mofo branco?

Resultados da UFV, EMBRAPA e Cornell University apresentam que a cada 10% de aumento na incidência do fungo, a produtividade tem redução de 172 kg/ ha e o incremento de um quilograma a mais de escleródios por hectare.


Quer saber mais: Trichoderma: versatilidade, função e potencialidades


Logo, quando temos   alta incidência da doença, o produtor perde duas vezes: a primeira pela redução de produtividade na safra e a segunda pelo aumento na quantidade de escleródios que vão sobreviver até as safras seguintes.

Ainda segundo o estudo, considerando um cenário de 43% de incidência em 22% da área plantada e de ausência de manejo adequado, o prejuízo causado por este fungo pode chegar a 1,47 bilhões de dólares americanos por ano no Brasil.

Controle com o uso de Trichoderma 

O gênero Trichoderma tem sido citado com o potencial controlador de diversas doenças de doenças causadas por fungos de solo, ou seja, aquelas causadas por patógenos que passam a maior parte de seu ciclo de vida neste ambiente e infectam raízes, a base dos caules e o sistema vascular das plantas, causando podridões e murchas ou mesmo mofo branco.

Dentre eles podem ser mencionados Fusarium, Rhizoctonia, Sclerotinia, Verticillium, Phytophthora, Pythium, Armillaria e Roselinia, entre outros.

Atualmente uma das medidas de maior eficiência no manejo para controle dos fungos de solo é o tratamento de semente (TS) com fungicidas, podendo também ser utilizado produtos biológicos, de forma eficiente, associando o tratamento biológico ao químico.

Nesta linha o trichoderma está sendo muito estudado, pela sua ação antagonista ou seja por interferir nos processos vitais de outros fungos patogênicos. Em soja, por exemplo, pode ser utilizado em diferentes momentos:

  • Na semeadura, vizando controle de fungos de solo ou estimulo de crescimento
  • Aplicações foliares, nos estádios V2 e V4
  • Pulverização pós colheita, para controle de estruturas reprodutivas do fungo.

Abaixo alguns resultados com o uso de Trichoderma:

Trabalho feito pela Universidade Católica do Tocantins evidencia que Cepas de Trichoderma da espécie T. viride inibiram o crescimento micelial do fungo Sclerotinia sclerotiorum, em confronto direto, isto é quando o fungo e o bioagente são colocados em um mesmo ambiente. Notando-se maior resistência da planta ao patógeno quando inoculada, tornando uma fonte viável e eficaz no controle do fungo.


Outro trabalho feito pela UFG mostra a importância de um manejo integrado de doença, evidenciando o emprego de braquiária no controle de S. sclerotiorum, onde é justificado que esta provavelmente, contribuiu para aumentar rapidamente o conteúdo de matéria orgânica e de umidade do solo, e o número de escleródios parasitados por T. harzianum, com reflexo positivo na produtividade de grãos de soja. Estes resultados mostram que T. harzianum ‘1306’ é um efetivo agente biocontrolador para patógenos do solo.


Pesquisas realizadas pela UNB, mostraram que houve inibição micelial realizada por isolados de Trichoderma, variando de 100% até 0%, que foi o caso do CEN202 sobre o mofo branco:


AFINAL, O TRICHODERMA É A SOLUÇÃO NO CONTROLE DO MOFO FRANCO?

Vale lembrar, o Trichoderma é uma alternativa para inativação e redução de esporos, mas não é a solução, varias medidas precisam ser levadas em consideração de acordo com a situação de cultivo da lavoura.

Alguns detalhes: Para a maioria das linhagens comercializadas no Brasil, a temperatura ideal de crescimento é de 25±20C; umidade de 60±10%, pH entre 4,5-5,5 e concentração de matéria orgânica acima de 2%. Entretanto, é importante mencionar que as linhagens de Trichoderma são bastante tolerantes às amplas variações em todos esses fatores, podendo atuar mesmo quando as condições não sejam consideradas as mais adequadas.

Assim, cabe às empresas responsáveis pelos bioprodutos, formulados à base de Trichoderma, fornecerem as informações quanto às faixas de tolerância de seus agentes, principalmente em relação à temperatura, umidade e pH, para que o produtor escolha o produto mais apropriado às suas necessidades e consiga obter o resultado desejado (Fonte: Trichoderma: o que e, para que serve e como usar corretamente na lavoura).

Elaboração: Daniela Moro – Equipe Mais Soja

Foto de Capa: retirada do trabalho: Aislamiento y selección de cepas de Trichoderma antagonistas a Sclerotinia sclerotiorum y Sclerotinia minor, disponível clicando aqui.

 

 

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