A introdução da cultura do trigo no cerrado e a construção deste cenário até os dias atuais

Com o avanço da pesquisa o cereal que antes tomava conta somente nos campos do sul do país, atualmente vem se mostrado não só como alternativa de rotação de cultura no centro do Brasil, mas como eventual oportunidade de expansão do mercado aos produtores.

Tido como o segundo cereal mais produzido no mundo, o trigo é originário do sudoeste asiático, região de clima tropical úmido, e, embora seja característico de regiões mais desérticas ainda é mais produzido no sul do país e conhecido como trigo de inverno salienta o pesquisador da EMBRAPA Júlio Albrecht.

A ideia de se produzir trigo despontou com a criação da Embrapa Trigo nos anos 70, onde posterior a isso variedades sulinas foram adentrando a fronteira de cultivos na região de cerrado.

Por acreditarem no potencial da cultura nesta região e embora os pesquisadores observassem que no momento os materiais não estavam produzindo bem, as pesquisas seguiram de forma expressiva, tanto para melhorar a quantidade da produção, quanto a qualidade tanto preconizada no setor de panificação.

Variedades mexicanas foram cruzadas às do Sul, e selecionadas plantas com características mais produtivas. Já na década de 80, era possível observar grandes avanços na potencial expansão trigo da região de cerrado. A parceria entre a Embrapa Cerrado e a Embrapa Trigo, rendeu o que conhecemos hoje como variedades de cerrado.

Avanços na produção de trigo na área de cerrado no Brasil

O clima constante observado para região central do país aliado a genética obtida através do melhoramento de variedades para as condições da região e as exigências de mercado do trigo possibilitaram a ascensão da cultura.

Não só devido aos seus níveis satisfatórios de rendimento, o trigo do cerrado por atender as exigências de qualidade de farinha para a panificação tendo alta força de glúten e estabilidade (fator correspondente a estabilidade da massa), vem demonstrando uma alternativa de produção, está que se potencializa devido a aliança com fatores mercadológicos:

  • O primeiro trigo a ser colhido no Brasil;
  • Colheita no período seco;
  • Melhores preços de mercado.

Além de todos estes gradientes de rentabilidade, o fato de a região Sul possuir a variável climática, fazem tanto o trigo irrigado como trigo de sequeiro somados a um manejo adequado produzir de forma agradável aos produtores.

Gargalos da produção

O correto estabelecimento de uma cultura não só do trigo e independente da região de plantio parte do conhecimento de praticas básicas como uma adubação de acordo com a analise de solo e a expectativa de rendimento, bem como a semeadura na época certa e com sementes de alta qualidade.

Além disso alguns gargalos quanto a cultura e o sistema em que se pretende inseri-la devem ser levados em consideração, no caso do trigo no centro – oeste duas formas de plantio tem vigorado, e dentro delas existem ainda alguns fatores a serem melhor controlados:

  • O trigo irrigado depende fortemente da expansão de redes de energia para o aumento do número de áreas passíveis de irrigação. Além da expansão, é necessário que os produtores que já dispõe de um sistema de irrigação que façam o manejo de acordo com a exigência da cultura e a capacidade de suporte do solo, para minimizar fatores adversos ao bom andamento da cultura;

  • Quanto ao trigo de sequeiro a chuva ainda é um fator que ocasiona uma produção inferior com relação ao material irrigado, para tal é importante que o momento da semeadura respeite a coincidência com os momentos de necessidade hídrica da cultura;

    Figura 1. Sintoma de Brusone em trigo Foto: Divulgação Biotrigo
  • O risco de produção em decorrência da doença Brusone é passível de atenção nos dois sistemas produtivos, chamando atenção às aplicações preventivas de fungicidas protetores. Para o sistema sequeiro em especial vale respeitar o momento da semeadura para com relação a época de chuva, para evitar maiores prejuízos.

O que mostram os dados da CONAB com relação a produtividade deste setor?

Segundo a série histórica divulgada pela CONAB em 2018, a estimativa em área plantada no centro oeste para safra 2018 é de que ocorra um aumento para 43,3 mil hectares.  Além disso prévias de abril de 2018, mostram aumento não só da produção, mas de produtividade passando de 3.229 kg/há em 2017 para 3.257 kg/há em 2018.

O panorama que a CONAB coloca sobre os estados do Mato Grosso,  Mato Grosso do Sul e Goiás:

MT

A cultura do trigo por sua característica de fornecimento de palhada para cultivos subsequentes, apresenta-se uma ótima opção quando antecedendo cultivo da soja, além de contribuir na rotação de culturas, melhoria das condições de solo (relação carbono/nitrogênio) e controle de pragas e doenças.

No estado do Mato Grosso o problema da produção esbarra em impasse econômico. Existem produtores dispostos a cultivar o trigo, mas ainda não o fazem por não haver uma empresa compradora consolidada em âmbito estadual, que assegure ao produtor a comercialização. O empresariado, por sua vez, não investe pelo fato de ainda não haver produção significativa.

O trigo mato-grossense por ser utilizado como melhorador atrai a atenção de empresas do setor de transformação. Entretanto, o grande gargalo continua sendo a comercialização.

MS

Vários fatores explicam a redução da área plantada com a cultura no estado, sendo as causas de ordem mercadológica e de manejo. Sob o enfoque do manejo, o trigo sofreu redução de área para o milho safrinha no estado devido à grande quantidade de cobertura morta para o solo no sistema de plantio direto. Outro grande entrave para a cultura está relacionado a falta de pacotes tecnológicos para o trigo.

No que se refere ao mercado, nos últimos anos tem ocorrido uma grande demanda por milho na entressafra para atender ao mercado interno, como também às exportações. A cadeia de produção do milho é mais estável, apresenta maior liquidez, com mercado futuro estabelecido e compradores garantidos no exterior.

GO

O trigo encontra resistência para aumento de área justamente por concorrer com a cultura do feijão na região leste do estado, porém é utilizado em rotação de cultura, pois auxilia no controle das pragas do feijão na região

O que está por trás do custo e da produção do trigo no Brasil Central?

As diferenças inerentes aos custos variáveis e produtividades englobam uma série de fatores relacionados ao sistema de produção – por exemplo, solo, clima e temperatura – que podem influenciar diretamente na produtividade, bem como outros aspectos que impactam diretamente nos custos, como a logística.

O trigo produzido na região de mostra-se rentável devido, principalmente, ao sistema de cultivo irrigado com alta tecnologia, obtendo-se altas produtividades e boa qualidade dos grãos para panificação. No cultivo no sistema sequeiro, a produtividade se assemelha com aquela da Região Sul do Brasil.

Maiores dados sobre a evolução do cultivo de trigo no país podem ser obtidos aqui

Elaboração: Eng. Agr. Daniela Moro – Equipe Mais Soja.

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